Tuesday, 31 March 2009

...eu sei que foges não por razão absurda. Tenho certeza que tu também tens certeza de que mergulhar em mim, significa afogar-se no desconhecido. 

Sunday, 29 March 2009

É tudo tão insano.

E essa madrugada segue com um quê de sereno e veneno. Não há certeza de quantos minutos ainda restam para o fim do mundo, ou para o fim de um ciclo que cada vez mais fere... só que tudo que começa, acaba e agora que definitivamente acabou é como se um labirinto tivesse sido arremessado aos meus sentidos e pronto, tranquei. Travei, surtei, chorei e os cambal a quatro.  
Não preciso do quadro de ninguém na parede do meu quarto para observar e subitamente começar a escrever coisas que pairam sobre a minha pele e vão sendo absorvidas até que eu consiga atingir o limite catártico. Não é isso!

É que tudo é mais fácil com um muso. E se por acaso o meu, perdi, eu busco a vida como elemento. Eu tento, não? Eu sou o vento... eu passo e ninguém vê.
E eu vou sentir a tua falta
Quando entrares naquela estradinha de luz
Quando buscar algo que sempre tinhas pra mim
A falta será minha cruz

Por tuas mãos tantas coisas se resolveram
Uma vida, nasceu
Duas vidas, creio eu

E vez por outra eu dancei
Com meus pés em cima dos teus pés
Os nomes dos planetas te ensinei
E sempre quis ser como és

E eu vou sentir a tua falta
E cada noite eu irei chorar
Mas ainda estarás em mim

Quando o mundo for cruel
Perecerei
Quando algo der errado
Irei chorar
E tu, pairarás no céu
E eu, lembrarei.

ps: para o primeiro grande homem da minha vida, que talvez hoje nem tenha noção do quanto sempre foi, ainda é  e sempre vai ser importante pra mim...

Saturday, 28 March 2009

E eu gosto da tua companhia
Gosto da tua presença meio que na espreita
Meio que no silêncio e totalmente na perdição da noite

Cantamos, rodamos e pensamos em como seria a vida se o mundo fosse de tal ou tal jeito. Pensamos juntos e fazemos todo o resto unidos, porque é assim que tem que ser.

Nossos mundos são iguais mesmo sobre viéses diferentes

Eu caminho na superfície do mar agitado
Tu te entregas à depressão, consternado.
E eu entregaria a minha vida
Minha vida futil e vazia
A qualquer anjo no céu estampado 
Para ter tua companhia de fato
Aqui, do meu lado

E quando tu vens
Eu calo, eu paro, eu viajo
Não tenho coragem
Não sei o que imaginas tampouco alguém pode saber
Tu me alucinas
Tu me fazes cada dia mais te querer.

Me perco em palavras soltas
Que na minha mente rodopiam
E no papel se entrelaçam
Para formar uma reza 
Que sigo a rezar em devoção


ps: poema escrito em: domingo, 15 de março de 2009, 00:18:23 segundo o bloco de notas. 

Friday, 27 March 2009

É difícil descrever as razões que motivam minha escrita agora. É a tua pele, é o teu andar, teu olhar. É o teu jeito de ficar sem jeito e de me deixar ardendo por dentro. As tuas mãos que ora constroem o paraíso e ora destroem a ti, meu sonho que preciso, traçam uns traços tão bonitos...e absorta eu te digo que só penso em ti e só posso te querer comigo.

E é um dançar solitário, um cantar sem voz esse que faço contigo. Somos uma dupla de dois ausentes até que alguém apenas decida abrir um pouco do peito. E tenho tanto medo. Mas ainda insisto em caminhar na tua direção mesmo que isso signifique a queda.

Thursday, 26 March 2009

Estudo do tempo passando e o nada imperando. Fragmentos, apenas fragmentos!

Coloquei minhas mãos sobre seus olhos enquanto ele mantia-se imóvel com a cabeça no meu colo. Comecei a cantar uma música qualquer, baixinho. Não sei se por amabilidade ou o quê, ele sorria e balançava seu corpo, respondendo que tudo estava bom. Era tão mágico poder fechar seus olhos e cantar na atmosfera pra ele.

A tarde baixava lá na linha do horizonte. O sol ainda reinava no céu azul deixando tantas nuvens brancas mais brancas ainda. Bem, a questão é que ele conseguia falar de estrelas mesmo sem exergá-las. E toda a descrição era tão perfeita. As pontas, a simetria, os lados das estrelas. Os lados que brilham, os lados que apagam. Entendi tudo só através daquele olhar que um dia eu tapei.

A noite é tão...mas tão impiedosa que paira num céu negro sem sequer sinal de um ponto aparecer por ali. Só pra lembrar que a vida não é feita apenas de escuridão e dor. Sinto que já não sou mais nada. Apenas amada pela noite, que me amarra em constante solidão.
Tive um sentimento tão grande que, por um breve momento, parecia sentir as lágrimas escorrendo face abaixo. No entanto, algo dentro de mim dizia coisas sobre a inevitável passagem do tempo. E o nosso pêndulo seguiria balançando e um dia talvez tu poderás chegar e parar tudo isso com um simples olhar ou como quiser.

Tuesday, 24 March 2009

Teu tocar me ataca 
teu falar me atravessa
teu olhar me põe nua
teu pensar me enlouquece
E tuas mãos tão pequeninas
Seguram todo meu mundo
Devanescendo, destrói o sonho
Em meio segundo
Contemplei o teu sorrir
Enquanto meu pranto suportou calar
A boneca de vidro iniciou o seu partir
Em mil cacos
Com o corpo à própria sorte
Para o destino moído, carregar...

Qualidade contestável

Poesia feita porque deu vontade. Não chamaria isso de inspiração, mas simplesmente de uma necessidade mecânica de dispor das palavras. Todos os dias eu nasço um pouquinho, mas morro um tanto mais.

Me deixastes algo no peito
E vez por outra pareço esquecer
Devaneio, não penso direito
Sinto que é preciso escrever

As palavras que procuro somem
Os versos que teço, empobrecidos
A música que ao longe ecoa
Denota um coração entorpecido

Tudo parece tão inútil
Na beira de um imenso abismo
Entrego-me à minha vida fútil
Enquanto continuas sozinho e com frio

Mas minha missão desconheço
Não sei se tenho minha consciência
No inverno iminente, pereço
Dizem os anjos tenha calma e paciência

Aperto os olhos em silêncio
O coração espreme dentro do peito
Mais uma noite, sei que venço
Afastada do teu leito.
E por que não me enxergas?
Se te mostrei tudo de mim
Do véu à carne
Do pêlo arrepiado no braço
Até a mais alta excitação da alma?


Tem coisas, que até eu mesma desconheço.

Monday, 23 March 2009

Eu tenho outra dentro de mim.
Ela sorri, ao sinal do teu silêncio
Ela chora, ao sinal da tua alegria
Ela escurece, ao sinal do teu devaneio
Ela perece, ao sinal de algo ruim

Na calada da noite fria
Noite que fala coisas em teu ouvido
Eu tenho a mim dentro de mim
Chorando o teu silêncio
Sorrindo a tua alegria
Brilhando com teu devaneio
Vivendo para te encontrar no outro dia

E talvez tenha outras
Se procurar em minhas reentrâncias
Se eu separar tecidos, veias e músculos
Talvez encontre mais faces
Mais anseios
Mais medos
Mais mortes sentimentais
Enfim, eu sou tantas
E tão pouco.

