Wednesday, 7 October 2009

Insônia

O poeta é um ser híbrido. Um enganador, um fingidor de si, para si e para todo o resto.
[O poeta] tem nas mãos as chaves das portas do céu e do inferno, é ser e sumir, é existir e morrer (mais morrer que existir).
Universaliza o grão de areia, maximiza as flores do jardim, o poeta é lente que tudo distorce, nada perdoa, mas tudo é sincero.
É multiracial em sua singularidade, não compreende por vezes o eu lírico, o você lírico, nós e nossos lirismos.
Não tem propósito nenhum na vida, aliás vive dos regressos ao passado que o feriu e de viagens imaginárias ao futuro que nasce morrendo. Não pensa demais para evitar as dores fortes da mente porque viver para um poeta, pesa.
O poeta não dorme. O poeta ama, mas ama tão intensa e visceralmente que não consegue mais inventar metáforas (nem fugir da poesia quando o sono lhe é caro). O poeta jaz pálido, caído na calçada porque a única coisa que vivia em vida era a tal da poesia.


7/10/09, 02:09 am.


5 comments:

Delírios Cotidianos said...

Olha, não sei se foi conincidência ou o velho e bom transmimento de pensação, mas logo após ler a frase do saudoso Pessoa que dizia: "Ser poeta não é uma ambição minha/É a minha maneira de estar sozinho", eu resolvi escrever swobre o que é ser poeta, e de fato escrevi.

E me foi espantoso bater os olhos nesse teu escrito, que fala mais ou menos o que escrevi, porém com mais sensibilidade.

As vezes me espanto com o estado de espírito das pessoas, em momentos tão parecido com o meu...

Phyhernandes said...

Por incrível que pareça tinha escrito um poema sobre a insônia esses dias. De certa forma o escrevi por não conseguir dormir de tantas idéias em minha cabeça...
Na real até me deu outra inspiração esse teu texto. Vou escrever agora.
Abração
É sempre muito instigante passar para ver teus escritos.
Abração

Thaís Nogueira (Nógue) said...

Bonito de mais!E só sendo muito ser sensível pra escrever algo assim...

Ian Lehmann said...

*quanto ao sono*

"não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita no topo fantasma da torre de vigia, nem a simulação de se afundar no sono, nem dormir deveras..."
(Adriana Calcanhoto - A Fábrica do Poema)

Paulo Olmedo said...

mi mi mi sensibilidade my ass, baita pieguice :P

esse negócio de ser poeta é até meio coisa de viado