Saturday, 31 January 2009

Dia (gonal)

Me sinto pequena e solitária. Na mesa da cozinha, observando as bolhas multicoloridas que se foram na superfície do café, apóio meu queixo na mão esquerda, enquanto desfaço tais bolhas com a direita. A colher move-se de lá pra cá, enfim destruo os mini arco íris (confusa em relação ao hífen ainda) e bebo um gole. Está doce. É do meu gosto que seja doce.

Nunca fui muito boa em descrições de espaço, tempo e ações. Sempre me detive em descrever sensações, suspiros, olhos, mãos e lábios. Agora penso que posso começar a trazer todo o espaço em volta sim, para fazer poesia sim, porque eu quero sim. 

Tudo bem que isso não é poesia, ou pelo menos não tem a forma de uma, mas esses fragmentos soam tão poéticos para mim... 

O volume da televisão está demasiado alto, saio à procura do controle remoto (apenas com os olhos) e já que não o encontro, desisto e sigo pensando.

Partistes? É, eu acho que sim, ainda não sei. Te sinto distante e tão perto ao mesmo tempo e isso se confunde com todas as coisas que penso serem as certas a serem feitas nesse momento. 

Me vejo presa nesse espaço chamado liberdade, a liberdade que sufoca, a liberdade que nos deixa tão soltos que nos vemos ingênuos diante do portal da perdição.

E a  culpa? É sempre tua. Pelo menos dessa vez poupei teus olhos dos mais belos adjetivos. E encerro aqui, antes que mergulhe neles novamente, aqui em pensamento.
Apenas para começar uma tarde de sábado nublada quero fazer a análise dessas gotículas que agora caem do céu. Do paraíso tão cinza... será que é a tua alma refletida lá em cima? Ah anjo, não penses que não vai passar... vai sim. E a gente? A gente vai cantar. 

Friday, 30 January 2009

(Bio) gráfico (?)

Ah esses traços perto dos teus olhos... (será que eu nunca vou cansar de falar nos teus olhos?) Esses mesmos aí, fazendo risquinhos. Mostrando os caminhos trilhados. E divagas inoperante, divagas inconsciente por um mundo que eu acho melhor nem saber qual é. 

Inspiras.

Expiras.

(me) Inspiras.

E pego os fios do teu cabelo, e faço movimentos circulares. Esquerda, direita, esquerda, direita. De tão fininhos, enredam-se, ahh não posso te acordar. Então vou desfazendo a bagunça que fiz devagarinho, executando um trabalho cheio de minúcias, de detalhes. Fiozinho pra lá, fiozinho pra cá, ih, deu nó, ele vai acordar.

Abres os olhos piscando frenético (o mesmo jeito daquela manhã na qual dormias em quarto semi-iluminado e eu pensei tanta coisa à beira daquela cama) e tu sorris tão...tão não-sei-como-dizer. E com o teu polegar e indicador,  tu dás um beliscão no meu nariz. E é claro que me ponho a sorrir também. Sincronia... sintonia...

Alisas o meu cabelo. E eu te olho no fundo do olho. E dormes novamente, pra que do teu sono eu extraia todo o meu sonho. 

Thursday, 29 January 2009

Alguns feixes de luz entraram pelos furinhos das persianas. E isso fez com que um desses raios iluminados, iluminosos fossem direto ao encontro de seu olho. Piscou uma ou duas vezes, sabe lá, a gente nunca conta quantas vezes pisca. Olhou pro lado e lá estava ele. Lá estava ele!!! Com o rosto enfiado no travesseiro, um braço encobria seus lábios, ela só conseguia ver seus olhos fechados e os cabelos, enredados numa perfeição de dar inveja. As costas descobertas e então ela acompanhava aquela respiração (sinfônica, sincrônica) perfeita, matinal. Chegou pertinho de seu nariz e encostou o seu. Fez um "beijinho de esquimó" e então, sentou-se ao lado da cama e se pôs a pensar.

Quanto tempo fazia? Um mês? Dois meses? Não, um pouco mais do que isso desde a primeira noite estrelada juntos. A diferença é que naquele dia os dois não foram parar nos mesmos lençóis em meio a beijos e abraços e apertos e afagos e suspiros e gemidos. 

