tenho a madrugada dentro de mim. a noite, obscura, guardada lá no submundo do meu poço sem fundo. nem os copos vazios, apenas com a tintura do vinho tinto fazem com que a minha cabeça gire, gire muito. tudo parou sabes? não por ti, não por mim mas por tudo que parou no tempo junto. conversei com a tua irmã esses dias, ela disse que tu andavas bem deprimido. mas faz parte, a gente escolheu assim né? eu não me sinto culpada pelas coisas que fiz. todos os beijos que te concedi e os afagos que nos permiti foram todos de boa intenção. nunca te prendi nas amarras inexistentes do meu ser. e de certa forma, sabes disso, jogas muito com a minha confusão.
e eu? eu não.
Thursday, 30 April 2009
Me (parte)
ama
chama
enaltece
preenche
(nem que seja do teu vazio rotineiro)
chama
enaltece
preenche
(nem que seja do teu vazio rotineiro)
Monday, 27 April 2009
Me (eterna)
abraça
afaga
puxa
estraga
(até virar do avesso ou mostra-me o caminho que desconheço)
afaga
puxa
estraga
(até virar do avesso ou mostra-me o caminho que desconheço)
Friday, 24 April 2009
Me 2
alucina
fascina
ensina
ilumina
(até não querer mais)
(ou querer muito, muito mais)
fascina
ensina
ilumina
(até não querer mais)
(ou querer muito, muito mais)
Wednesday, 22 April 2009
Nublando
Eu poderia ter soltado a tua mão quando, no meu imaginário, estavas à beira de um precipício. Lá embaixo só haviam gritos, dor, desafeto, escuridão e perigo. Junto a mim, sofrias mais? Eu não saberia dizer. Mas ter a tua sombra aqui por perto sempre foi algo que me fez um tanto quanto feliz. Aquela velha história de ter um motivo maior para acordar todos os dias e encarar o dia, saca?
Nem tenho me atrevido a conversar mentalmente contigo porque de alguma forma eu acredito que tu nunca deves ter pensado seriamente sobre isso mesmo que essa coisa toda ocorresse só na minha cabeça.
Um longo tempo (é, acho que longo sim, alguns dias, ah não, semanas, semanas certamente) passou e eu nem lembrava mais como era parar de respirar quando te via ou sentir as pernas bambas só ao encostar meus lábios nas maçãs do teu rosto. Mas a questão é que tu retornastes, sem querer, mas voltastes. Eu não almejo nada, sigo aqui na minha conchinha fechada, tecendo versos e formando pérolas.
Ainda assim, nada supera o desejo de estar envolta apenas pelo teu abraço.
Nem tenho me atrevido a conversar mentalmente contigo porque de alguma forma eu acredito que tu nunca deves ter pensado seriamente sobre isso mesmo que essa coisa toda ocorresse só na minha cabeça.
Um longo tempo (é, acho que longo sim, alguns dias, ah não, semanas, semanas certamente) passou e eu nem lembrava mais como era parar de respirar quando te via ou sentir as pernas bambas só ao encostar meus lábios nas maçãs do teu rosto. Mas a questão é que tu retornastes, sem querer, mas voltastes. Eu não almejo nada, sigo aqui na minha conchinha fechada, tecendo versos e formando pérolas.
Ainda assim, nada supera o desejo de estar envolta apenas pelo teu abraço.
Me
envolve
comove
absorve
devolve
(a minha razão de ser)
absorve
devolve
(a minha razão de ser)
pacientemente
tenho fugido muito
para o longe do meu sem rumo
esperando a confirmação
precipício é essa paixão
me comoves com teus olhos
que pequenos me fazem simples pedidos
tua pele, é meu ar, meu devaneio
sigo em prantos e encantos me iludindo
não há onde nesse mundo
procure! te desafio!
meu amor que é teu, tão profundo
aquece o teu pensar tão sombrio
e pacientemente espero que a chuva
possa tranquilamente cursar seu chover
o sofrimento, o choro já passou
meu príncipe, um dia tu hás de ser.
para o longe do meu sem rumo
esperando a confirmação
precipício é essa paixão
me comoves com teus olhos
que pequenos me fazem simples pedidos
tua pele, é meu ar, meu devaneio
sigo em prantos e encantos me iludindo
não há onde nesse mundo
procure! te desafio!
meu amor que é teu, tão profundo
aquece o teu pensar tão sombrio
e pacientemente espero que a chuva
possa tranquilamente cursar seu chover
o sofrimento, o choro já passou
meu príncipe, um dia tu hás de ser.
