Thursday, 5 February 2009

(m) Água Azul

É com tamanha minúcia que dobro essa colcha agora, coloco-a sobre a cama. Não tenho coragem de me atirar nesses lençóis pois eu posso até enxergar os arranhões no meu corpo. Posso ver os pulsos sangrando e lágrimas rolando. Eu vejo tudo isso.

Os dias estão passando e tudo aquilo que faço, do mais simples ao mais complexo é de forma muito evoluída metodologicamente falando. A quantidade de café posta na xícara, os movimentos circulares ao lavar a louça, o número de vezes que escovo os meus dentes. 

As músicas já não preenchem mais, os programas de televisão tornaram-se chatos... até umas 25 horas atrás eram deveras interessantes. Não mais o são. Os livros todos atiram palavras por todos os lados mas essas palavras não me pegam e então como se estivesse saindo de um estado letárgico me pego deitada na cama, agonizando de dor, secando as feridas com a colcha antes dobrada, agora manchada.

1 comment:

Rody Cáceres said...

Não sou crítico literário...mas pra mim isso é bastante original na forma...poesia em prosa? Fora a profundidade, a carga emocional...Não consigo comentar sem exagerar...parabéns...geralemnte não leio autores novos...mas isso é maravilhoso.