Sunday, 22 March 2009

Madrugadas Insanas #10

Sei que tens algo nos olhos. Não são as tuas pupilas, tampouco teus cílios enormes. Eu vejo mais coisa aí. E fico tão triste por isso. Não é que reflitas tristeza, capaz. É que refletes as coisas boas que eu quis pegar mas não consegui.

Reflexão do irreflexível, estudo do (não) ser humano...

Caminhado em pedras frias, nem a noite me intimida. Desolada, procurando teu rosto em cada rosto desconhecido, procurando teu sorriso quem sabe em um brilhar de estrelas eu refleti que o amor nasce da rotina e na rotina ele também morre. É, é assim mesmo. A rotina é aquela que nos fornece os detalhes necessários para que nos apaixonemos com tanta insânia dentro do peito. Esses detalhes nos fazem sorrir silenciosos quando pensamos nos jeitos de falar e andar e inclusive causam frios na barriga. 

Depois, é ela quem mata tudo. Pois os detalhes tornam-se fardos, tão terríveis e pesados de carregar... e tudo foi-se ladeira abaixo. Então reflito assim, como quem não quer nada, só querendo ter uma coisa na vida que nem sequer se manifesta, bem...enfim, os detalhes tão amados... a rotina vem e esquarteja tudo. Pois não podemos suportar a ideia de tanto amor por tanto tempo. 


continua... (ou não)
...e estás sozinha porque é assim que tem que ser. A vida já te deu muito, te deu a escrita para que pudesses te habituar ao silêncio que te impõe. Sim, tudo parece sumir, escapar das tuas mãos, por sorte ainda tens o dom de escrever. 

Pelas tuas veias corre um medo que te consome, muito a muito, na hora de dormir. Quando te olhas no espelho, a pele ainda é alva, mas esconde as feridas que não cessam seu sangrar. Tudo um dia fora poesia e rima fácil, mas agora nada é fácil nem poético. A estrada é bem longa e quando te deparas assim, frágil, à sós com o rumo que tens a seguir, só pensas em cair.

O outono chegou. 

Saturday, 21 March 2009

Então, outono.

Até meu rosto chega o ar pesado e sombrio juntamente com as folhas secas e amareladas. Alguém rasteja por debaixo da minha pele, alguém incita o meu olhar. Então, hesito.

Se não colher essas últimas flores com cheiro forte de alguma coisa que já morreu, provavelmente morrerei junto com elas. E acabarei como as folhas...amarelada e seca. Então, persisto.

E ele passa lentamente o algodão embebido no álcool sobre as minhas feridas, a fim de torná-las limpas, secas, passadas. Enquanto isso, ele sequer olha no meu olho, mas algum fio, está para nos ligar. Então, repito. 

Persisto, insisto, respiro, vivi, morri, sofro, morro, corro, fujo, aahh esse mundo precisa acabar.

Friday, 20 March 2009

esperando defin(ha)ição

O que me resta
Nobre marujo de águas rasas
É dedicar-me à contemplação
Cabe à ti o ignorar
Enquanto fico na estrada calada
Lacrimejando durante a madrugada

Então te esquivas, evitas
Por outro lado me incitas
Mas minha alma é fraca
E o lirismo me limita
Enquanto moves tua barca

Me esvaindo pouco a pouco
Pego a outra via do caminho
Continue com teus sussurros roucos
Enquanto eu, me entrego ao vinho

E tua boca e teu cabelo
Nem teu sorriso eu mais desejo
Teu quadro eu rasguei, é desapego
É a cura da dor que almejo

E me dói (?) saber que dói (s)
Algo dentro de um coração senil
A parede negra é que vejo em frente
Minha vida é presa por um fio

Teu concentrar antes fascinava
Hoje só causa meu rubor
Por telepatia eu me doava
Imagético, teu sabor

E na ponta do lápis
Guardo traços para mim
Escrevo então na nossa lápide
O começo do fim (sem início).




ps: As poesias que aqui foram mostradas (sem título, minhas palavras e esperando definição surgiram de devaneios durante uma aula de Políticas Públicas e ao som do Acústico do John Meyer)

Minhas palavras

Para minha ação
Não há perdão
Eu te rasguei, te violei
Quando simplesmente toquei tua mão

Minhas palavras,
silêncio teu
Pensamentos dispersos, lágrimas esparsas
Meu coração escondido no breu

Minhas palavras
Teu olhar receoso
Te idolatrei em prosa
Foi homicídio doloso

Minhas palavras
Que nem o vento carrega
Tens a mim em tua mão
Devanesço, o amor ainda me cega

Minhas palavras
Sob o teu domínio
Teus olhos lêem e então travas
Ante tamanho fascínio

Minhas palavras
À ti entreguei
Me tens em tuas mãos
Esperando, morrerei

Minhas palavras
Sugas-me a alma
Devido à ato desastroso
Acabei por perder a calma

Minhas palavras
E com tristeza, triste (s)
Palavras encerro
Minha vida, em ti não insiste.
O sol nubla ao alto
Meu coração em cacos se quebrou
Arrasto meus joelhos no asfalto
Minha sina, minha vida, definhou

E dentro dessa sala tão cheia
Tantas vozes, tão vazias
Teu nome é praga que me permeia
A manhã vai ficando fria

E teus olhos já não mais brilham
Através da tua sombria lente
Meus lábios te procuram, teus olhos desviam
Percebo que tua escrita mente

E jogas meu corpo em um longe terreno
Para que eu possa te esquecer ou me deteriorar
Mas sigo tentando fazer meu coração sereno
Pouco a pouco, esquecendo o meu (à ti) gostar

A porta de pedra se fecha à tua face
É apenas a minha recuperação
Das cinzas, a luz insistente renasce
E tu, mantendo na solidão

Thursday, 19 March 2009

E se eu definho quando acordo
Eu desabo na hora de dormir
Teu sorriso era minha arte
Agora é meu ruir
E eu te aguardo em segredo
Em um silêncio de sofrer sem dor
Te entrego essa ferida
Advinda do desamor.
eu não te apago
nem da memória
nem da história
procuro sem jeito
o caminho perfeito
rumo ao teu afago

minhas lágrimas são de vento
tantas vezes que me pus a chorar
com teu lirismo me contento
mesmo negando o meu gostar

eu te quero
e te enalteço
fugindo da tua imagem
não esqueço
que essa triste passagem
tem um preço

simplesmente te deixo
quieto em teu canto
com tua alegria triste
com tua bebida quente
e o teu raivoso pranto

ainda na rua hás de me ver
passar, olhar e desejar
mesmo fechando teus olhos
para o meu ser
estou na janela
esperar esperar esperar

Dor

É um misto de dor e dor
Com doses de dor
E períodos esparsos
Onde a dor toma espaço

É um ímpeto de dor
E um lampejo de dor
Sentimentos que causam dor
E por hora, a dor vai embora

E dói demais!
E para fugir da dor
Procuras a dor
E contigo eu... ah, dói

E deixo a dor doer
Porque quando a dor bate
Nada melhor do que um pouquinho de dor
Para fugir da dor.
E diante de tantas interrogações que pairam sobre a tua cabeça (embora penses que são certezas), sequer tremo. Eu conheço... é tudo uma questão de tempo.