Monday, 20 April 2009
...e no meio daquela noite estrelada, vazia de certa forma se estivéssemos lúcidos o bastante, me encantava na medida em que tu entravas e saías da minha mente, da minha pele, do meu querer, meu saber e sofrer, tu conseguiu mandar para longe mas não, não por muito tempo.
As portas das casas batiam e eu sabia também que o mundo lá fora estava ansioso, nervoso, pedindo por algo. Mas o que?
Me perdi por entre tuas mãos e minhas mãos perderam-se nos teus caminhos também e não estávamos mais dispostos a pensar no que seria racional no momento.
E o day after? É sempre difícil. É sempre uma incógnita. Mas minha amiga, já acostumei-me. Aproveitei-me do frio da atmosfera e me pus a andar, para longe dos domínios do que as pessoas costumam chamar de amor.
Thursday, 16 April 2009
Raio de sol
Ah, tu meu raio lindo de sol
Minha pausa na frase longa
Meu suspiro no final do dia fatídico
Meu espaço imenso, sideral
Teu sorriso antes miúdo
Hoje já tomou forma de adulto
Aos poucos vais indo embora
Do meu lado
Incrível e intenso raio de sol
Que por vezes bradei não entender
Como era imenso o meu sofrer
Só por não conhecer como te conhecer
O meu ombro, quase já alcanças
Já expressas com teu sorriso
A capacidade do teu amor
Meu rei, meu sol, minha criança
Minha pausa na frase longa
Meu suspiro no final do dia fatídico
Meu espaço imenso, sideral
Teu sorriso antes miúdo
Hoje já tomou forma de adulto
Aos poucos vais indo embora
Do meu lado
Incrível e intenso raio de sol
Que por vezes bradei não entender
Como era imenso o meu sofrer
Só por não conhecer como te conhecer
O meu ombro, quase já alcanças
Já expressas com teu sorriso
A capacidade do teu amor
Meu rei, meu sol, minha criança
ps: poesia escrita para o meu anjinho inspirador, meu RYAN de sol.
Wednesday, 15 April 2009
Madrugadas Insanas #11
A noite, que por tantas vezes colocou-me chorando para dormir no meu travesseiro de duras penas de vida sofrida, hoje me acalentou. Trouxe teu semblante de anjo, passo suave, dobrando no corredor. E como poderia eu, mera submissa, mera escrava do teu sorriso e do teu olhar deixar com que esses detalhes expirassem assim pelo ar? Contemplei e não poupei sorrisos. Falei e não poupei olhares. Toquei e não poupei carinho. E cada piscada de olho que eu dava era como se eu estivesse conversando coisas além contigo. Nada daquilo que estávamos falando, não! É...bem sabes que não era aquela conversa que estávamos tendo. Era meu queixo apoiado nas mãos enquanto observava teu sorridente semblante ao comentar coisas que nem sabias o motivo de dar tamanha importância mas falavas e eu simplesmente rendia-me a algo que um dia já tivera ido embora. Mas trouxeste contigo, debaixo do teu braço, envolto nos teus dedinhos que tanto me encantam. Trouxestes ali, invisivelmente embrulhadinho... o meu amar, o meu por ti querer...
Tuesday, 14 April 2009
Sei quem sou?
Eu sou a insana
Espalhada em teus brancos lençóis.
Espalhada em teus brancos lençóis.
