Saturday, 28 February 2009

Ensaio da (In) Atividade

Nada melhor para começar um ensaio, intra oficial, do que demonstrar a inatividade do ser esparso...

______________________________________________. 

Friday, 27 February 2009

Antropologia do consigo mesmo.

Coloquei-me em meus braços e me pus a chorar. Sim, a identidade 2 cuidava da identidade 1 porque não sobrou ninguém no mundo para dar um afago nos meus cabelos. Ninguém pra me olhar e sorrir, simples assim para olhar e sorrir e sentir aquela coisa que só as pessoas que enxergam um sorriso real sentem...

É todo um processo. Primeiro, você escala. Talvez em um momento ou outro de vaidade, sei lá. Perde alguns quilos, o pessoal diz que você tá ma-ra-vi-lho-sa e sim, você corre para o topo porque pensa que lá é o seu lugar.

Mas os dias passam e o poço é paciente. Ele não precisa ir até você porque sabe que daquela altura, chegarás rapidamente até ele. O poço então permanece estático, apenas preocupando-se em conservar a escuridão, pra te devorar rapidamente e dolorosamente como alfinetes pelo corpo inteiro.

Tu entendes o que eu tô falando? Provavelmente não. Ahh se eu pudesse te perturbar com esses assuntos de tanta irrelevância para o teu mundo algodão doce amarelo... mas não devo. Seria muita petulância colocar toda a minha tragédia, todo o meu drama dentro desse teu mundo preto e branco/colorido, amor, frissom, tudo junto. Teu alto e o teu baixo, teu timbre de voz mudando, tu, todo mudado, dos pés à cabeça. De braços abertos, querendo abraçar meus problemas. Não... justo jamais seria, mas me faria um bem. Iluminaria um pouco o poço fundo. 

É assim mesmo que as coisas acontecem honey. É um minuto e meio para que surjam mil e quinhentos pensamentos que antes estavam perdidos e agora continuam perdidos, mas nessa folha de papel amassado. 

Eu te dou meus braços para que possas cortar-me o quanto quiseres, mas antes eu vou mergulhar, vou mergulhar em ti... processo de criação, saca? Nem é criação, é esculpir mesmo. Ainda não sei em quais partes eu vou mexer mais, talvez essa tua perfeição disforme me incomode. Mas eu quero. Tudo que me incomoda me desafia e me empurra pro melhor, me empurra pra vida. 
Becos sem saída, cubos sem medida, almas em pedaços, pele em feridas...
Busco um buraco de meio metro um pouco profundo pra enterrar o meu interior imundo que não se adequa ao mundo! Que mundo repetitivo esse no qual me insiro!

E se compartilho com tua doce pessoa, disparates de ontem à noite, devaneios do cair da tarde é porque considero tua alma deveras transparente para compreender os anseios de meu coração saliente.

Tu me devolves uma coisa que pareço jamais ter possuído, algo que encontra-se enigmático por detrás da tua retina, um morno de gente quieta submergindo tuas digitais. É perigo constante querer desvendar o que tem por detrás da fotografia, imaginar o teu cheiro e tentar fazer poesia.

Teus versos são esparsos ainda, tua escrita não fixou-se ainda em minhas entranhas e quando mergulhas no meu inconsciente trato logo de me trazer para a superfície.

Diga-mes o que és, capitão! Não sabes ancorar teu barco em porto nenhum como serviria-te de porto seguro? Não seguro nem as portas do meu mundo louco!

Deixemos que a brisa repouse no nosso epitélio, deixemos que o mar encoste nossos pés, saibamos a hora de revelar segredos, falemos do desejo que nos mantém nesse contato de não ter contato algum.
Raios, tiros, pancadas, facas, estacas e solidão venham ao meu encontro para despertar-me novamente aquele respirar poético que fazia-me tão capaz de dar vida ao abecedário.

Venham musos verdadeiros, musos falsos, musos inventados para mais um verso de amor inexistente, largado nos fundos de uma gaveta sem fundo.

As folhas brancas continuam brancas, as teclas sentem falta da pressão constante. O único zumbido que me faz sentir agonia e raiva é o batucar da obra interminável, mas não sou eu quem está sendo esculpida.

