Tuesday, 10 March 2009

Poetar porque te quero (a) mar.

Ah se tivesses conhecimento
Da alegria que contento
De (só) te ver chegar aqui
(Só) me é permitido sorrir

E com minha mão invisível
Teu rosto lindo afago
Retiro teus olhos dos escombros
Te prendo a meu corpo e não largo


Eu peço tuas palavras
E por vezes pareço escutá-las
Minha pele é pregada na carne
Pois ao sinal do teu perfume
Ela cai, amortalhada...

Aperto o papel contra o peito
Papel que contém teu versos
Versos que (só para ti) na madrugada teço
Pensas que não te entendo direito
Porém através de ti me reconheço

Teu rosto é um retroflexo
Batendo em um espelho convexo
Posso por vezes te deixar perplexo
Com minhas estrofes sem nexo

E dentro de teu peito aberto
Com feridas e mentiras imaginas
Será que posso confiar mesmo um amor
À essa poeta que me vê e se alucina?

O tempo é algo a relativar
Podes achar exagero ou até mesmo abuso
Busco desfazer a corda a te apertar
E do teu corpo inteiro fazer uso

Suplico aos céus
Tampouco em um deus eu creio
Que tire do teu coração o fel
E prenda-me em tuas rimas que leio.

2 comments:

Silvana Bronze said...

"Teu rosto é um retroflexo
Batendo em um espelho convexo
Posso por vezes te deixar perplexo
Com minhas estrofes sem nexo."
Puts véia que belo arranjo de palavras. Gostei do poema todo, mas especialmente dessa estrófe.

Mel said...

Maravilhoso!
Como sempre!