Monday, 13 April 2009

Existe meia dúzia de gente nesse mundo com as quais eu poderia falar durante horas sobre todas essas coisas que sinto e não sei de onde elas surgem. Mas eis que tu chegas me entendendo. Sem saber que entendes. Tu... com esses olhos transparentes, olhos de vidro. Desconheço-te do fio de cabelo à alma, anseio para saber quem és. Acordo cedo pela manhã, ajeito meu cabelo. Olho para cada vulto na esquina, qualquer um poderia ser você.

Na fila do banco...
Na parada do ônibus...
No corredor vazio,
Ou até mesmo no movimentado...
Poderia ser você.

Sinto tanto a tua falta. Quando a noite me traz um peso extra para que eu carregue. O Caio sempre tenta me ajudar. Ele me diz que tudo há de ser doce e para deixar o barquinho navegar a deus dará, será que dá? Eu confio nele mas as linhas apertam-se todas em meu peito. Não sei qual desfecho isso terá.

Tenho medo de não reconhecer o toque de tua mão, de ficar indiferente ao olhar do teu olhar, medo de calar quando me dirigires a palavra. Tudo o que sou, tudo o que me tornei foi medo. Medo sim. Porque durante muito tempo eu quis criar a tua face em todos os muros, todas as capas de caderno.

E agora existes assim. Invisível. Só consigo sentir a ti... esvaziando cada vez mais o abismo de meu peito. 

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