Friday, 31 July 2009

(Eu) Resto

me apego a pedaços
a restos, fragmentos
tanto que fragmento aqui
os tantos pedaços meus

e não é fácil
caminhar por tão tênue linha
do universal e biográfico
quando me perco no mundo inteiro
e me descobrir sozinha

enquanto o sono não me alenta
imagino em pensamentos voláteis
sempre que a minha alma salta
em um precipício ela bate
e volta

nem as músicas tristes
nem o beijo mais doce
nem o sorriso mais shining crazy diamonds
faria sumir o vazio que teimo em sentir
quando tudo é nada
quando nada sei e nada sinto
só prossigo.

Wednesday, 29 July 2009

a poesia respalda
cada grito do meu coração partido
sem te ver, sem ter sentido
os teus olhos na hora que se esvaem

porque o lirismo aceita
cada minuto que parecem anos
cada canção que parecem ruídos
todo riso com gosto de pranto

só a poesia supera
o vazio momentâneo
o vazio que me degenera
quando eu não estou contigo

Sunday, 26 July 2009

[Untitled]

fazes meu coração doce
me fazes tola diante do mundo
tornas meu sorriso fácil
me mostras a razão no absurdo
exterminas o resto das pessoas ao redor
nem os pássaros cantam, tudo é a tua voz
calma em noites de tempestade
a mão na minha testa quando eu tremo de preocupação
ah tu
tão longe e tão perto,
deturpador do meu pensamento certo
provocador do meu inverso
instiga meu lado dark da lua
e findar de escrever é impossível
não sou mais de estrelas, e sim, tua.

Friday, 24 July 2009

Amor meu

Suspiro dado
A cada esquina que dobras
Amor que chegou sem eu ter esperado
Amor que desacreditei
E passaram-se as horas

Amor meu, quase inalcançável
Quase irreal, intocável
Puro, obsceno, suave, denso
Assim és, meu amor meu.

E se passam dois minutos e
te esqueço
Logo me vem a dor no peito
E relembro que és

No sorriso e no choro
Na chuva ou no vento
À ti poeto, diariamente
Cada linha desses versos
Amor meu.

Poesia sem compromisso de ser isso ou aquilo, como a maioria das que posto aqui. =)

Thursday, 23 July 2009

...tudo se faz perfeitamente claro agora.
O choro, o medo, a fuga, o suspiro. A hesitação. Tudo se mistura e grita dentro de mim colocando mil questões na minha mente, achei que pudesse lidar com isso mas roubaram a parte que em tudo crê e tudo espera. Enquanto isso sigo meio fantoche meio dona de mim, buscando uma resposta plausível para o medo que sinto toda vez que chego perto de ti.
Não importa o quão rápido eu tente correr...a realidade é sempre mais rápida.

Tuesday, 21 July 2009

E toda a fonte da minha inspiração não é nem o teu jeito de falar ou a tua mão que me puxa pra perto. É que quando eu abro o olho e o teu rosto está de tal forma colado no meu então eu consigo respirar o ar que respirastes, aí sim, sinto-me como se estivesse de frente para o espelho.
Sentiria-me vazia assim se estivesse a dois dedos da tua boca? Certamente o teu corpo é pecado e redenção, algo muito maior, muito mais encantado para que eu encoste a ponta dos meus dedos.

Friday, 17 July 2009

e enquanto a minha alma balança na sintonia da música
eu me pergunto por que me fazes tanta falta
por que roubas tanto o meu fôlego
se amar assim não era algo de mim

Wednesday, 15 July 2009

todo mundo tem uma lacuna. seja grande ou pequena, todo mundo tem.

todo mundo tem um abismo, um lado negro da lua, todo mundo tem um poço sem fundo, todo mundo tem medo do escuro.

todo mundo dança sozinho no quarto, todo mundo ri que nem louco para o espelho. todo mundo grita quando acorda no frio, todo mundo chora de desespero.

todo mundo se embala na música, todo mundo um dia já quis ser canção. todo mundo se perde no vento. todo mundo já pensou em escrever sobre todo mundo, mas todo mundo são todos tão iguais.

e em todo o mundo cada qual, cada um me encontro não nos olhos de um ou dois mas no fundo dos meus próprios porque agora reconheço-os como sendo meus.
O normal às vezes me assusta. Não me balança. Não me puxa nem me solta. Não me abraça nem me corta. Não me questiona nem me responde.