Wednesday, 18 March 2009

E é só mais uma noite, uma noite daquelas encostada no canto esquerdo da parede que dá para o lado de lá.
É só mais uma história repetida, um vaso quebrado com todas as flores mortas espalhadas pelo chão. E nem aguentas mais o gosto amargo do vinho doce que passa pela tua garganta. É recorrente, é repetitivo, não dá mais para suportar.

E nada mais entra sorrateiramente pela janela com persianas emperradas. Está tudo parado, tudo meio que rastejante naquela vida, naquela casa. 

E levantas o teu olhar? Sequer te incomodas... E levantas teus punhos já avermelhados para mais um embate? Não? É... caístes. 
E pra que chorar quando sei que na realidade, o ciclo é sempre o mesmo?
E hoje, não vamos sair à caça de estrelas, hoje, é a tua vez de brilhar pra mim.

P(e)rcepção*

E se eu grito

tu, calas

para que eu morra de medo.


*complemento daquilo que já está inteiro, em alguma outra página de fundo preto por aí
E quero tanto que um dia, um único dia (assim como tu és o único), que esses versos todos rasguem a tua pele com toda a violência, a fim de que tu internalizes o meu querer literário, literalmente...

Tuesday, 17 March 2009

Ele, é...

Ele é poeta
Mas não é sobre sorrir seu poetar
Sua alma ainda não é toda desperta
Sua agonia é um singelo sussurrar

E toda essa dor que o corpo invade
Um calafrio, uma febre, uma indisposição
Escondo-me entre prosas, covarde
De tanto medo de partir meu coração

Teu nome já escrevi
Por toda superfície que me permeia
Se nos meus devaneios me perdi
É porque recuso castelos de areia
E quero juntar-me a ti

Mas pareces distante
Num eterno adormecer
Em uma auto-entorpecência
Te entregas ao sofrer

Tu és um anjo caído
Dizes ser mero acaso
Mas vejo em ti um fingido
Louco, debatendo-se, para descobrir-se amado...
Chega a ser estranho mas sempre quando penso em ti, estou rodeada de muita, muita gente. mas a cena, é sempre a mesma: só eu e você. E geralmente, nessa minha paixão imagética, nada falamos pois o olhar nos basta. e nos perdemos, definhamos, sorrimos e talvez algumas vezes percamos a (c)alma mas é tudo tão por dentre linhas que nem sempre é possível captar. Mas teus olhos são de águia...
Tenho tantas coisas minhas em ti. Tantas palavras que pensei em dizer, mas foram proferidas pela tua boca. Tantos poemas que pensei em escrever, mas foram teus dedos que traçaram os versos no papel. Tantas paisagens que um dia sonhei encontrar, mas só teus olhos fotografaram-nas. Tantas e tantas coisas... mas tenho algo aqui e que é meu... a imagem dos teus detalhes, não te perco de vista um minuto sequer. Te estudo como quem abre um livro, meço tudo o que sinto, mas nada divido, só acumulo. Tenho uma ânsia tão grande, mas tão grande de te fazer ciente. Não, não. Minha ânsia é de saber que sabes mas saber que tu também desejas... olhar do lado daí. Pra cá.

Monday, 16 March 2009

E quando sair de mim, não faça barulho. Eu tento te manter aqui na ponta dos meus dedos, enquanto escorro o meu querer e o meu sofrer pela tua pele branca e macia. Sim, eu continuo aqui, por e para ti, mas pareces não querer ou não conseguir me enxergar. Eu te olho bem dentro do teu olho e sabes que sinto medo também. E somos assim dois medrosos no mundo, ou  o que? 

Eu queria sentir aquelas coisas todas da noite passada, mas não apenas no plano do desejar, do almejar e clamar, gritar por!!! Não, não! Eu simplesmente quero! 




Deixa? 

Sunday, 15 March 2009

E a tua pele é tão suave, macia, ela me transporta a um mundo tão de sonho que envergonho-me de pensar que um dia poderias estar prensado contra a parede, com olhar assustado, imaginando o que ainda estaria por vir. E é assim que as coisas são. Singelas, meigas e puras no mais alto nível da palavra pura. É genuíno, é branco, saca? Mas o lado dionisíaco da coisa não deixa em paz. Tu no teu silêncio vai lá no meu âmago e desperta todas essas vontades antes descritas. E um dia, ahhh um dia hão de realizar-se pela força com que creio na perversidade e na libertinagem cada vez que junto as mãos para rezar.
e podes vir, te jogando assim por cima de mim, embaixo do meu lençol deixando com que tua mão passe por aqui e por ali tão sutilmente que eu confunda com alguma peça da minha roupa e que sendo arrancada me mata de desejo... eu tenho a tua unha cravada na minha carne e isso, ah só por isso eu sou capaz de sorrir agora, porque tu me despertas instintos, os mais genuínos possíveis. Dá-me o vinho direto na boca para que eu beba de todos os prazeres mundanos possíveis e imagináveis. me fascina, me desbrava, me invade sem pedir licença. tu, eu deixo.
não sei se estou fora de mim por demais mas sinto-me com uma vontade insana de rasgar a tua roupa e te colocar contra a parede, morder a tua boca e matar minha sede.

Escritos direto do caderninho da Ju para o blog!

E todo mundo na rua vê
O jeito que eu te toco insensivelmente
A forma que te beijo em silêncio
A sede com que te aperto contra meu corpo
Tal corpo arde, pede e se perde só por você
Os poetas me encorajam, vá, busque a resposta,
E com medo me retraio
Por não ser aquela que t
u gostas
E aqui na tua ausência eu escrevo,
Em cada olhar que vejo
É a ti que eu enxergo,
E o que falam me entra ao ouvido e em seguida parte
Te fazer ciente desse sentimento
Eu me nego
Estou na calçada, com a garrafa de vinho na mão
Esperando que chegues com teu abismo,
Para levar-me ao infinito

Para (E)le

*Escrevi esse fragmento em meio à divagações com grandes personalidades ao redor. Jujuba, Rapha e Silvana. 
Tô com dorzinha no peito. Faz parar?
E é incrível como, dia após dia, montas um paradoxo por todo o meu corpo. Me fazes um bem pois na minha humilde morada, imersa em meus pensamentos dispersos, é por ti que escrevo e isso há de ser bom. Entretando, me fazes mal, silenciando quando eu gostaria (e precisaria) te ouvir falando uma coisa, qualquer coisa que me desse uma resposta sensata. Eu queria tanto, mas tanto que tudo desse certo e esse certo é tão relativo. Quando abro os olhos pela manhã, é no teu rosto que penso mas logo me dá um desalento e minha alma se põe a chorar. Porque desde sempre tem sido assim. E eu sei que não és o heroi obrigado a salvar nenhuma donzela do castelo frio da solidão, mas não quero salvamento eu quero é paixão.

