Sunday, 8 February 2009

Epifanias escabrosas

Parecia que agora, finalmente começava a entender exatamente o que estava passando ali dentro de si mesma, perdida em um mundo paralelo que não era outro mundo senão o seu próprio mundo, chamado também de realidade.

Quanto tempo restaria ainda para que mergulhasse ainda mais na inércia daquele poço fundo e escuro de mágoa, tristeza e sal? Não saberia responder, os dias estavam todos fora de contexto e de compasso. Não existia mais uma regularidade, antes existente, de seus movimentos e suas atitudes. As pessoas nunca pareceram grandes coisas aos seus olhos mas ainda assim  conseguia  tolerá-las por alguns instantes. As conversas desnecessárias na parada de ônibus às oito da manhã, os mal educados e suas conversas sobre a vida alheia em voz alta em estabelecimentos públicos, aquilo sempre a incomodara mas agora? Não mais valeria a pena incomodar-se com tamanhos pormenores. A vida, ah, a vida. 

Carregava um peso assombroso toda vez que respirava, e quando liberava o dióxido de carbono não sentia-se mais leve, de forma alguma, como alguém sentiria-se melhor só por isso? Existem coisas que nem as reações químicas podem explicar nesse mundo.

Quanto tempo mais iria demorar para alguém vir colocá-la em lugar seguro, secar suas feridas, afagar sua cabeça e dizer que tudo iria ficar bem? Quanto tempo mais? A eternidade parece dar espaço para toda essa constatação absurda. 


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