Ao menor sinal do teu manuscrever, minha respiração acelera
Com a pena em punho e o papel exposto te calas
Pela madrugada insana, insanamente fazes a arte
Enquanto meu coração te espera na janela
Em um ímpeto de raiva brado aos quatro cantos
Não quero ser escrava do teu amor que não me dás
Termino minha lua vazia em prantos
Cada dia é mais certo da minha vida sumirás
Levantas os teus olhos um minuto
Com o cenho franzido de sempre
Tua rejeição sempre fora insulto
Mas agora ages reciprocamente
Onde guardarás a poesia minha?
Aquela na qual me desenharás tua na linha?
Aquela que não me dirás que nada mereces
Aquela na qual deixarei de estar sozinha?
Entrarás correndo pela minha boca
Procurando todo o tempo perdido
No meu corpo as marcas dessa paixão rouca
Gritando que há tempos já poderia ter acontecido
Coloque o ponto final
Nesse teu sorrir sem brilho
Saia logo do abismo visceral
Escreve, toma-me a alma
Sai desse exílio
Com a pena em punho e o papel exposto te calas
Pela madrugada insana, insanamente fazes a arte
Enquanto meu coração te espera na janela
Em um ímpeto de raiva brado aos quatro cantos
Não quero ser escrava do teu amor que não me dás
Termino minha lua vazia em prantos
Cada dia é mais certo da minha vida sumirás
Levantas os teus olhos um minuto
Com o cenho franzido de sempre
Tua rejeição sempre fora insulto
Mas agora ages reciprocamente
Onde guardarás a poesia minha?
Aquela na qual me desenharás tua na linha?
Aquela que não me dirás que nada mereces
Aquela na qual deixarei de estar sozinha?
Entrarás correndo pela minha boca
Procurando todo o tempo perdido
No meu corpo as marcas dessa paixão rouca
Gritando que há tempos já poderia ter acontecido
Coloque o ponto final
Nesse teu sorrir sem brilho
Saia logo do abismo visceral
Escreve, toma-me a alma
Sai desse exílio
Central.
Tem dias que eu simplesmente nem me esforço
Largo os olhos ao céu e choro
Um pranto falido, fingido quem dera fosse
A lacuna do peito ferido por aquele que adoro
Envolta no véu da escuridão da madrugada
Invento cantigas a fim de me ninar
Entre os pedaços de mim, desesperada
Até o dia dessa dor lascinante terminar
Enquanto o pranto me torna leve
Na medida do que se pode ser
Nos versos de amor tento ser breve
Esperando o amor (que não existe) morrer.
Monday, 13 April 2009
Existe meia dúzia de gente nesse mundo com as quais eu poderia falar durante horas sobre todas essas coisas que sinto e não sei de onde elas surgem. Mas eis que tu chegas me entendendo. Sem saber que entendes. Tu... com esses olhos transparentes, olhos de vidro. Desconheço-te do fio de cabelo à alma, anseio para saber quem és. Acordo cedo pela manhã, ajeito meu cabelo. Olho para cada vulto na esquina, qualquer um poderia ser você.
Na fila do banco...
Na parada do ônibus...
No corredor vazio,
Ou até mesmo no movimentado...
Poderia ser você.
Sinto tanto a tua falta. Quando a noite me traz um peso extra para que eu carregue. O Caio sempre tenta me ajudar. Ele me diz que tudo há de ser doce e para deixar o barquinho navegar a deus dará, será que dá? Eu confio nele mas as linhas apertam-se todas em meu peito. Não sei qual desfecho isso terá.
Tenho medo de não reconhecer o toque de tua mão, de ficar indiferente ao olhar do teu olhar, medo de calar quando me dirigires a palavra. Tudo o que sou, tudo o que me tornei foi medo. Medo sim. Porque durante muito tempo eu quis criar a tua face em todos os muros, todas as capas de caderno.
E agora existes assim. Invisível. Só consigo sentir a ti... esvaziando cada vez mais o abismo de meu peito.