Nessas linhas, ao encontrar minha triste condição de estar por dentre teus dedos, acabo perdendo a sanidade, perdendo o controle de tudo aquilo que pensava estar certo. Até o mundo enxerga através de mim, cada letra do teu nome escrita,  marcando mais que a pele, marcando as entranhas. E esse mundo saber, implica em que agora, eu perceba que nada mais está sob o meu controle.

Saturday, 14 March 2009

Não me deixes (parar).

teu corpo trêmulo se aproxima do meu
eis que perco a palavra, perco a razão
dobramos juntos por esquinas
em busca daquilo que se perdeu

mantemos essa comunicação silenciosa
e o ar parece ficar cada vez mais rarefeito
fazemos rimas, versos, e prosas
enquanto algo estranho arde no peito

porém o meu morrer está mais morto
toda vez que em ti poeto
poeta és tão belo no meu mundo
absorto, sofrido, caído eu quero por perto

e receosa teu redor espreito
teu olhar estudo e teu corpo desejo
e no teu sorrir perfeito
vou fazendo rima, aproveitando o ensejo

desepeço-me dessa folha branca
já que de teu ouvido não disponho para sussurrar
teu silêncio me dói, me fascina, me tranca
num vendaval de incertezas que só me faz rodar.
E todo mundo já sabe que te encontrei. Quando abro a boca mas nada pronuncio, as palavras são tuas, todos adivinham. Quando eu pisco o olho e desvio, está na cara, és tu quem admiro. Quando eu me ponho a olhar para as minhas mãos, mexendo meus dedos como se fossem raridades, é por ti que clamo, silenciosa, sinto saudade.

E todo mundo que chega perto e olha dentro do meu olho, vê. Todo mundo te vê. E coloco-me triste em um canto, perdida, porque as tuas respostas me enchem de perguntas e as minhas perguntas continuam sem respostas. Tu és um enigma. Mas mesmo assim, me alucina e me instiga, me faz querer continuar. E se hoje digo que quero parar de escrever, é só por medo de nunca te ter.

Alguns dizem "vai, pega a via de mão dupla e segue em alta velocidade". Outros me sugerem prudência.  

Eu não quero construir castelos de areia... nada que seja frágil ao sopro, mas tudo que seja sim permitido pelo sonho. 
Como ousas pensar que cada linha do que escrevo não fora escrita para ti?

Menino, já falei, olha-te no espelho e encontrarás  a fonte da minha inspiração. E se te acanho demais com tal ímpeto de paixão sem razão, só te peço perdão. 

Per (verso)*

Eis que sofro calado
Por caminhos nebulosos de escuridão
Teu torpor, teu louvor me é negado
Sofro sim e sem perdão

Revolto-me contra as nuvens
Que insistem a chover sobre mim
Solidão nunca será consolo
Eis que corto o pulso até o fim

E esse mundo desgraçado e ambiguo
Me bota pra fora do meu ser perverso
E todos os poucos sonhos que sonhei contigo
Externalizo na forma dos mais débeis versos

Digo não à declamação
À poesia, ao lirismo e ao escrever
Enquanto não poder tocar teu coração
Prefiro sangrar até a morte me abater.


*poema escrito no dia 9 de março e que, por questões desconhecidas, ficou em stand by no computador e agora resolvi postá-lo.

Friday, 13 March 2009

Sangrar.

Me colocas envolta em correntes em um canto da sala, enquanto bem no centro do aposento você caminha de um lado para o outro pensando, analisando friamente toda e cada situação. Porque sofrer te mantém mas em contrapartida sofrer é ruim e tu não queres o ruim, right?

Já estou fraca demais para articular qualquer palavra sensata, o que ouves são grunhidos, gemidos, o som das correntes arrastando no chão e o movimentar de meus pulsos friccionando-se uns nos outros. E a vermelhidão do sangue que começa a jorrar de minhas entranhas é real. Tu observas esse auto -flagelo real se formar na tua frente, mas nada fazes.

Sofres. Sim, sofres muito. Sofrer é a essência, sofrer é o buscar pela filosofia, pelas respostas que até hoje não encontramos e você tem que acreditar em mim, sempre sofri. Até mesmo quando (sobre) vivia em liberdade. Tu tens sido o mesmo para mim  e já fazem uns 60 dias que te pego e te imagino assim.

Tu eras apenas mais um ser complexo que eu poderia estudar através das tuas próprias linhas. Eu poderia analisar teu eu-lírico, poderia estudar a tua simbologia mas isso não aconteceu. És um paradoxo meu caro e estimado menino que cai. Mas estamos aqui, eu e tu na mesma sala. A diferença é que a chave das correntes está na tua pequena mão.
E penso que essa coisa toda, toda essa coisa de poesia, de te pegar e te escrever aqui é real... e no entanto sabes que tu aqui és tu mesmo aí mas na realidade isso é tudo imaginação. Mas te acho tão belo assim, imagético. 

em teu corpo

Eu não duvido que mesmo com esses teus olhos misteriosos, lá no âmago do teu ser tu sabes, sabes de tudo melhor do que eu sei.

Quando meu coração acelera porque adentrastes o recinto, tu mesmo sabes que isso aconteceu e nem precisas dar muita atenção para o rubor em meu rosto, simplesmente sabes, simplesmente estabelecemos essa conexão e nem percebemos de onde veio. Apenas temos.

Quando te vejo pensando, realizando, colocando no papel tudo aquilo que sai diretamente do teu imaginário, tu sabes que meu corpo arrepia e minha respiração falta porque tens a plena noção de que observo-te atentamente a fim de pegar cada detalhe do teu corpo. Seja um olhar, o movimento das tuas mãos. Tudo é de minha ciência. Tudo sei e tudo posso quando te levo para o plano das ideias.

E aí meu caro, e aí meu caro e infinito objeto de imaginação nada pode me parar, nada pode dizer não. Apenas somos! Não é incrível? Tua mão desliza no meu corpo como a água cristalina desliza nos nossos corpos, tudo ao mesmo tempo. E a tua boca me procura, me encontra, me desbrava. E entre um fechar de olhos e um ofegar de respiração te encontro... te encontro (por enquanto) na imaginação.
E sinto que me marcastes profundamente. Mas não com um fogo ardente de outrora, mas com uma calma, uma leveza, uma suavidade... teus traços, teu rosto, teu escrever já não me causa mais agonia. Me deixa comedida em um canto, pronta pelo momento certo de te estender a mão.

Thursday, 12 March 2009

E por tantas e tantas vezes me perco nas minhas poesias porque ao falar de ti, verso as tuas estrofes com a minha voz.

