Friday, 1 May 2009

Summertime.

É com pesar que levanto minhas pálpebras em decorrência da luz do sol entrando sorrateiramente pelos furinhos da janela. Olho-me refletida em teu espelho partido. É repugnante, é nauseante o que sinto sobre mim mesma. Ali, novamente na tua cama. Puro sexo. Casual, bestial, irracional. Tão assim sem amor, sem carinho, sem rancor. Tudo por nada. 

Pego as peças jogadas no chão e saio porta a fora antes que sequer tenhas a capacidade de formar uma frase inteira para me perguntar qualquer coisa que seja. Não quero objeções, não, não naquela situação. Me expulso do teu quarto como uma Eva saindo do paraíso depois de morder a maçã.

As ruas estão cheias de gente correndo, mas estão nuas como eu me sinto nua quando saio tão abruptamente, é como se o mundo inteiro lesse na minha testa as coisas que fizemos, o que (mal) falamos, os nossos instintos nos guiando e eu juro a mim mesma que nunca voltarei  a ti. 

A noite da próxima semana chega, assim sem cerimônia alguma, arrebatando o coração, os sentidos e lá estamos nós novamente rolando nos teus lençóis, sujos lençóis de uma relação tão limpa que dá para enxergar o que se tem por detrás dela.

Sinto medo das consequências de tanto girar, girar, girar em torno desse centro tão nosso ainda que não saibamos descrever. Tu, pensando nela e eu pensando nele e eu e tu juntos.

A vida, é de certo a coisa mais complicada que existe. Só me resta cantar...

"One of these mornings
You're gonna rise, rise up singing,
You're gonna spread your wings, child,
And take, take to the sky,
Lord, the sky."

1 comment:

César said...

Gershwin, pela boca de Joplin diria: "Summertime, and the living is easy..." Nem sempre tão 'easy'.