Olhando-se no espelho sentia-se a mulher mais realizada da face da terra e pelo espelho conseguia ver refletido ali o homem deitado naquela cama pela enésima vez. Era sempre assim, era necessário só um olhar, eram feitos um para o outro, fazer o que? As moléculas de carbono dele chamavam as moléculas de carbono dela bem como todas as outras moléculas de outros elementos químicos se atraíam. Sifonia, sincronia.

Então, foi até a cama novamente, o dia estava bem mais claro e o quarto estava bem mais iluminado. Sentou-se ao lado dele, inclinou-se um pouco, apoiou-se sobre seu braço direito. E começou a observá-lo. Chegou pertinho só pra ouvir a canção do seu inspirar/expirar. Encostou sua testa na dele, talvez com muita força, pois o anjo pôs-se a mexer-se e a espreguiçar-se. 

Abriu os braços, piscou uma ou duas vezes... ela também não conseguira contar quantas vezes os olhinhos miúdos piscaram. E ele sorriu. E então, aquele foi um bom dia.

Wednesday, 28 January 2009

Ah a chave! A maldita chave SEMPRE some quando a gente mais precisa dela. Impressionante! Já procurei por tudo, o que faço? Eu tava achando a chave da porta que dava diretamente para a porta (da frente, claro) do 'eu-nem-quero-mais-pensar-em-ti', mas parece que tu sentes que tô procurando a chave e aí apareces aí eu fico assim meio boba, meio pasma, muito pálida na tua frente embasbacada com teus olhos, eles sempre me surpreendem tu já notou isso? É sempre o mesmo olhar miudinho mas sei lá, é diferente. E a risadinha sem dente? Aquela meio irônica, meio sarcástica, aquela, aquela tua risadinha, saca? E eu fico aqui sem saber o que fazer, mas só canto com The Smiths "I never ever had no one eveeeerrr" meio que pedindo para seres o meu único mas sei que tudo isso é besteira, é tudo culpa tua e essa mania de me fazer sorrir quando eu penso que não, não pode valer a pena porque não! Não quero falar!

E assim são os sentimentos! Ondas que invadem e levam tudo ou trazem um pouquinho mais de outras coisas e levam as chaves, todas as chaves para a perdição do fundo do mar, junto com seus tesouros!
Aiii! Tá! Foi só um surto enquanto eu recortava algumas folhas de papel, mas ah meu bem, você sabe que vez por outra eu perco o controle. Culpa toda tua. Que (ainda) me leva do topo ao tédio o tempo todo... 
Ahhh e a nossa música toca, tocaaaaa!

=)

Tuesday, 27 January 2009

Eu

Eu?

Sou do vento
Sou da música
Sou da Literatura
Sou do beijo bom e demorado
Sou do banho quentinho, da risada sincera, do olhar tímido
Do olhar descarado
Do suspiro poético
Do suspiro cansado
Do afago singelo
Do abraço apertado
Sou da noite, do mar
Da contemplação do mar, claro
Sou do Pink Floyd
Do Caio Fernando Abreu
Sou a guria do All Star
Sou da internet 
Sou da rua
Sou dos amigos e das amigas
Sou daquele que nem sabe o que de mim quer
Eu simplesmente sou tudo isso
Da estrela, da lua
Da rua
Sem saber exatamente se sei
Ser o que sou...

É só porque o dia nublou.

Ai! Entendesse tudo errado! Sim, sim a musiquinha era nossa mas não não! Não era nossa porque a-gente-vai-se-amar-pra-sempre mas era nossa porque era elo de ligação de um momento eu + tu. Pronto, era isso. Só isso.  Tá, tu podes não ter músicas específicas para cada pessoa da tua vida mas eu tenho sim! E não só com esses rolinhos banais, até com amigos e amigas eu acabo "fixando" músicas que com certeza remetem à determinadas situações. E ninguém nunca se afastou de mim por causa disso.

Mas tu... Por que hein? Um cara desse tamanho ter medo de uma música que é "nossa". É nossa sim, por mais que tu negues! É minha e tua porque quando tocar tu vais lembrar de mim e vais saber que a música fala exatamente daquela tua expressão facial que eu simplesmente babo por. É assim meu caro, a vida é assim mas não precisa te desesperar só porque me despertasse um pouquinho de magia. As magias se quebram fácil, honey baby.