O normal só me incomoda.

Tuesday, 14 July 2009

e o teu grito ecoa do lado de fora
da rua que pouco a pouco some na névoa
nos segundos agonizantes da espera
justifica-se mais a tua demora

poesia interminável
jamais pensou ser escrita
busca pelo verso perfeito incansável
algo que preencha essa última linha

Monday, 13 July 2009

objeto indireto da minha sentença sem complemento
meu copo vazio em dias de alento
onde só te encontro quando me olho no espelho

Friday, 10 July 2009

Poemina nada a ver, but...

meu coração é um pedaço escasso de nada
víscera perdida na névoa
do predador, preterida caça

objeto de muitas maledicências
crises, grunhidos, tudo sem sentido
acaso, prefácio, prólogo
turbulência

cápsula obscura
que não suporta mais seu pesar
estado crítico entre o belo e a penúria
o teu amor a mendigar

e assim eu recriei
tudo o que sentira um dia
volto à escrita não porque é bonita
mas porque me liberta da agonia

Thursday, 9 July 2009

verbo de minhas frases perdidas
fruto da paixão estendida
verso que nunca acaba na próxima estrofe
graça suprema dessa vida

limite da minha fronteira
que eu jamais havia conhecido
entre o eterno e o perene
és tu quem dormes enaltecido
fundador das minhas guerras internas
das agonias incertas
do calor que me revela


provavelmente esse trechinho vai juntar-se ao poeminha anterior... essa composição vai longe.

De tua autoria

Autor dos meus manuscritos
Discrepância dos meus descompassos
Timbre alto do meu riso
Formador dos meus finos traços

Matéria-prima do meu viver
Asa do meu sonho sem fim
Finda aqui o meu sofrer
(Re) criador, formador do meu eu em mim

Autor do meu embaraço
Autor do acaso, do afago
Merecedor do meus passos
Do meu espírito vago...

Friday, 3 July 2009

Quem sou eu para livrar-te de teus algozes?
Para suavizar tuas chagas, amenizar teu pranto, dissipar a penúria da tua rica vida? Quem sou eu?
Livrei-te do mundo sombrio ao te jogar às sombras, que fiz? Não entendo meus atos e por mais nobres que fossem creio não ter colocado em teu peito um certo alento que te fizesse repousar. Voltastes do topo da colina, montado em teu cavalo quebrado e quando chegastes perto de mim pudestes ter a certeza de que nada te carregava a não ser as tuas próprias pernas. Me observas como se dentro dos meus olhos pudesse haver alguma saída, mas me perdi. Em tudo aquilo que poderia ter feito para guardar teu sangue em lugar oculto. Eu o faria.
A quantidade de feridas que carrego é inversamente proporcional à quantidade de vidros de Merthiolate que a vida me dá para curá-las.
tinha poeira, muita poeira no meu quarto
mas aquela crosta cinzenta de certa forma me protegia
das vozes agudas, das paredes geladas, dos toques insensíveis
eu não queria limpar, eu via sentido no vazio que ocasionava a poeira
eu via tanto sentido naquele aglomerado de partículas que era capaz de mantê-las ali pra sempre
mas alguém varreu a poeira
e não fui eu
alguém varreu a poeira pra longe. seria o vento?
oh, dúvida. agora, eu vejo o vazio, é um buraco, um vazio preto, mais feio que as cinzas

o abismo acaba comigo.

Wednesday, 1 July 2009

Poema da volta (à escrita)

Dizem os anjos deprimidos
Que existe brilho no meio da penumbra
Proferem cantos que parecem prantos
Uma alma afoita, se deslumbra

Vozes de anjos que me atormentaram
Calam-se surpresos pelo sol
Da vida conservo a determinação
Meus sonhos ainda não definharam

E se meu versar repentino (repetido)
É digno da questão
Quem será?
Calmamente te respondo

É para quem um dia
Está por chegar.
quando tua querida imagem
no invólucro que minha alma sela
os pensamentos tardios
se perdem no frio
eu me desfaço em suspiros
ao te olhar pela janela
voa alto, Fênix suprema do amor perene
voa até ele e diga que me espere
enquanto no breu, meu coração treme