Wednesday, 11 March 2009

A chuva lá fora até forma uma paisagem bonita, tu decerto gostarias. Nuvens escuras e águas raivosas escorrendo por paredes mofadas, sujas. É com pesar que carrego meu coração no peito. Um vazio, um vazio mesmo assim, sensação de lacuna enorme, despreenchimento e desprendimento, saca? Cansei de procurar em cada palavra tua um sentido, se enxergas minha ternura com certo apreço quem sabe pudesse ver o reflexo disso em outras estrofes. Esse papo de poeta é complicado, nada mais me comove. Vejo tudo que vai dar errado nessa linha mesmo do teu acaso, onde de cabeça baixa eu passo, o silêncio, a agonia, a solidão, eu lido com isso e já faz muito tempo. Talvez seja essa a razão que me leve à insanidade ou à irritação constante. Não chega a ser um abismo porque abismos na minha concepção não têm fundo. Prefiro os poços, sempre falo em poços escuros porque são meu habitat natural. É como teu corpo descrito em linhas, sacas? Feitos um para o outro.
Perdi minha graça de viver, vontade de escrever, o pouco brilho que estava esvaindo-se em meus olhos partiu de vez para um longe sem nome que nada nesse mundo encontra.
Isso é só devaneio, só devaneio mesmo, um troço que é parte auto-biográfico e parte fantasia para que ninguém leia minha triste vida nas entrelinhas do labirinto que tu criastes inconsciente para minha ingenuidade. O dia está terrível, custando a passar, as pessoas me cansam, me cansam muito até. Já não tenho mais assunto e nem vontade de puxar assunto com ninguém porque sei que essas coisas todas são só para encontrar a mágoa no fim da rua. Isso é realidade, não consigo me desvencilhar dessas correntes que me prendem solitária ao pé de alguma mesa. Eu me feri. Cara... eu me feri. Foi um auto-flagelo (com hífen?), um suicídio premeditado. Quando eu falei contigo pela vez primeira já tinha na minha mente a consciência de tudo aquilo que seríamos. Eu seria a desejante e tu serias o desejado e isso de fato acontece. Compus algumas linhas expressando minha vontade de saber todos os detalhes da tua vida, porque até a tua dor é bonita. E não parei por aí, a palavra perigo ressignificou e adquiriu outro sentido. Fui direto pro abismo de ti mesmo e dessa vez é abismo porque não tens fim! Arrisquei-me, tá, melhor, joguei-me em versos e coisas que comecei a imaginar na minha cabeça porque poesia é um troço legal de se fazer e tu assim sem querer, me ensinou.
Nem sei que finalidade contemplo ao longe esse enorme mar de desapego onde vou ter que navegar com meu barco pequeno.

Tuesday, 10 March 2009

E como sempre, tudo em sua vida doía. Seu corpo, sua alma, os passos cansados, o abraço negado. Tudo doía e ela fazia força, pra dormir  e esquecer.

Poetar porque te quero (a) mar.

Ah se tivesses conhecimento
Da alegria que contento
De (só) te ver chegar aqui
(Só) me é permitido sorrir

E com minha mão invisível
Teu rosto lindo afago
Retiro teus olhos dos escombros
Te prendo a meu corpo e não largo


Eu peço tuas palavras
E por vezes pareço escutá-las
Minha pele é pregada na carne
Pois ao sinal do teu perfume
Ela cai, amortalhada...

Aperto o papel contra o peito
Papel que contém teu versos
Versos que (só para ti) na madrugada teço
Pensas que não te entendo direito
Porém através de ti me reconheço

Teu rosto é um retroflexo
Batendo em um espelho convexo
Posso por vezes te deixar perplexo
Com minhas estrofes sem nexo

E dentro de teu peito aberto
Com feridas e mentiras imaginas
Será que posso confiar mesmo um amor
À essa poeta que me vê e se alucina?

O tempo é algo a relativar
Podes achar exagero ou até mesmo abuso
Busco desfazer a corda a te apertar
E do teu corpo inteiro fazer uso

Suplico aos céus
Tampouco em um deus eu creio
Que tire do teu coração o fel
E prenda-me em tuas rimas que leio.

Fragmento de nº 100

E enquanto o ônibus balançava naquela manhã de ares gélidos pensava nele. Tudo era ele. Mas por que? De onde surgiu? Foi um buraco que no peito se abriu. Ele então, sorriu.
Me sinto por vezes meio idiota, meio infantil. Fazia certo tempo que não sentia na barriga aquele frio. Aquela paralisação corporal quando vemos alguém. Chamam de amor platônico mas em todos os casos, só tenho me considerado um tanto boba mesmo.

Sinto que os vívidos, misteriosos olhos caídos contemplam muito mais do que paisagens e nuvens sombrias. É, ele se esconde nesse mundo porque talvez tenha medo, o mesmo medo que senti durante muito tempo. E agora sinto novamente, só que bem diferente... é estranho e...

...ele causa tantas, tantas, tantas coisas... na calada da noite silenciosa e pegajosa eu me enfio sob as cobertas imersa em minhas lágrimas, esse sentimento toma conta, me afoga, eu te imploro, não saia pela porta...

...passa o tempo e me sinto mais infantil ainda, desprotegida, absurda diante do teu olhar disperso, eu preciso, eu me nego, eu não desisto, apenas insisto e sabes que insisto porque de alguma forma me queres...

E nesses pequenos fragmentos escrevo a saga de uma grande dor, eu que já mergulhei fundo em incríveis histórias de amor hoje sinto medo e dou um passo para trás, escrevendo os teus detalhes em poesias, o que faço em demasia, mas jamais te perderia..

Não rimei, apenas tentei fazer com que um fragmento de mim agora pudesse ser o prólogo do nosso amor outrora. Ou não. E então?

Ao anjo caído

me colocas nua em cada estrofe
para vestir-me em um verso iminente
eu te coloco em cima da minha cama
dentre meus dedos
para declamar as tuas rimas
me fascina, me ilumina decadente

eu também já fui ferida
fui pisada, maltratada, desbravada
mas estou aqui
de coração aberto
te querendo perto
para construir nova caminhada, ou nada
incerto

e sabes que algo me causas
pois meu arrepio não contemplas
mas minhas poesias afagas
e sei que às palavras sutis
te atentas
e tentas

eu disfarço no meu olhar
toda vez que te tenho frente à mim
eu extasio, suspiro e transpiro
é um crime manter-me assim

não tenho muita coisa nessa vida
tenho um lápis, um caderno e a poesia
mas folhas nunca seriam preenchidas
se teu pranto não me causasse agonia

e eu repito, insisto, incito, o que seja
choro contigo
contigo irei sorrir
para a cura da dor que almejas
começa em mim
eu te mostro onde ir.

Monday, 9 March 2009

O poeminha...

Tenho algo guardado no peito
Algo que chamo de pretensão
Mas quando tua cantiga pairou no meu ouvido
Não pude conter minha emoção

Não sei que musa evocas
Desse teu lado obscuro sem fim
Sei que de repente meu corpo provocas
E desejo que tudo isso seja para (e por!) mim

Eis que nada de simples construo
Só sei que tudo que faço eu te devo
O teu sonho partido, eu junto
Beijar a tua boca eu me atrevo

Nem o luar me inspirou
A lua estava cheia e branca
Teu lirismo é vendaval e me levou
Sinto agora que o sofrimento estanca

E eu coloco as palavras nos lábios teus
Tu me corriges, foges e até brincas
Porque trocamos os versos
Para sermos inversos do que se perdeu

Eis que não fujo mais
Até nesse papel fraquinho eu me perdi
Me perco nessa paixão sem não, fugaz
Eu desisto, eu insisto, me rendi. 