E eu não escrevo essas linhas como quem está com o coração cheio de ódio praguejando aos quatro cantos pra que os teus olhos parem de olhar toda e qualquer atmosfera em volta porque são olhos divinos demais. Eu hein... eu posso ter um jeitinho meio desmiolado, meio que de pré-adolescente rebelde que se atira da ponte no primeiro obstáculo. Mas é só jeitinho mesmo.

Lá no fundo da alma eu sou a mulher. Aquela mesma mulher que sabias que era demais pra caber no espaço pequeno da tua vida, ou no mínimo  espaço dos teus braços
Se por acaso um dia, você passasse a doer menos aqui debaixo da minha pele, o que eu passaria a ser?
Se por acaso um dia eu parasse de sentir o teu perfume em todo e cada espaço metafísico, metafórico, metade... o que eu passaria a sentir?
Se um dia eu jogasse o gosto do teu beijo fora... seria eu capaz de sorrir?


Notinha rápida: Mais de 100 visitas! Obrigada aos amigos brasileiros que têm lido o blog! And a special thanks to the foreign blog's readers!

Monday, 26 January 2009

E eu controlo o meu impulso vital que me empurra pra cima de ti e às vezes parece que não há o que fazer. Mas simplesmente fujo desses olhos. 

E o incrível é...

...como o teu corpo não me faz mais. Ahhhh.

Saturday, 24 January 2009

Friday, 23 January 2009

Primeiro selo do blog


Não foi uma surpresa, mas o Leandro indicou um selo pro blog... então fui lá e peguei! =)


Já teve curiosidade de ver sua caricatura?

1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que vc acabou de ganhar!
2- Poste o link do blog que te indicou.
3- Indique 10 blogs de sua preferência.
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para vericação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.

Blogs que eu assino embaixo:


7:11
Un Brasiliano in Italia
a razão do absurdo
Onde estás, com teus olhos de cigana oblíqua?
Verdadeira é a palavra navalha
A solidão nunca está sozinha
añ?


Eu sei que aí não tem 10 blogs nem a pau. Mas é que a minha intenção era apenas de 'selar' meu blog e de outras pessoas, no intuito de demonstrar o quão leitora sou dos blogs citados.

Outro blog que eu recomendo muito é o Young Hotel Foxtrot, apenas não indiquei o selo porque é um blog para download de mp3, então não achei que seria oportuno mandar um selo desses hehee.

No mais... thanks aos visitantes!

Thursday, 22 January 2009

Don't blow away

Os filmes nos quais Jude Law está irresistivelmente lindo e perfeito (hm, acho que ele consegue ser isso o tempo todo) deveriam ser proibidos para garotas como eu.

Sim, garotas que não podem ver um par de olhos azuis instigantes ou lacrimejantes e aquele sorrisinho reto. Mistura tudo isso mais a gororoba colante de uma historinha de amor piegas pra cacete e vocês verão "O Amor não tira férias". Bom o filmezinho. Bem bom mesmo, o Jack Black está irresistivelmente sexy!

E as frases do filme? Pareciam estar em perfeita sintonia com o meu fracasso atual. E não, eu não quero falar sobre isso. Se eu quisesse falar dos meus problemas eu não teria um blog e sim faria análise.

O engraçado é que dois personagens do filme, Iris (Kate Winslet) e Miles (Jack Black) conseguem a redenção. Sim... eles conseguem acabar, pôr um ponto final no que não está resolvido. Vou ver se vejo esse filme na companhia de um espelho da próxima vez.

Thanks aos visitantes do blog, estou feliz com a visibilidade do In the Sky. Pelo menos, feliz com something.

Delírios, desejos e desatinos

Esse espacinho tão pequeno e tão grande, que diz nada e diz tudo sobre mim.

As dúvidas são tantas que chego a ter medo de encontrar a resposta. E sinto uma vontade infinita de escrever o tempo inteiro, porque as palavras me libertam...

Wednesday, 21 January 2009

She only sleeps when it's rainning...

A minha vontade é que estivesse aqui...

Um silêncio maior
Uma escuridão maior
Uma ponta de pensamento maior
Um resto do impacto do fogo do desejo do ensejo
Que fora teu olhar

A minha vontade é que os sentimentos pudessem rastejar até alcançarem os limites da minha pele e começassem então a sair, poro por poro, só pra tornar tudo isso um pouquinho mais fácil.