(Saint)ânia
Furtivamente saio à caça de teu algoz
Suspiros que mando de tão longe
Encontram na tua carne
A morada de minha voz
Justapostos. Ofegantes.
Expostos. Extasiados.
Na minh'alma é vinho que escorre
Delirante.
O teu desejo? Eu mato.
Absoluto...o meu desejo morre.
E minhas mãos haverão de encontrar
Forma de trazer para perto o que preciso
Lembre nos mais diversos momentos
Mora em mim, o teu vício
Vive em mim
O teu tormento.
(tua) Satania [re-leitura]
Dos braços de Bilac desprendi-me
Soltei-me no ar de seus versos viscerais
Eu te adormeço, te enlouqueço, te redimes
Te dou calor, odor e muito mais
Meu cabelo não solto às costas
Para que vejas a luminosidade da minha alvidez
Às tuas lembranças mortas darei vida
Lentamente, vagarosamente, solidez
E suspiras e perdes a calma
Diante de tal corpo que te faz devanear
Transpiras um mar que te revolta a alma
Procuras a boca em que possas repousar
Entrego-te então meu poeta
Meu sem nome,
sem rosto,
sem vida
Nem meta
Esse corpo de estrada já percorrida
Na tua fome voraz, sempre infinita
No gemido de alucino da manhã altiva
Teu instinto...desperta.
Soltei-me no ar de seus versos viscerais
Eu te adormeço, te enlouqueço, te redimes
Te dou calor, odor e muito mais
Meu cabelo não solto às costas
Para que vejas a luminosidade da minha alvidez
Às tuas lembranças mortas darei vida
Lentamente, vagarosamente, solidez
E suspiras e perdes a calma
Diante de tal corpo que te faz devanear
Transpiras um mar que te revolta a alma
Procuras a boca em que possas repousar
Entrego-te então meu poeta
Meu sem nome,
sem rosto,
sem vida
Nem meta
Esse corpo de estrada já percorrida
Na tua fome voraz, sempre infinita
No gemido de alucino da manhã altiva
Teu instinto...desperta.
Saturday, 11 April 2009
Coisas pequenas que talvez algum dia façam algum sentido.
Ai como sofro aqui dentro
Me causas dor que não cessa
A dor, não vai embora,
Não tem pressa
Ah se eu soubesse como
Parar as lágrimas que caem
Parar o ácido que me corrói
Matar o amor que me destrói
Enfim pensei ter desistido
Ter te deixado na estrada sombria
Nem lembro há quanto tenho sofrido
O quanto continuo vazia.
Re-correnteza.
Não gosta do jeito que seu olhar cai sobre os móveis da casa. Não gosta da atmosfera, tampouco da dor que sente no peito. Uma dor tão recorrente, tão rotineira, tão levada pela correnteza...
Ela está tão lá...tão no lugar diferente de todos os lugares do mundo. Tão alheia, tão incomum e indiferente a tudo que muitas vezes pensa em chorar mas suas lágrimas misturariam-se com o mar furioso e furiosamente mais se magoaria.
A correnteza das águas profundas que só ficam na superfície, levando tudo e qualquer coisa que surge em seu caminho. Nem as estacas pesadas do passado conseguem, por assim dizer, vencer a fúria do mar furioso. O mar é tão furioso e não a deixa fluir com ele.
Ela está tão lá...tão no lugar diferente de todos os lugares do mundo. Tão alheia, tão incomum e indiferente a tudo que muitas vezes pensa em chorar mas suas lágrimas misturariam-se com o mar furioso e furiosamente mais se magoaria.
Essa dor... essa dor invisível, com a força de dez pesos que pesam uma alma altamente invisível também. Essa dor que sussurra no ouvido todas as noites e lembra, perpetua, marca presença, não vai a abandonar.
Não se trata apenas de passado. O passado já era... o passado ficou tão ilegível aqui na sua mente. O que lembra é apenas coisa ou outra que lhe causaram. Dores que a fizeram crescer. Essas coisas necessárias para que a vida siga em frente sem grandes problemas.