(A) versar

É com grande gosto que recito
Os versos que te crio
Com o que encontrei de mais bonito
Sob as luzes do infinito

Procuro com muito cuidado
Colocar teu coração calado
Nas lacunas de uma nuvem confortável
Para que fiques sossegado
Aninhado em meu sentimento inabalável

É com pranto que banho teu olhar
Porque dobras as esquinas das ruas
Bebes teu âmago sentado à mesa de bar
Para depois beijar minhas mãos que são tuas

É com grande orgulho que incito
Que evoco, divago e repito
Como é bom ter teu semblante
Para poetar versos rimados
Que afirmam tanto o que tenho dito
Que tenho medo de segredos revelados

Tento me abster da abstração
E sempre quando penso em ti
Em voz baixa, para não chamar a atenção
Sinto que morri
Acanhada pela tua escuridão

Não crio nada que seja invisível
Talvez tu evites depositar aqui o teu olhar
E se alguém fala alguma coisa é o meu lírico
Que por ti me faz versar. E querer parar de versar.
Por favor deus, meu deus, sei que nunca acreditei em você mas suplico-te uma única vez, tira de mim por ora, essa vontade de escrever...
Eu bem que tentei, busquei lá do âmago de meu ser a vontade de não escrever. Que pena, que pena que não consegui, que pena sinto de mim agora. Que à duras penas risco a folha de papel em branco. Tão pura, tão receptiva e inocente. Ela me pede algo que não posso dar. Versos de amor por ti é algo que não sei versar justamente por não poder te amar!

Era uma vez teus olhos amendoados. Pude enxergar além do que esse castanho opaco me incitava, até agora não me destes nada.

Era uma vez a tua boca, eu não me atrevo a pensar provar teu mel, mas beberia cada gota do pedaço de céu que revelas e escondes por detrás de nuvens negras.

Era uma vez teu abraço que no simples espaço significava a minha parada, a paz, minha morada, o repousar dos meus cabelos, sobre o teu fadado ombro.

Era uma vez que nunca vai ser. Era uma vez que talvez seja amanhã, era uma vez que pode ser daqui há um mês. Mas tu ainda és, da noite para o dia, abaixo de triste sinfonia, tentei (tento) te esquecer.

Sunday, 8 March 2009

E então era uma vez você...sentado no banco da praça, contemplando gente, contemplando vento que é invisível, buscando arte no infinito. Só que daí um certo dia eu também sentei em um banquinho singelo de praça onde comecei a (di) vagar misteriosamente, talvez inconsequentemente, pensar assim mesmo sobre a vida e a tua lembrança só me fez chorar. Sem parar.

E o tempo passou demais, demais e já me sinto cansada, esgotada, sem paciência para levantar os olhos até que enxerguem a tua face. Não, não são teus traços que me irritam, tampouco teu sorriso que me afugenta, é simplesmente essa coisa toda da gente não poder amar que me inquieta e me corta por dentro. Eu estou retalhada mas sigo respirando. Felizmente, sangrando. 
e todas as noites eu durmo abraçada aos teus escritos como quem se agarra à Bíblia para evocar o divino

eu clamo baixinho o teu nome e tento de forma ou outra te puxar para fora desse abismo sem fim. 

e sigo cada passo, cada linha e quando cais eu caio também e quando choras eu fico chorando junto lágrima a lágrima, suspiro a suspiro. quando te revoltas, causas rugas em minha testa também quando sentes que te esforçastes demais durante o dia, uma gota de suor escorre da minha testa.

E assim somos. Eu e tu.
Penso que te quis (quero) demais
Nesse curto espaço de tempo
Te dei versos, olhares e sinais
E tu nem me escrevestes versos banais

Procurei em cada traço do teu rosto
Por sinuosas rimas 
Da tua boca mesmo sem conhecer 
Peguei o gosto
Para fazer a minha obra prima

Não te exigi mais do que atenção
para cada sílaba que escrevo
espremes meu pacato coração
sinto que todo o meu lirismo é à ti que devo

Eu suspirei você não ouviu
Eu sorri, você fugiu
Eu te abracei você gelou
Eu te falei, você calou

Retiro meus cantos 
De voz quase silenciosa
Sobrou-me lágrimas para meus prantos
Chorando o idílio 
De coisa só nossa.

Caminho sozinha por esse mundo frio
Mundo esse que ajudastes a gelar
Em mim cresce apenas o vazio
Sem ti, como é que vou saber rimar?

Se não era através do que vivi
Que eu poetava o dia inteiro
Mas dos devaneios que criava
De como seria te tocar primeiro

Não me sobra nada além
Do que apagar as luzes
para não te assustar, doce menino sombrio
Quis ser tão alguém por um curto espaço de tempo
Eu calo e sigo em desalento, cavando um buraco
Onde cabe meu vazio. 
...ele é meu paraíso, meu grito, minha fonte e só por ele suplico para sonhar à noite...
E só tenho a poesia, a música, o álcool e a tua foto. Não sei se alimento esperanças de ter o teu corpo preenchendo o meu ou coisa assim na real até me sinto meio ridícula se parar para pensar nisso. Aí me vem logo a idéia de que eu mais você é absurdo, só que aí em seguida nessa mesma linha de pensamento me vem algo que se chama querer muito alguma coisa que a gente sabe que é bom. E eu te considero bom.

Eu te vejo, te bebo, te desejo, te almejo, te coloco na parede do meu quarto para um constante louvor, como quem louva a um anjo, mas dessa vez um anjo caído, um anjo que teve suas asas quebradas mas que procura por alguém que reconstrua essas peças. Não me considero grande arquiteta mas devido à constância de sentimentos belos pela tua pessoa julgo-me capaz de varrer toda a sujeira, colar cada caco quebrado, te colocar pra dormir, te dar um beijo na testa e te deixar guardado. 

Nem a chuva, nem os constantes ventos insistentes no peito te levam para  longe. Eu me questiono sim e por vezes me envergonho sim. Mas conto com a tua ingenuidade de coração para que não te identifiques nessas linhas... porque te perder sem te ganhar seria sofrer em demasia.
Nunca fui de escolher os caminhos mais fáceis e confesso que quando vi a estrada dividir-se logo a minha frente, hesitei. Hesitei demais até para alguém que já caiu tanto como eu. Te peço perdão, nem sei o por quê mas te peço. Tentei virar o rosto para um outro alguém, procurar desejos em outros olhares, lirismos em outros corpos mas não me foi permitido.

Não sei se foi tua alma em demasia exposta ou teu interior em demasia recolhido que me fez querer essa coisa não identificada. Só sei que do dia para a noite eu quis. E quero. Nada me faz pensar que é ruim, inútil ou impossível. Só me faz pensar que preciso de. 
E eu não preciso ganhar nada nem perder nada pra te querer  por perto. Posso perder a sanidade, a timidez, posso perder a linha mas não quero perder oportunidades. Ganharei algumas mágoas? Talvez. Mas desistir está fora de cogitação. 

Busca

Nos teus olhos eu vejo obviedades jamais vistas em qualquer outra parte do mundo.