Do lado de cá... um desolamento, um abatimento. O rosto pálido, os pulsos brancos e as veias multicoloridas ali, mostrando que sangue existe. Até tentei mudar um pouquinho o roteiro do filme hoje. Me senti feliz porque já refletira mais cedo sobre vida. O que fazer da, como resolver a minha, o que vou ser da. 

O mundo parece que mergulha fundo em mim todos os dias e quando eu quero pegar ele volta pra superfície na tentativa de tornar essa ciranda mais emocionante. E eu vivo na montanha russa de sentimentos e dores e alegrias e por muitas vezes já não sei quem sou. 

E eis que me perco aqui e ali, naquela boca, noutro braço, naquela conversa de lá, naquela peça de roupa no chão aqui. Eu me perco só pra poder me encontrar.

São 3 am... ah não, são 8:30...

É, eu nunca estou muito inspirada assim tão cedo. Na realidade eu tô (ins) pirada, como diria o Leandro. Não tenho nenhuma xícara de café por perto. Sou apenas eu, o Rob Thomas cantando aquela versão fodástica de 3 am só no pianinho e o barulho do quebra quebra dos pedreiros arrumando (?) as coisas aqui no Instituto.

Nem era pra estar me atrevendo a escrever qualquer coisa. Não em um momento como esse. Não em mais um momento como esse. Na realidade, o script todo foi seguido à risca. Sempre é. Nada muda, nem eu mesma consigo mudar quando vejo que algo não dá certo. Eu erro e não aprendo.

Não sei se por impulso vital ou por insistência, ou por impulso besta eu sigo fazendo as mesmas coisas por acreditar que é assim que vale a pena.

Eu quero poder continuar olhando no olho e dizendo o que eu tô sentindo. E se isso é absurdo demais, talvez eu seja demais também.

São oito e meia e eu deveria estar sozinha...

Tuesday, 20 January 2009

A rapidez na noite

A noite traz consigo, além da escuridão singular, o ar rarefeito que faz com que esse sentimento de pressão aumente. 

Eu te olho todos os dias e sempre penso que hoje poderia ter feito diferente. Mas eu não consegui. Novamente me afastei, fiquei aqui no meu mundo... eu nem conheço direito a pessoa mais valiosa da minha vida.

Me perdoarás um dia? Perdoa... ah me perdoa. Ninguém pode dar aquilo que não tem. E é por isso que me perco tanto na tentativa de te encontrar.

Do topo ao tédio

É um corte.
É um pulo.
É uma pancada...

Monday, 19 January 2009

É, eu queria ter dito um bocado de coisas pra ti antes de que tu tivesses saído por aquela porta mas é que a realidade mais dolorosa, talvez seja que, é... faltaram palavras.

Sim, eu sei, palavras, palavras, encontramos milhares no dicionário e eu até poderia folhear o Aurélio em busca de adjetivações pros teus olhos e pros teus cabelos. Encontraria um monte de nomes bonitos, estranhos, engraçados pra definir o par de olhos e os fios finos de cabelo. Mas não foi nem por preguiça. É que todas aquelas palavras bem formadas jamais expressariam a metade do que isso realmente é.

Eu poderia passar horas procurando por letrinhas que traduzissem sentimentos ainda não despertos mas é que a realidade toda é que eu quero que esses sentimentos aflorem mas não, o tempo é inimigo e ele não deixa eu fazer isso. Nunquinha.

E eu ficaria uma (outra!) noite inteirinha só te olhando. Ver o quanto és belo enquanto respiras profundamente e dormes e parece até que sonhas com anjos (como se não fosses um deles)...
Continuaria a passar a mão nos teus fios de cabelo e continuaria pegando cada pedacinho do teu rosto pra mim, que maneira bem boa de pegar alguém pra si.

E eu te peguei, eu sei que peguei. E estás aqui.

(...)

...impressionou-a a tal forma que aquele cheiro veio repentinamente para ponta de seu nariz... era o desenho perfeito daquele cheirinho... perfume do Boticário, talvez, não sabia que marca era, nem o nome do perfume...mas era dele...e ela, lembrava dele...

...o tempo...

..todo...