Leva correnteza, leva rápido isso para longe daqui. Senão ela vai ruir, ruir, ruir no mar.
Friday, 10 April 2009
Corp(oral)
eu vou vender meu corpo
porque um pedaço de amor (falso)
vale mais do que 10 pesos
mas como minha alma pesa!
depois que a cama abandonas
meu ego ferido, esvai-se
minha alma não mais se impressiona
é de minha natureza deitar-me à cama alheia
para sussurrar palavras de paixão
por um minuto ou onze te incendeias
e estilhaças todo um coração
eu vou matar meu corpo
quando tua mão ríspida arranhar
minha pele alva
eu vou burlar a lei
e mais niinguém me salva
pois o discurso é um
mas a ação é outra
eu vou subjugar
matar, ignorar, inundar,
secar, parar, esquecer
meu corpo
pois nas reentrâncias do meu ser
o que sobra é isso
um corpo. um querer.
Monday, 6 April 2009
Enquanto isso, naquela estradinha que a gente caminhou...
Ah...quisera eu ter vivido um dia, só para ser o cadáver da tua alma que se arrasta pelo breu...no frio. Apelo ao teu coração singelo, por favor, vira uma carta ao menos uma única vez. Meu verso na tua mão tão belo...pareceu ser você quem fez. Teu corpo tão fraco e tão pesado nas tuas mãos, teus ossos carregas. Ossinhos frágeis, porcelana, meu devaneio sou tua seguidora fiel na estrada escura. E meus dias afrontam meu coração por quanto tempo esperar até tocar tua mão? Meus beijos ousados fizeram teu mundo ruir até quando contemplarás o meu cair? Tuas minúcias me são caras, ao passo que careço cada vez mais do teu amor, teu sussurro teu torpor. Essa tua insanidade tão lúcida que me põe tão insana, horizonte fragmentado na tua cama...o corpo arde(nte) só por tua pele clama.
Carta na (minha) manga
Eu pensei em te soltar
Deixar a porta das minhas próprias grades abertas
Para que pudesses cair
Enfim, ruir, como sempre estás a versar
Só que dentro de mim algo arde
Uma vontade que não sei, advinda
Bate uma saudade do beijo que não te dei
Esse beijo talvez jamais eu sinta
E respirar teu respirar
É um sonho escapando do meu alcance
Só me resta colocar o beijo no imaginar
Absorta na tua pele eu fico em transe
Os escombros da minha vida
Falida, iludida, caída
Tento retirar do meu entorno
Olho triste a tua partida
Enquanto o vento encobre meu choro.
Sunday, 5 April 2009
(Des)uso para poesia
Enquanto sigo evocando aos céus
Tua alma, teu olho, teu brilhar
Me provocas, me puxas pra perto
Continuo na saga de versar
E como é possível da dor
Tirar o que tem de mais bonito
Sem temer tudo o que já fora dito
Pelas linhas tortas desse amor
Será que ainda o é?
Será que posso assim chamar?
Todas estrofes que soprei por (e para) ti
Em um leve silencioso sussurrar
Abres as portas da tua alma
Para que seja fácil a minha saída
Não perderei nem o tempo nem a calma
Sob a nuvem eu coloco a minha vida
Hoje me aproveito dos teus cabelos
Que aquele dia voaram ao vento
Logo te reconheci ao longe
E quase morri, de tanto desapontamento.
A poesia do quem
Quem és tu menino
De afago ilusório
De personalidade inventada
Que me põe em desatino
No poetar, compulsório?
Quem és tu que de tempo em tempo
A minha porta espreita
Sorri em silêncio e amedronta-me
A poeira da minha confusão assenta.
Me pergunto quem és
Lá dentro no mais profundo tu és
O que és me pergunto
Eu pago, eu morro, eu choro
Só pra saber se és
Aquele que me iluminará
Ou aquele que definhará comigo
Aquele que me maltratará
Que me levará ao chão
Ou me carregará no colo, consigo.
E quem és? Quem está posto à frente do espelho?