Peço para uma subdivisão de mim que acorde, estamos sim no auge, estamos voando alto demais para adormecer justamente agora. Estás no clímax do teu espetáculo, que continues teu brilho de louco diamante...

E até um diálogo de mim comigo vira tentativa de escrita proveitosa, um impulso que talvez impulsione a capacidade de tocar o imaginário novamente...

Falta de inspiração

Bato na porta de casa
Como a chuva bate no telhado
Insisto entrar num local proibido
Eu tenho medo dessas águas rasas

Finco a estaca no peito
A angústia ainda é morna
Matando a espera
Olho nos olhos de um ser maldito
Esquecer os espinhos, ah quem me dera!

Caminhos, desvios
Eternos labirintos internos
Só percorreria o abismo se fosse do avesso
Mas corro pelos becos
Com meus pedaços enfermos

Toca música onde baila a inspiração
Dança girando pra longe da luz
Dança cruzando a fronteira da escuridão
Rodopia me lançando à cruz

Suporta esses versos tímidos
Cabisbaixos, rimas fracas, sem mistério
Assume que nada tens de vívido nem vivido
Te recai a culpa do escrever inútil
Do talento que parece estar por agora perdido.
A inquietação bate quando a gente olha pela janela e vê que o sol está brilhando lá fora e aqui dentro tudo está ficando apagado.

Voltaaaa inspiração...

Thursday, 26 February 2009

Sem inspiração, sem ação e sem razão. 
E tu...

Significas mistério
Significas proibição
Significas dor no peito
Significas minha distração

Cantas porque és canção
Cantas porque sabes o tom
Cantas porque o mundo é árduo
Cantas porque és feito de som

Escreves porque teus dedos suplicam
Escreves porque a vida é escrita
Escreves porque precisas de prosa e poesia
Escreves porque assim fazes com que a alma resista

Me feres porque não sabes nada
Me feres porque representas tudo
Me feres porque não controlo sentimentos
Me feres porque assim é com todo mundo

Digo adeus porque me dói menos
Digo adeus porque assim tem que ser
Digo adeus sem querer desgrudar dos teus dedos
Digo adeus porque não quero me perder...

Wednesday, 25 February 2009

...eu sei que sempre fui grande, forte e legal, mas eu desabei, sabe? Cuida de mim, junta esses cacos...
...e por mais que doa, por mais que incomode, mesmo tendo vontade de gritar, tendo ímpetos de raiva...ainda assim, resistes. Resistes por uma razão única e indiscutível: só tu tens na ponta desses dedos a capacidade de encostar nas estrelas mesmo que para isso estejas com a ponta do teu nariz encostado no chão...

Tuesday, 24 February 2009

Madrugadas Insanas #9

A manhã fria foi um pouco piedosa, o sol enorme, rico, ouro puro no azul do céu fez questão de emitir longos e tênues raios naquela superfície. Alguns raios eram tão poderosos que conseguiam driblar as folhas que tentavam fazer um muro. 

Ela nunca fora muito resistente à claridade, portanto foi a primeira a abrir os olhos. Estava com o nariz encostado no ombro dele. No seu campo de visão só era possível enxergar a garrafa de vinho vazio, provavelmente rolou pra longe durante a noite.

Tentou não acordar o garoto mas precisava olhar no relógio que horas eram, mas seus movimentos fizeram com que ele se espreguiçasse e enfim ficasse alerta. 

"Hey" - disse. "Hey you" - respondeu ela.  Ficaram durante muito tempo olhando dentro do olho um do outro buscando uma sensação, um sentido, uma explicação para aquela série de eventos que soavam tão absurdos na noite anterior mas que foram simplesmente para o espaço depois de um simples toque de lábios.

Mesmo querendo acreditar que sim, teriam uma chance, uma única ficha para apostar, sabia que o mundo era maior e as pessoas eram cruéis. Sabia que as palavras causam dor mesmo quando não tem ninguém que as pronuncie. E entendia que aquele não era o momento, era apenas uma confusão. Uma confusão que sempre existira e que estava despedindo-se.