Há quem diga que ando suspirando demais, há quem tenha certeza que os versos de agora são teus e não daquele outro que me chateou. Há quem diga que sabe por telepatia que meu coração habitas. Não sei exatamente, só sei que não me preocupo mais com as convenções do mundo. Eu quero... as tuas obviedades, a tua palavra, a tua poesia, a tua abstração, quero o teu piscar de olhos, quero o teu mal humor, quero o teu bom humor, quero teu sorriso, quero o teu cenho franzido. E se isso me custar ser um pouquinho mais prudente, algo haverá de ter valido a pena.


Quero!

Eu quero ele
E quero sem saber por que
Sei que é ele quem quero
Sei que é por ele meu querer

As estrelas podem ser 
As mais brilhantes e deslumbrantes
Mas só ele, ah ele
Faz com que eu pare de respirar
Ao contemplar o seu semblante

Por mil raios de sol a raiar
Por mil voltas ao mundo eu girar
Eu quero ele, só ele
É ele quem faz o coração disparar

Eu quero ele
Esse aqui sim
Não o menino de cabelo cacheado
Tampouco o de olho esverdeado
Eu quero, ele

Quero porque ele mergulha
Porque incita meu ser
Mesmo quando o silêncio impera
Mesmo que faça isso sem saber

Eu quero ele
Ah quero ele
Mesmo sem saber por que.

Friday, 6 March 2009

Me sinto perdida, ferida e isolada.

Incrustada de pequenos cristais de vazio

Com brilhantes de nada

Sinto-me como vento arrancado de perto da praia

Pele arrancada da carne

Dor e sofrimento se espalha

Não encontro consolo em nenhum canto

Nada que de certo alguma coisa nessa vida valha

Porém não saio à procura

Prefiro a tortura

A tortura doce, suave e lenta

De ter meus sonhos todos destruídos

Pela tua voz que silenciosa alenta.
sei poucas palavras bonitas, mas as que conheço, quero recitar só pra ti

Thursday, 5 March 2009

No inferno dos meus esboços mal escritos
Tu era a única coisa que fazia algum sentido.

poesia pequena e nada a ver

Ao final de uma noite quente
Brado aos quatro cantos do mundo
Oh meu Deus por que tanto sofro?
Por que meu coração é tão imundo?

Penso que preciso sentir
Mas sinto que é melhor pensar
Pensar me leva ao brilho
Sentir só faz-me chorar

Devastada por paixões vazias
Lotada de sentimentos lacônicos
Procuras em meus olhos demasias
De carinhos para um ser anônimo

No meu travesseiro, um consolo
No teu olho a inspiração
Para a poesia, apenas um adorno
Para desmistificar meu coração
Para a multidão...

Com quem estás? (conquistas.)

receio que juras de amor
ancoradas em versos poéticos
não bastam para o teu coração aflito
que chora alto e calado de dor
rumando ao sofrimento infinito

portanto não me atrevo
continuo sutilmente a dedilhar
pequenas palavras que poetizo quieta
a fim de (talvez) te conquistar

é uma conquista silenciosa
silenciosa e talvez unilateral
conquistas quem manténs receosa
de uma paixão visceral

e assim me vejo refém
de escrever porque assim o quero
escrever porque assim te quero
escrevo para ir além

e as poesias apenas ressurgem
de ímpetos de saudade
do teu rosto ainda nítido
na minha mente, uma raridade

talvez estenda-me mais um pouco
para escrever o nosso idilio
idilio de amor meio louco
súplica aos céus pelo teu brilho

não te faço estrlela
nem me faço lua
espero por pancadas esparsas de lucidez
ou de loucura
só para no fim, ser apenas tua.

Crime premeditado (poesia incompleta. ou não)

Ontem eu não amava ninguém
Hoje sigo sem amar
Te amo talvez porque me convém
Te amo se assim me inspirar

Não sei fazer versos direito
Principalmente versos de amor
Sempre senti um vazio no peito
Sempre fui escrava da dor

Mas da poesia eu só, vivo
Da poesias sobrevivo
Dou vida ao que não tem vida
Pego o sonho e o recito
penso que teu sentimento sobre mim recai como véu, como seda brilhante num tênue tocar. quando leio tua mente, tua divagação, teu (des) espero, sempre espero poder ali me espelhar.

às vezes acredito que esse véu não recobre a minha pessoa porém devido à minha natureza de sempre buscar algo em que me apoiar, divago nas poesias que fazes com coisas que desconheço, mas aprecio com cuidado e com grande admiração.

sei bem a quem falo, apenas não sei de que jeito e com qual propósito. se eu parasse de fazer isso, certamente deixaria de existir e não existindo, sobrariam tão (só) mente essas últimas palavras...
O difícil não é lidar com a saudade incessante e insistente no meu peito. O difícil é a espera por um desfecho, uma decisão. Haverá saudade ou não? Então, com a mão no coração e a cabeça jogada ao vento divago pela rua com pensamentos devagares tentando discernir os sentimentos que ora caminham para o teu lado, ora fogem de teus afagos.

Afagos que ainda não existiram e se existirão ainda é mistério. E é todo esse processo lento e complexo que vai matando pouco a pouco cada célula do meu corpo. Não é que a tua (possível) rejeição me afete. A questão maior é saber se as coisas poderão se desenvolver mesmo que no seu estágio mais simples.

Noites sem dormir pensando no que será que estás pensando, momentos de me perder imaginando como seria se alguma coisa existisse bem na hora em que eu deveria estar raciocinando Linguística e não a tua boca. Coisas assim. Faço isso? Não faço? Escrevo algo? E se entenderes tudo errado? E se der tudo certo?

O que me mata é o ciclo, não o resultado.
E não tenho coragem de desbravar os teus olhos porque querer te descobrir implica em me (des) cobrir também...

Wednesday, 4 March 2009

e um dia te cansas
de beijar tantas bocas vazias, abraçar tantos braços inertes, apertar tantos corpos amorfos...

e dói pra caramba!  a pessoa tenta terapia, psicologia, acupuntura, os cambal. e o que resolve? só tu sabes.
Se escrevo uma linha, tudo o que vem de ti depois, é algo como tudo aquilo que já foi dito, só que (per) feito por tuas mãos.
O que me mata é o ciclo, não o resultado...

Poetas, poetas, poetas

tua concentração
é o motivo do meu queixo caído
um anjo pintando emoção
no meio de escombros, perdido

teu falar me ecoa longe
tua poesia é de encantar
nossas vias de mão dupla tangem
ao inevitável suspirar

eis que não sei o que poeto
não sei que poeta sou
sei que em poesia pensei
e logo teu nome me abraçou

e com os passar dos dias reflito
sobre tudo aquilo que sinto
o precipitado é por si só precipicio
para suicidar meu coração aflito.
Faço sim, a poesia que sinto vontade de fazer. Porém céu é apenas céu, flores são apenas seres frágeis e coloridos, o sol é apenas sol e a lua é apenas mais uma lua no Universo. O que a gente procura é sentimento. É aquele suspirar, é o próprio suspiro em pessoa, é aquele sorriso que evitas sorrir porque tens medo que os olhos daquele outro ser que te serve de tantas sensações assim sem saber, descubra que estás a (di) vagar pelo mundo sozinha, mas suscetível à mudanças no percurso...

