Tuesday, 10 March 2009

Ao anjo caído

me colocas nua em cada estrofe
para vestir-me em um verso iminente
eu te coloco em cima da minha cama
dentre meus dedos
para declamar as tuas rimas
me fascina, me ilumina decadente

eu também já fui ferida
fui pisada, maltratada, desbravada
mas estou aqui
de coração aberto
te querendo perto
para construir nova caminhada, ou nada
incerto

e sabes que algo me causas
pois meu arrepio não contemplas
mas minhas poesias afagas
e sei que às palavras sutis
te atentas
e tentas

eu disfarço no meu olhar
toda vez que te tenho frente à mim
eu extasio, suspiro e transpiro
é um crime manter-me assim

não tenho muita coisa nessa vida
tenho um lápis, um caderno e a poesia
mas folhas nunca seriam preenchidas
se teu pranto não me causasse agonia

e eu repito, insisto, incito, o que seja
choro contigo
contigo irei sorrir
para a cura da dor que almejas
começa em mim
eu te mostro onde ir.

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