Tuesday, 20 October 2009

E aos poucos, retorno a mim. Mesmo que isso signifique cada vez mais sair, desprender-me ter vontade de não estar. É nocivo e arranca junto com as esperanças, arranca a minha pele, marca, fere, deixa ali, aberto.

Estar em mim, é estar totalmente fora. Fora da vontade de ser.

Monday, 19 October 2009

meus navios internos, minhas naus, minhas náuseas... sempre que em contato com o porto seguro, não conseguem conter sua fúria, toda a sua carga interior, talvez seja o cheiro que vem das profundezas do mar. sabe-se não.

o caso é que sempre acabam soltando seus nós e voltam às profundezas, sempre no intuito de afogar a poeta no sentido puro da palavra afogar. mais do que sufocar, sim, tirar todo o ar e passar dessa pro lado branco da força.

Wednesday, 7 October 2009

Insônia

O poeta é um ser híbrido. Um enganador, um fingidor de si, para si e para todo o resto.
[O poeta] tem nas mãos as chaves das portas do céu e do inferno, é ser e sumir, é existir e morrer (mais morrer que existir).
Universaliza o grão de areia, maximiza as flores do jardim, o poeta é lente que tudo distorce, nada perdoa, mas tudo é sincero.
É multiracial em sua singularidade, não compreende por vezes o eu lírico, o você lírico, nós e nossos lirismos.
Não tem propósito nenhum na vida, aliás vive dos regressos ao passado que o feriu e de viagens imaginárias ao futuro que nasce morrendo. Não pensa demais para evitar as dores fortes da mente porque viver para um poeta, pesa.
O poeta não dorme. O poeta ama, mas ama tão intensa e visceralmente que não consegue mais inventar metáforas (nem fugir da poesia quando o sono lhe é caro). O poeta jaz pálido, caído na calçada porque a única coisa que vivia em vida era a tal da poesia.


7/10/09, 02:09 am.


Tuesday, 6 October 2009

A-braços.

Creio que a maior angústia da minha vida seja estar onde não deveria. Deveria estar à frente. E ao mesmo tempo, estou exatamente onde queria estar, não desejo outro lugar a não ser este.

Monday, 5 October 2009

Ah o paraíso!

Se eu pudesse descrevê-lo,
em textura e cheiro
teria perfume do teu cabelo
e a lisura que o mesmo afago

(...)
Às vezes minha vida é só areia
Areia caindo da ampulheta
Passando apenas em via única
Tempo que só sabe passar, sem garantias
Sempre tento agarrar o agora com as mãos como se teu corpo pudesse se estender muito mais do que isso, como se ao abrir os braços, tu abraçasse o mundo... mas não. Eu não consigo. O momento é líquido e a minha memória só quer voltar.
Ah vida... há quanto tempo não sei te viver direito? Porque te viver, só me dá medo.