E o mandas procurar respostas em outros livros, outros versos, aprecias o encanto que nele habita, a obscuridade do ser te fascina e não há como fugir disso.
Por tudo aquilo que te considero... apenas (re) corro à tua imagem, (re) busco palavras para explicar algo que nem sei direito o que é.

Só sei que me deixa bem. E disso, eu gosto.

Tuesday, 3 March 2009

Eu preciso ir devagar...divagar, vagarosamente pela tua pele. Te descobrindo pela manhã e te redescobrindo à noite, com a lua tão sedenta por poesia lá no topo do céu...

Vagarosamente tocar os teus lábios, assim despretensiosamente, só pra saber se vai ser legal beijar. Vagarosamente respirar frente e a frente, em frente à ti, respirar no intervalo de um beijo que pra mim pode durar 1 minuto ou uma vida, eu só quero saber se é.
Não sei como me enxergas, só sei que fui feita pra ti agora.

Ensaio do amor inventado?

Sei que excedo limites escrevendo tais linhas ao teu rosto e teu sorriso por vezes disforme mas é que simplesmente tu tens sido a coisa que me faz parar aqui pra pensar e em seguida escrever todos os pensamentos. Porque não posso viver sem isso. Tu me entendes?

Ah entendes. Porque também é de ti, viver assim.
...só posso suspeitar, menino de cenho franzido, que nossas linhas se encontraram, mesmo que na profunda imensidão do meu imaginário...
O que vejo é abismo...

cair...

cair...

cair...

e no fim de tudo, lá no fundo do poço, de cara no chão só levantar o olhar e ver estendida a tua mão...

O caos

Às vezes eu sinto um vazio e toda poeira começa a se movimentar, formando então o enorme montante de poeira e solidão que se alastra dentro de mim.

Em meio ao caos, ele surgiu. Não sei de onde e nem sei se surgiu de verdade mas simplesmente apareceu. E hoje me pergunto será que ele pensa que minha alma resiste à tantos declínios e olhares pessimistas?

E respondo: resisto sim (existo, sim), porque na real, eu e ele somos iguais.
...e o medo consiste na dúvida se sou ou não a musa digna de tantos finos traços que fazes na tua tela, quais as cores que reservas para mim?

nem mesma sei se me enxergas colorida, só sei que eu te vejo brilhar cada vez mais no meu escrever...

(no meu escrever, te (des) crevo todo meu...)

Monday, 2 March 2009

...se choro, se tenho vontade de gritar não é unicamente a solidão e sim a incapacidade de sentir qualquer coisa nesse momento e tudo aquilo que sinto por ti (e é de verdade) tenho medo então eu saio de cena...

Sunday, 1 March 2009

Misteriosa midnight

E como quem procura por um pouco de redenção fora de garrafas de vinho, bato incansavelmente à tua porta na esperança de que tu não me deixes na rua, definhando de tanto tentar.

Seja um escritor em poucos minutos...

Os instrumentos de escritores (que quase nunca se dão por conta de serem aquilo que são) estão muito além do computador, da caneta ou o bloquinho de papel. Anote no seu manual de como ser escritor (será inútil pois é um dom e se você não tem, I'm sorry baby): depois do equipamento tecnológico ou rústico para o armazenamento das palavras que têm por intuito formarem algo criativo você precisa virar os olhos para dentro de si e enxergar tudo o que conseguir. Ou olhar para quem está do teu lado e colocar teus olhos dentro dessa pessoa. É antropologia pura, é observação, é tédio e caos o tempo todo. Será por essa razão que nem todo mundo queira entregar-se aos prazeres da caneta Bic? Ahhh é tão difícil! É árduo, não? É divino e sofrível aguentar a pressão, aguentar a reforma do português, suportar as causas/efeitos do fazer e escrever.  

Tolos e covardes aqueles que desistem do seu prazer de escrever! Não enfrentam a dor, nosso mal do século como uma dádiva advinda do deus cyber chamado  Technólogus que cada vez nos distancia mais ao nos aproximar!

Ahhh como me perco ao escrever sobre o que é escrever, a ensaiar pelo que não tem necessidade de ser ensaiado pois a própria vida é verso inacabado, é música esperando o solo da guitarra. É, a vida é isso! E o escritor? Ser inacabado tal qual a vida, mas ele sabe... ahh só ele sabe onde que vai ficar o ponto final!

Leviano

Não, eu não julgo tuas palavras supérfluas, levianas ou simplistas eu apenas acho que elas não me causam nada ao coração. Acredito que estejas remando contra a maré, pior do que isso, acredito que estejas sendo levado com a correnteza, deixastes teu mundo à Deus dará, ó meu bem, farás o que? Tão assim... pouco dono de si, tão personagem de história onde o escritor te rebusca, te rabisca, apaga teus adjetivos, não não, adjetive-o mais um pouco, ele será protagonista, não, não! Será o antagonista! E essa agonia se espalha por ti, todo em ti porque já perdestes a tua essência, não sabes exatamente em qual porto ela foi parar. Eis que estás aprisionado (ou talvez liberto?) na ponta da caneta de quem te escreve, quem pinta e borda com o pouquinho de alma que tens aí, a alma que supões possuir para poder formar frases tão sem efeito, que derrota. 
Eu nunca (ainda)  li nada do Bukowski além de frases dispersas e nem por isso cortei os pulsos. Eu apenas busco o genial cavando areias, escalando muros, pendendo de montanhas altas. Sim, busco os geniais e nem falo disso por estar em frente ao espelho agora.

É tudo pelo (cri[a)tivo].
E ontem lembrei de ti. Ah não sei exatamente em qual momento e nem qual lembrança trouxe teu rosto à minha mente, só sei que lembrei. Não consigo verbalizar o que senti. Acho que perda... perda de não poder ter tido ganhar. É mais ou menos isso. Tenho pensado em tanta gente, sabe? Não, não, meu coração não está habitado por ninguém no momento. Eu só uso figuras para criar versos. Afinal foi o que me restou, não?

E tu? O que segues contando nessas páginas verde-limão? Eu não sei... não te sei não... 
...e me pergunto todas as noites, antes de cair no sono... onde será que guardas esse teu (pro) fundo branco, transparente? Em que plano do espaço é possível ver além dos tijolos maciços que construístes (ao redor de) em ti? Seria só para que eu não conseguisse enxergar nada, nada de nebuloso para seguir amando esse mistério que se esconde nos teus olhos ou para poupar-me de paixão mais arrebatadora se pudesse mesmo colocar as mãos no teu ser... pouco a pouco?

Questionamentos se (or) valho alguma coisa... (texto original em Dileta Diletãncia)

E não é por causa disso que escrevemos? Por ficarmos encobertos por todas as lágrimas, todas as brisas?

Lendo e escrevendo (mais uma advinda de diletâncias pré-escritas!)

Só converso com verso, do contrário não quero saber, mostro apenas meu (in)verso enigmático, sem mistério.

Completando diletâncias de César

Poeta sarcástico, escritor enigmático, ser humano problemático...