Tuesday, 3 February 2009

Enfim, o encontro

Eu fiquei sentada no banquinho acho que uns 5 minutos, o clima estava agradável até. O vento levava meus cabelos mas não deixava com que os mesmos ficassem bagunçados. Estava tudo legal, sob controle, me sentia em uma propaganda de xampu, com aquele monte de cabelo voando, voando. 
Então ele me liga e diz que vai demorar só uns minutinhos mas que já está chegando. Aí sim, começa toda uma revolução interna que desperta o nervosismo. É claro que tenho motivos pra estar nervosa. É o dia de colocar os pingos nos is, o acerto de contas, o juízo final da nossa historinha com probleminhas de continuidade. Mas tudo vai ficar bem, já não tenho mais 15 anos, então tudo vai ficar bem.
Olho no relógio, não por ansiedade mas é mais por costume mesmo, saca? É. Saca.
Olhando para o chão, batendo meus dois pés feito criança, me pego distraída. De certa forma já sinto tudo antes da chegada dele. Pois sei que cheiro ele tem. Sei o que vou sentir quando a gente se abraçar. Sei como vou me arrepiar toda só com a voz dele perto do meu ouvido. Eu sei de tudo isso.
Olho para a esquerda e avisto-o ao longe. Desvio o olhar novamente, olho para o chão e sinto os meus lábios sorrindo e penso o quanto ele tem o dom de me fazer incrivelmente viva nem que seja só pra escrever essas linhas. É, ele me faz.
"Oi?". "Oi". "Que saudade, quanto tempo". E ele está ali, parado na minha frente. Sorri (aquele sorriso sem mostrar os dentes) e logo senta ao meu lado. Falamos sobre obviedades, sobre coisas do tipo o-que-tens-feito-da-vida ou hoje-o-clima-está-agradável. Só que é claro que ele sabia que havia algo de errado comigo. Eis que eu tomo coragem. Pego a mão dele e então o encaro.
(Pensamentos que ocorrem) Não há de ser tão difícil. Olha pra esse rosto! Ele seria incapaz de me fazer mal mesmo que tivesse vontade! Seja sim, ou seja não, ele não vai me causar dano.
Bem, ele olha, curioso pra minha mão, aperta-a e em seguida me fita de volta. O impacto chega a tremer minhas pupilas. Whatever, eu preciso continuar.
A questão é que, eu não sei se tu tens reparado mas é que eu não sei né, pode ser que eu esteja totalmente enganada, e quem disse, eu posso estar, não? Mas é que eu não vou conseguir deixar que fiques parado na esquina sem antes te dizer que... Bom, deves estar pensando do que eu tô falando mas a realidade é que quando eu abro os olhos pela manhã eu penso em ti e que seria legal se vez por outra eu abrisse os olhos e tu estivesses do meu lado, assim só pra sorrir pra mim e me dar bom dia. Não sempre, só de tempo em tempo. Talvez um abraço apertado pela manhã caísse bem também, tem gente que acorda de mau-humor mas é, não sei. Ok, estou sendo ridícula e me sinto ansiosa e nervosa. 

Mas a questão é que. A questão é. (Nessa hora me faltam palavras, ele me olha impaciente como quem diz "tá, e aí, vais falar ou não?" e isso me deixa mais apreensiva)

Ele me dá um abraço. Meus olhos quase saem de suas órbitas, meu corpo chacoalha todo, eu demoro a assimilar tudo porque uma coisa é falar com ele e outra coisa bem diferente é entrar nesse contato físico tão inesperado.

Afasto-me rapidamente e retomo a oratória. Pois bem, a questão é que eu não paro de pensar em ti e eu acredito que duas pessoas quando têm tudo a ver elas têm que ficar juntas. Essa é a ordem natural das coisas. É o que eu vejo nos filmes, tá, sei que tudo é ficção ali mas puxa, eu penso que...a gente tem que viver, viver, e quando a gente tá nessas assim, confuso, é legal ter alguém pra dividir os passos aqui do lado. Caber num abraço e sentir que o mundo todo não oferece medo, nada pode deter. Eu tenho certeza que eu não te amo, tá eu gosto de ti, mas não é aquele amor que todo mundo 'morre por' mas eu me atreveria a dizer que nos últimos tempos a coisa mais próxima que tive de sentir isso foi por ti. E é isso que me empurra até esse exato momento. Quando a gente pressente que existe um sentimento bom em relação a alguém a gente não pode simplesmente dizer tchau-eu-não-vou-arriscar. 

Eu não posso te deixar dobrar a esquina. Eu não posso. Tudo bem se tu quiseres ir embora, não posso te obrigar. Mas olha aqui dentro do meu olho. Estás olhando nada mais nada menos do que pra toda essa que tá na tua frente só querendo arriscar um pouco. Eu vou seguir o meu caminho, e tu? Tu não vais dobrar a esquina, irás?


ps: eu tinha esquecido que hoje era dia 3 e era dia de postar a parte final hehehe

2 comments:

Rody Cáceres said...

Olá garota...o sarau ficou acertado assim...dia 07/03...no estúdio beer a partir das 20:00hs queres participar...

Mr. Rickes said...

Suellen!!! Cara se tu encarar o muso assim sozinha, sou teu fã. Eu já prefiro no meio de multidão. De um jeito que eu não possa mais voltar atras.

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