Tuesday, 6 January 2009

Não, meu corpo não pode suportar mais essa vontade incansável, necessidade advinda do nada de fazer poesia. Eu não preciso disso. Eu preciso de ar, água, comida, preciso de carinho, preciso do olhar, preciso pegar o ônibus pra chegar ao trabalho, preciso pagar o cartão de crédito. Poesia, não.

Preciso escutar música, preciso ouvir a tua voz, preciso olhar o teu retrato e sorrir, preciso olhar o teu retrato e chorar, preciso olhar o teu retrato e cantar. Poesia? Não!

Preciso arrumar a cama, preciso escovar os dentes e entrar logo pro chuveiro pra tomar aquele banho. Preciso ver televisão, preciso ler um livro, preciso ler um livro, ah como é bom ler um livro! Poesia, não.

Preciso conversar com a minha mãe, preciso conversar com meu pai, preciso abraçar o meu filho, preciso decidir qual o jeans que vou usar, preciso decidir qual a cor do meu all star. Poesia, não.

Preciso mandar um email, preciso fazer um telefonema urgentíssimo, preciso chegar a tempo em algum lugar, eu precisava de tanta coisa, eu preciso agora é sonhar. Poesia, não.

Preciso lembrar, preciso esquecer, preciso procurar uma palavra no dicionário, preciso ir na padaria, preciso me irritar, preciso sair correndo porta afora pra nunca mais voltar.

Eu preciso tanto. Tanto. Mas poesia? Hoje, não.

1 comment:

Leonardo said...

Lindo texto. De verdade.