Tuesday, 10 February 2009

Madrugadas insanas #4

Bem, agora somos duas aqui. Eu e a chuva. Não, não tem música tocando no player não. Sou apenas eu, com a chuva lá fora. Na medida certa. Nem calma nem furiosa demais. Apenas chuva, fazendo aquilo o que sabe fazer de melhor: chover.

Mas não são essas gotas que me inspiram a escrever, embora eu deva admitir que o som delas batendo no telhado e até mesmo caindo no chão, é algo deveras maravilhoso. Porém ainda não é isso que me motiva a escrever. 

Confesso que não é fácil, hoje depois de muito tempo, alguns dias na verdade, eu não peguei o teu corpo para inspiração. Se eu aqui mencionar olhos...não são os teus. Se eu ousar falar em cabelos...também não me refiro aos teus fios finos. Se por acaso surgir menção a uma boca desenhada, não...não é a tua. 

Não é que tenha aparecido uma nova pessoa na minha vida. Tu sabes como as coisas são, as pessoas não aparecem assim do nada com rapidez de luz para que outras sejam substituídas. Eu apenas...peguei ele um pouquinho emprestado sabe? Para que essa metade de mim que anda tão picotada pudesse ainda unir as palavras e formar frases para assim atingir seu estado de magnitude, sucesso pleno. É assim que a minha alma está sentindo-se nesse exato momento. É algo meio metafísico. Metapoético, metasarcástico! Como é bom inventar palavras, assim como é ótimo pegar musos inspiradores para fazer nossa prosa. Ah, não, desculpe, essa prosa não é mais nossa. A prosa é minha. Minha e do menino que contemplei a fim de ser hoje o meu objeto de estudo, a minha fonte de inspiração, o corpo de observação.

É por ele e para ele que eu vou  tecer cada linha, cada comentário e se a minha boca tiver sede de um beijo é na boca dele que eu me fartaria de tanto beijar. Não existe mais nada nosso aqui, e isso serve apenas para tranquilizar-te. 

A chuva aos poucos vai calando aqui dentro de mim. Lá fora, segue o turbilhão ora calmo, ora agitado. Mas aqui dentro, tudo volta ao seu devido lugar. E eu provo que eu quero. Eu busco aquilo que eu quero, nem que seja a poesia nos olhos de um muso inventado. 

3 comments:

César said...

"[...]Como é bom inventar palavras, assim como é ótimo pegar musos inspiradores para fazer nossa prosa. [...]" ('by Freak') Gosto dessa idéia, de poetar, livre, idealizações, sem um compromisso pesado entre a linguagem formal e a poética, entre o 'eu real' e o, como dizes, 'eu lírico', relação que as pessoas estão sempre a tentar estabelecer (saco isso!), por desconhecerem que mesmo aquele que escreve não tem a exata dimensão dessa correspondência, ao contrário, procura-a através do texto. Curti muito o 'grand finale', ápice dessa idéia, quando dizes: " [...] Eu busco aquilo que eu quero, nem que seja a poesia nos olhos de um muso inventado. [...]. Afu! Lembranças a vcs., à incansável "Freak" e à chuva, que ainda não se esqueceu de chover.

Mr. Rickes said...

Chuva+Amor+Uma Ótima Escritora = Madrugadas Insanas 4.


Sem palavras!!!

0/

Rody Cáceres said...

lindo...simplesmente lindo...