Quem se oculta na face imunda
Do meu mundo em vermelho
Que pouco a pouco a minha vida afunda?
Teu corpo à pele arrepio não causo
Te desconheço pois é tudo meu sonho
A imaginação me engana não larga
No meu encalço, a saga desse demônio
No alto do meu castelo estou posta
Enrolada na minha veste branca
Na maldição da solidão sem piedade
A paz do meu coração espantas.
Saturday, 4 April 2009
(A)feição
Eu queria ser perfeita
A que vem pronta,
sob medida
uma doce encomenda
Mas a mim tu rejeitas
E entre canções desafinadas
Ninguém me enxerga
Ninguém me aceita
Catártico segues pela estrada
Recitando sonetos, perdido
Morri assim voando na madrugada
Dói tanto coração partido (estavas)
E mudo o tempo inteiro
Inteiramente modificada estou
Meu amor calou-se mas ainda
Está em desespero
Pelas gotas do que sobrou
Minha morada recobro
Meu consciente de repente
atina
Para alcançar tua testa eu me dobro
Eu te beijo e em seguida continuo
Sozinha a minha sina.
Da série notinhas rápidas
Esses dias o Young me convidou para ser colaboradora no blog dele, o Young Hotel Foxtrot e lá estou!
Voltarei (ao normal) em breve.
Não tenho postado... admito. Falta total de tempo, a inspiração às vezes aparece mas nunca consigo assimilar tudo.
Voltarei (ao normal) em breve.
Thursday, 2 April 2009
Ontem eu a vi. Não totalmente, enxergava apenas pedaços através de uma pequena abertura da porta (interna ou real?)... não soubera que eu a observava tão atentamente mas precisava vê-la e sentir como ela nem mesma era capaz de sentir.
Pedaços, sim. Pedaços cansados, golpeados pela ação do tempo que já fora e do tempo que ainda está por vir. Pior do que isso! O tempo presente que traz um pesadelo atrás de cada noite sem sono e de cada manhã exaustiva. Grande assassino esse o nosso, tempo...
E todo o dia, cada nascer e pôr do sol eu a vejo nascer junto. Uma nova mulher, com uma nova perspectiva, calçada em antigos pensamentos e antigos preceitos. Quando se olha no espelho, ela reconhece tudo aquilo que (não) é. Não sinto medo dela, apenas sinto receio e pra mim, receio é medo mas um medo pequeno embora não possamos chamar de 'medinho'. Receio de misturar-me à todas as suas dúvidas cruéis, à todas as suas magoas que ela tenta, eu sei, eu vejo, ela tenta tirar tudo à noite quando ninguém ouve mas a música embala e ela acaba chorando todas a fim de lavar a alma.
Ela é correta demais e sente tudo demais e por vezes posso afirmar que ela nem sabe que eu a espreito todas as noites porque eu mostro-a uma verdadeira face de um espelho sem fundo.
Pedaços, sim. Pedaços cansados, golpeados pela ação do tempo que já fora e do tempo que ainda está por vir. Pior do que isso! O tempo presente que traz um pesadelo atrás de cada noite sem sono e de cada manhã exaustiva. Grande assassino esse o nosso, tempo...
E todo o dia, cada nascer e pôr do sol eu a vejo nascer junto. Uma nova mulher, com uma nova perspectiva, calçada em antigos pensamentos e antigos preceitos. Quando se olha no espelho, ela reconhece tudo aquilo que (não) é. Não sinto medo dela, apenas sinto receio e pra mim, receio é medo mas um medo pequeno embora não possamos chamar de 'medinho'. Receio de misturar-me à todas as suas dúvidas cruéis, à todas as suas magoas que ela tenta, eu sei, eu vejo, ela tenta tirar tudo à noite quando ninguém ouve mas a música embala e ela acaba chorando todas a fim de lavar a alma.
Ela é correta demais e sente tudo demais e por vezes posso afirmar que ela nem sabe que eu a espreito todas as noites porque eu mostro-a uma verdadeira face de um espelho sem fundo.
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