Sunday, 18 January 2009

(In) Tocado

Não, não pronuncies o nome dele.
Não fique pensando se essas linhas são ou não são pra ele.
Sim, são linhas pertencentes a ele, sim, são todas sobre, por causa de, inspiradas por, imaginadas, sonhadas, sentidas porque penso em.
Mas não ouse profanar a imagem desse anjo. Nunca ouse profanar o meu anjo. Não agora, que ele habita meus sonhos. E nesses sonhos nossos olhares dizem tudo. Enfim, é hora de acordar.

Saturday, 17 January 2009

Um beijo a mais (LOSERAGEM!)

Esse post é só para retratar a loseragem do meu dia.

Acordei pensando que fosse domingo, resolvi aposentar o pijama logo cedo e me enfiei no biquini (o que não tenho por costume, mas tava calor pacas).

Em seguida fui pro quintal (coisa de guria de vila mesmo) escutar uma musiquinha e depois ficar de molho na piscina de "prástico".

Terminada a função LOSER para evitar o calor, vim ver um filme chamado "Um beijo a mais". Loseragem total porque tinha Aimee Mann e Coldplay na trilha sonora, mas não foi o suficiente pra me fazer chorar. Porém, um filme repleto de discussões, beijos, traições e frases do tipo "eu te amo não me deixe" sempre deixa meu coração meio besta. Mas me recupero.

Acho que deu por hoje.

Friday, 16 January 2009

Que vá embora

não dá, simplesmente não dá...
eu me incomodo sim, e a culpa é toda tua sempre sim porque teu jeito sempre, mas sempre, sempre e sempre me incomoda. não é ruim, é um incômodo que gera a ansiedade, esse teu cheiro que não sai da ponta do meu nariz como se eu ainda estivesse com a cabeça deitada no teu ombro, cheirando teu pescoço. simplesmente ñ é possível uma coisa dessas.
num dia tu convives com um monte de sentidos. olhares, tato, beijos que se confundem com o dom do olfato (o cheirinho dos teus cabelos e da tua pele boa) e o dom do tato, quando como nosso lábios começaram a explorar um ao outro, pisando tão lentamente em território desconhecido que pareciam ter se encontrado pra sempre.

mas agora é o outro lado. é lidar com palavras, com a saudade, ou pior do que isso, a ausência de palavras e a ausência de saudade.

o café esfria enquanto eu fico aqui tentando mentalizar todas as coisas que fiz de certo ou de errado, ou não fiz nada de errado e o problema é teu, só teu, o problema só pode ser tu. porque não tenho problemas, não, não desse tipo.

tá, agora eu não quero mais conversar... sai daqui...e leva junto essa tua pele boa... o fiozinho de cabelo fino e o olhar implicante.

Thursday, 15 January 2009

Eu nunca tinha reparado se tinha problemas com o teu cheiro ou não, mas acredito que a partir de um certo momento...sim, passou a ser problemática essa interação entre o teu perfume e os meus sentidos.

Não precisa estar muito perto e eu já sinto o aroma que nem consigo descrever, pois tudo mistura-se à imagem que tenho dos teus cabelos ao vento, os teus olhos, sempre piscando rápidos, atentos, olhos de águia.

E é como se todo mundo que passasse na rua, tivesse esse mesmo cheiro. Não, não és igual à todo mundo, mas eu te procuro em toda e cada esquina e parece que só esse aroma pode me levar lá.

Teus olhos vivos lembram a morte do meu coração que já não se sustenta mais. As tuas mãos que tanto criam, lembram o meu corpo já entorpecido, que nada sente. E os teus lábios que tanto (en)cantam já não me procuram mais, nem no escuro nem na meia-luz do luar.

E esse cheiro... ahhhh...

Hoje é dia de Freak!

Achei que ia acordar com uma baita "crise quase 30" mas não!

Tô achando legal ver o "age: 27" no Orkut, me sentindo mais madura, mais experiente, mais bem humorada, mais inteligente e mais melhor de tudo! (E humilde, claro!)

Happy birthday to me!

\o/

Wednesday, 14 January 2009

Seguro (im) perfeito

Eu não tenho medo de me perder no escuro
Porque ele sempre me observa
Espreita
Avisa que sempre
Sempre e
Sempre
Vai estar ali

Tuesday, 13 January 2009

(part) Ida

...sentiu, depois de muito tempo sem sentir, a vontade de tocar o fio da lâmina prateada na pele tão alva, mas tão alva, que deixava à mostra suas veias azuladas, por vezes esverdeadas...e sentiu que poderia voltar a querer partir...

