Friday, 13 March 2009

Sangrar.

Me colocas envolta em correntes em um canto da sala, enquanto bem no centro do aposento você caminha de um lado para o outro pensando, analisando friamente toda e cada situação. Porque sofrer te mantém mas em contrapartida sofrer é ruim e tu não queres o ruim, right?

Já estou fraca demais para articular qualquer palavra sensata, o que ouves são grunhidos, gemidos, o som das correntes arrastando no chão e o movimentar de meus pulsos friccionando-se uns nos outros. E a vermelhidão do sangue que começa a jorrar de minhas entranhas é real. Tu observas esse auto -flagelo real se formar na tua frente, mas nada fazes.

Sofres. Sim, sofres muito. Sofrer é a essência, sofrer é o buscar pela filosofia, pelas respostas que até hoje não encontramos e você tem que acreditar em mim, sempre sofri. Até mesmo quando (sobre) vivia em liberdade. Tu tens sido o mesmo para mim  e já fazem uns 60 dias que te pego e te imagino assim.

Tu eras apenas mais um ser complexo que eu poderia estudar através das tuas próprias linhas. Eu poderia analisar teu eu-lírico, poderia estudar a tua simbologia mas isso não aconteceu. És um paradoxo meu caro e estimado menino que cai. Mas estamos aqui, eu e tu na mesma sala. A diferença é que a chave das correntes está na tua pequena mão.

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