Tuesday, 24 March 2009

Qualidade contestável

Poesia feita porque deu vontade. Não chamaria isso de inspiração, mas simplesmente de uma necessidade mecânica de dispor das palavras. Todos os dias eu nasço um pouquinho, mas morro um tanto mais.

Me deixastes algo no peito
E vez por outra pareço esquecer
Devaneio, não penso direito
Sinto que é preciso escrever

As palavras que procuro somem
Os versos que teço, empobrecidos
A música que ao longe ecoa
Denota um coração entorpecido

Tudo parece tão inútil
Na beira de um imenso abismo
Entrego-me à minha vida fútil
Enquanto continuas sozinho e com frio

Mas minha missão desconheço
Não sei se tenho minha consciência
No inverno iminente, pereço
Dizem os anjos tenha calma e paciência

Aperto os olhos em silêncio
O coração espreme dentro do peito
Mais uma noite, sei que venço
Afastada do teu leito.

1 comment:

Carlos Flies said...

Bravo Freak! Gosto de tuas poesias, dessa gostei em especial. Vc diz que não houve inspiração. Só imagino as jóias que não escreves quando inspirada...

Carlos.