Tuesday, 8 July 2008

Enfim, trevas...

Sei lá...tô aqui escutando um Pink Floyd. Tô tri bem mas fiquei refletindo muito sobre uma conversa via msn e via Orkut que tive com um amigo meu cujo nome não preciso comentar, só posso afirmar que é um grande amigo. E ele anda beeem depre. Achando que a vida não vale a pena, sentindo o peso da solidão.
Aí que comecei a pensar nisso. O quanto estar com alguém é importante pra gente mesmo que digamos que não. Que tá tudo bem e que "eu me amo, eu me amo". Eu nunca havia o visto em tamanha depressão. Nunca mesmo. E olha que antigamente era eu quem batia na janelinha emiéssiênica dele pra pedir conselhos e dizer que a vida tava uma droga e que se a vida não melhorasse em 10 segundos eu ia me atirar do nono andar do prédio mais próximo. Pelo menos um prédio que tivesse pelo menos 10 andares...a solidão destrói mas nem sempre ela está sozinha. Geralmente a solidão está no que tá cheio. Lugares cheios de pessoas, pessoas cheias de vida, vidas cheias de coisas, coisas cheias de sentido, sentimentos cheios de...sentimentos. O que é necessário pra que possamos nos sentir vivos? Não sei. Fica difícil dar-lhe conselhos uma vez que há muito não toco sequer na metade do poço. Porém, uma coisa é inegável: chegar ao fundo do poço é essencial para percebermos o quanto não queremos estar lá.
O que será que buscamos em outra pessoa que não podemos ter sozinhos? Essa sempre foi uma indagação minha. Sei lá. Sempre pensei que tava procurando alguém que me protegesse, sei lá, me desse um pouco de carinho ou os cambal. Depois que chutei o balde e resolvi desfazer todos os conceitos que eu tinha sobre tudo é que me apareceu o que tenho por certo hoje. E é impressionante como veio pra quebrar tudo o que eu pensava antes. Sobre amor, sobre destino, sobre pessoas...foi como um tapa na cara. Foi como um nunca duvide do que pode acontecer.
Eu disse para o meu amigo...a tua menina tá por aí, vai caminhando que uma hora tu olha pro lado e encontra ela. Ele, impaciente, fica muito de cara e parece não querer escutar mais nada. E é assim que agimos diante da vida. Porém, seguimos. O que fazer da vida quando ela fica tão árdua de ser vivida?



Vira volta toda vida
Num redemoinho sem fim
Vai tempestade
Vai trovoada
Afastar toda a dor de mim

Não passo de um acaso
Um erro, jogado
Fracassado
Um indigente sem nome
Um morto, uma sombra
Um ninguém que na multidão some

O meu choro não cai
As lágrimas são de pedra
Chove chuva não
Chove treva
Chove tristeza nessa fria terra

Seca o coração
Volta a vida nessa roda viva
Eu vivo, caio, repito
Levanto e admito
Sou o fruto do espinho profundo
Que tanto me fez sofrer.

2 comments:

Leonardo said...

Eu estava me sentindo mais ou menos assim um tempinho atrás. Aí minha irmã me fez ver que o problema não era os outros, mas eu mesmo. Temos que mudar a nosssa própria atitude. Pensar positivo, e aí as coisas mais cedo ou mais tarde acontecem. Pra me ajudar a ver isso, ela me mostrou uma música da Gal Costa, que é mais bonita de se escutar que de se ler, mas que também é bonita de ler. A composição é de Roberto e Erasmo e a música se chama "Recomeçar", do disco "Gal Costa" de 1969:

Não sei porque razão eu sofro tanto em minha vida
A minha alegria é uma coisa tão fingida
A felicidade já é coisa esquecida
Mas agora vou recomeçar

Não vou ser mais triste
Vou mudar daqui pra frente
E a minha escrita vai ser muito diferente
A filosofia vou mudar em minha mente
Pois agora eu vou recomeçar

Quero amor e quero amar
Quero a vida aproveitar
Talvez até arranje alguém
Alguém que eu possa acreditar
Pois agora eu vou recomeçar
E daqui pra frente eu vou mudar

José Antonio Klaes Roig said...

Oi, Su. Pois é, nosso amigo está numa fase, que um dia todos passam... E até mesmos essa trevas passam... Não tem outro jeito. Já dizia um aforismo que "não há remédio que cure se o doente não quiser se curar". Sigo as palavras do Leonardo ai. Nem sempre os problemas são os outros, ás vezes nascem dentro de nós, e só nós e que temos que encontrar a saída pro abismo que nos jogamos. Mas tudo passa. Já diz a sabedoria popular que "não há mal que sempre dure". Ele vai superar, e amadurecer junto. Torço por ele, que é um grande amigo tb, e que tem talento e vai seguir em frente, como todos nós... Bonito poema também. Abrs, Zé.