Monday, 12 January 2009

O (t)eu lírico

Toma que essa é poesia é tua
Pega, sente, cheira, afaga
Abraça, observa e beija
A poesia é tua
Porque és pura poesia

É o teu lírico
É tudo em segunda pessoa
Do singular
Ah és muito singular!
Esse jeito que só tu tens!

É te, ti, contigo,
Você, pra sempre, teus
Teus versos
Te ver e te querer

É o teu lírico que faz
Cada frase se juntar
Que faz cada linha rimar
Até perder o ar

É o (t)eu lírico que faz
O mundo parar
A chuva chover
A grama crescer

A poesia é tua
Apenas lê
E lê.

Sunday, 11 January 2009

O domingo mais diferente do mundo

Pela primeira vez em semanas, abriu a janela do quarto antes das três da tarde. Os feixes de luz entrando pelos mínimos furinhos da janela incomodavam seus olhos, mas não o suficiente a ponto de espantar a vontade de pegar o sol pra si.

Levantou-se bem disposta, foi à cozinha, colocou um pouco de água na chaleira, para fazer um café bem forte. Ao ver seu pai, exclamou um "bom dia" com um sorriso no rosto, e foi ao banheiro escovar os dentes e encher seus poros de água, para que pudesse receber enfim, o dia de domingo.

O pai, perplexo, sabia que havia algo de errado. Ela nunca acordava antes do meio-dia. Ela nunca dava bom dia, sequer sorria, sequer falava quando saltava da cama. Essa menina... ela queria receber o dia pra si.

Começou a arrumar toda a bagunça do quarto, ao som de músicas não muito tristes, músicas razoavelmente alegres até, para uma pessoa que gostava de viver imersa em algo que muitos chamam de melancolia, mas ela só chamava de tristeza passageira pois sentia-se feliz o suficiente. Mesmo dobrando suas blusas ao ouvir The Smiths. É, ela sabia que era cada vez mais feliz.

Arrumou a cama, tão cuidadosamente, que até parecia que ia receber a visita de alguém importante. Não...aquele coração acabara de ser abandonado. Cortado em pedaços. Mas ela sorria. Só lhe restava sorrir porque a vida era ainda vida. E cheia de luz, e sol, e cheia ar. A vida era cheia.

Tirou o pó dos móveis, colocou uma roupa limpa. Nesse domingo, aposentou o pijama como uniforme oficial.

Saiu à tarde, sentou no banco da praça, observou as crianças brincando. Chorou um pouco, porque a vida sempre doía um pouco. Mas a vida dói igualmente pra todos. Sempre, sempre...

Voltou pra casa, colocou seus restos sobre a cama e dormiu.

Daquele dia em diante... ela estava ali, mas alguém havia ido embora. A metade que nunca fizera falta ou a metade que ela nunca encontrara antes?

Friday, 9 January 2009

Diretamente do mundo real

Eu sei todo o roteiro dessa história e sigo atuando como a pessoa que sempre vai chegar no final e se ralar. Então, me aposentei. Não quero mais brincar de tentar me apaixonar.

Thursday, 8 January 2009

Wednesday, 7 January 2009

Que seja algo

Às vezes me obrigo a pensar. Sei lá se por vontade, necessidade ou o quê, mas tenho que pensar em algo realmente RELEVANTE, saca?
Tipo, vida, entende? O que é a vida? Que diachos eu tô fazendo aqui? Será que Deus existe? Se pá, sim. Se pá, não. Não, eu acho que Deus não existe mesmo. Pelo menos não esse cara aí que todo mundo vive dizendo que tá lá sentado numa nuvem, prestes a punir os "pecadores". Algo existe, só não sei de que chamar.

A questão é que todo mundo precisa acreditar em alguma coisa. É aí que muitas vezes, crer no invisível é mais fácil. É místico, é cintilante, é brilhante. É sobrenatural, está além da razão e está ligado à imaginação e se imagino, tudo posso então tudo entendo ou nem preciso entender. As respostas não estão aqui.

