Tuesday, 25 January 2011

Dispersa no tempo e espaço

Difícil mensurar os dias que tenho sido assim tão crua. É, tipo carne ao livre esperando por um calor vindo do sol ou do mormaço das cidades. Baixa pressão, umidade alta, abafamento, os olhos se apagam, desmaio então.

Tenho tentado, de um jeito desajeitado, descobrir respostas para as minhas perguntas. Há muito que me enxergo insensata, insegura, indefinível, desalmada. Junte todos os prefixos que sirvam pra negar... é nisso que acabei me transformando. Quem me fez assim, afinal?

O tempo é traiçoeiro. Não pelas marcas que deixa em nosso rosto, isso não. No fundinho, todos querem ter rugas. Melhor do que morrer na metade do percurso, sem ter a oportunidade de fechar os olhos e medir com todas as forças cada momento. O tempo fere porque passa muito rápido e a gente só vê o relógio, não o tempo em si. Não podemos segurá-lo a não ser quando nosso tédio conta cada segundo e nos faz ter a impressão de que sim! conseguimos, o tempo parou.

Por outro lado, gosto dessa capacidade de evaporação do tempo. É sim. Tem épocas da minha vida que foram totalmente apagadas da minha memória. A única coisa que restou foi o aprendizado e um pouco de medo quando penso que ainda poderia ser aquela de lá, daquele ano lá.

O que será necessário para que se diga tranquilamente, lá no topo da vida: vivi! (com uma exclamação ao final. temo uma interrogação nessas alturas do campeonato.)

1 comment:

Jaime A. said...

O tempo em que estamos imersos deixa-nos, muitas vezes, atónitos, angustiados...

Mas, como diz, chegar a um ponto da vida e poder dizer: vivi!
Gostei muito da lucidez do seu texto.