Friday, 3 July 2009

tinha poeira, muita poeira no meu quarto
mas aquela crosta cinzenta de certa forma me protegia
das vozes agudas, das paredes geladas, dos toques insensíveis
eu não queria limpar, eu via sentido no vazio que ocasionava a poeira
eu via tanto sentido naquele aglomerado de partículas que era capaz de mantê-las ali pra sempre
mas alguém varreu a poeira
e não fui eu
alguém varreu a poeira pra longe. seria o vento?
oh, dúvida. agora, eu vejo o vazio, é um buraco, um vazio preto, mais feio que as cinzas

o abismo acaba comigo.

1 comment:

Giliard said...

Bem-vinda ao grupo, minha outra-metade-poética.