Quando eu era mais nova, eu lembro que muitas vezes entrava numa Igreja qualquer e ficava lá um baita tempo, só olhando as coisas em volta. As imagens de santos e anjos. Não que eu me ajoelhasse e rezasse um Pai Nosso. Eu gostava do silêncio de lá. A minha vida foi sempre, mas sempre mesmo, tão boa e repleta de coisas boas. Só que quando eu tinha lá meus 15, 16 anos eu não conseguia ver isso. Estava tão imersa numa revolta sem fim de algo que eu nem sabia o que era, que deixei muita coisa passar. Senti muito ódio de pessoas que deveria ter amado mais naquela época. Bati com a cabeça na parede e me fiz sangrar, literalmente, me fiz sangrar. Eu não acreditava em nada, e precisava urgentemente acreditar em algo.

A questão é que só quem se acha auto-sufiente (com hífen porque eu o-di-ei a reforma ortográfica) pode se dar ao luxo de não acreditar em nada, em apenas ter aquela visão de revista científica, saca? Só esses.

Quem não se basta, procura o místico pra colorir a vida. E percebo que talvez eu seja assim... só pra não admitir explicitamente que acredito nesse meu coração e nessa minha capacidade de viver.

A vida é um troço muito afudê pra gente chamar de "droga de vida".

Tuesday, 6 January 2009

Não, meu corpo não pode suportar mais essa vontade incansável, necessidade advinda do nada de fazer poesia. Eu não preciso disso. Eu preciso de ar, água, comida, preciso de carinho, preciso do olhar, preciso pegar o ônibus pra chegar ao trabalho, preciso pagar o cartão de crédito. Poesia, não.

Preciso escutar música, preciso ouvir a tua voz, preciso olhar o teu retrato e sorrir, preciso olhar o teu retrato e chorar, preciso olhar o teu retrato e cantar. Poesia? Não!

Preciso arrumar a cama, preciso escovar os dentes e entrar logo pro chuveiro pra tomar aquele banho. Preciso ver televisão, preciso ler um livro, preciso ler um livro, ah como é bom ler um livro! Poesia, não.

Preciso conversar com a minha mãe, preciso conversar com meu pai, preciso abraçar o meu filho, preciso decidir qual o jeans que vou usar, preciso decidir qual a cor do meu all star. Poesia, não.

Preciso mandar um email, preciso fazer um telefonema urgentíssimo, preciso chegar a tempo em algum lugar, eu precisava de tanta coisa, eu preciso agora é sonhar. Poesia, não.

Preciso lembrar, preciso esquecer, preciso procurar uma palavra no dicionário, preciso ir na padaria, preciso me irritar, preciso sair correndo porta afora pra nunca mais voltar.

Eu preciso tanto. Tanto. Mas poesia? Hoje, não.

Olhos implicantes

Não sei por que
Teus pequenos olhos
Puxados e implicantes
Insistem em me fazer
Querer fazer poesia

É a canção que emana
De cada fio do teu cabelo
Que tem cheiro de lembrança
Tem tudo o que me encanta

E não peço nada além do teu silêncio
Nada além do teu sorriso
Nada além do que o olhar tímido
Nada além do teu pé batendo no meu

Quando te olho
A única coisa que enxergo é sonho
É doçura e desejo
Num misto de abraço bom
Com saudade passageira...

Friday, 2 January 2009

O preço do teu silêncio

É tarde da noite, nada pode ser ouvido além do vento uivando atrás das montanhas de areia, tão forte que esconde o som do mar que leva sonhos até a borda da praia e depois leva as mágoas de volta para o alto oceano.

Tudo está escuro mas é aqui que me encontro em meio ao amontoado de pensamentos em ti que restaram na minha mente. E tudo se confunde e a canção repete mil vezes até a tua voz ficar aqui internalizada.

Não sinto falta, nem raiva, nem anseio. O teu silêncio é bom, a tua amizade é conforto certo. Talvez seja isso que os meus olhos estejam esperando... um olhar profundo advindo dos teus, o selo maior de que aqui está a confiança necessária pra continuar.

Thursday, 1 January 2009

Primeiro post de janeiro

Sei que esse é blog que escrevo em português, mas só tenho uma coisinha a dizer aqui que resume bem toda a vida, função, sentimento e pensamento de um poeta.

"Only tears can take me to paradise..."

E é isso.


Que 2009 seja o suficientemente feliz pra me fazer querer viver e suficientemente triste pra me fazer escrever.