E ambos sabiam que era insano, que não era de lei aquilo. Era das leis do coração mas não seria nada suportável. 

Olhou para ele e sorriu. Ficava extraordinariamente lindo deitado na grama e com cara de sono. Ela precisava ir embora. Uma lágrima rolou e ele também fechou seus olhos para chorar. Um suspiro, um grito, um pedido interior de coragem. Ela foi até os lábios dele e beijou-os com toda a intensidade que conseguiu.

E ele então fotografou a última imagem dela, partindo até virar uma sombra, depois fantasma, encoberta pelas árvores e o sol da manhã.

Monday, 23 February 2009

Nada ao Norte

A nuvem nada ao Norte
O nada nesse reino impera
Te olhar tem gosto de morte
Teu coração, é a minha quimera

Explorar sonhos vazios
Onde o brilho imenso se desfaz
Dedos débeis de toques frios
Nem doer, a solidão dói mais

Voa pássaro branco ao Norte
Aos caminhos jamais desvendados
Lanço a qualquer corpo a minha sorte
Estaciono o olhar no sorriso velado

Acabam-se os meios, acabam-se os fins
Golpeio o passado 
Recorto o presente
Colo teu estereótipo em mim

Brilha lua branca no céu
Coisa única que brilha depois da realidade
Pensamentos mórbidos largados ao léu 
Flutuando de um não sei o que sentir saudade

Encara assim as paredes mofadas
Encara em ti essa luta perdida
Encara que hoje és foto amarelada
Aceita que serás esquecida.

Sunday, 22 February 2009

Madrugadas Insanas #8

Eu sabia que não tinha o direito de sequestrar a sanidade daquele menino, ou então (cor)romper suas idéias, influenciar seu destino. É que a festa estava rolando solta e ele de repente apareceu ali no quintal e me ofereceu um pouco de vinho. Peguei a garrafa e senti aquele gosto passando pela garganta com a intenção de que a vida pudesse ser bebida daquela forma também.

Mas o estrago já estava feito. Os pequenos olhos amendoados ficaram enormes, de certo assustados com a minha sede de vinho, sede de vida, de coisas que me alterassem o estado normal, que me tirassem da inércia. Coisas que fossem o F necessário para que a massa vezes aceleração me colocasse em movimento. De certa forma eu estava dentro do cérebro daquele garoto. Talvez ele nunca tivesse pensado que aquela vida que ele presenciava agora existia 24 horas por dia e 7 dias por semana. Fora do quartinho azul com cortinas brancas que mamãe decorou para ele, existia um outro mundo. E eu era o caos, mas sentia que ele sentia a paixão pelo caos. E esse, era novamente mais um começo de fim, que sempre termina como bem já sabemos.

Após um minuto de silêncio e meia garrafa de vinho bebida, resolvi passar o recipiente pro carinha ter a oportunidade de encostar na minha saliva que fixou-se no gargalo. E ele então bebeu. E enquanto bebia, me olhava fixamente e eu o olhava de volta sem desviar o olhar porque, por mais que isso me desse uma vontade de rir - talvez pela bebedeira, sei lá - eu não conseguia sorrir. Eu apenas olhava e dizia "sim, é isso mesmo". Estávamos tendo uma conversa telepática. 

Ele então colocou a garrafa no chão e nesse momento aproveitou-se para sentar-se encostado na parede da casa. Lá dentro, as pessoas bebiam, gritavam, dançavam, ficavam doidonas. Na rua, eu me esvaziava bebendo vinho e ele se enchia, se enchia de mim e queria me pegar pra si.

Os cabelos dele movimentavam-se um pouco ao vento. Era tão lindo ver aquela inocência, aquele corpo miúdo. Mas na realidade eu estava indiferente. Jamais poderia. Seria crime, pecado, seria sair da linha, perder as estribeiras, seria insano e repugnante.

Ele não precisou abrir a boca para sequer solicitar que eu o acompanhasse. Saímos em uma caminhada pelo enorme jardim da casa, até que nos perdemos propositalmente por dentre árvores que fecharam a noite. 

Nos deitamos na grama. E ele começou a falar sobre estrelas, sobre os planetas, falou que era muito peste quando criança e que era de áries. E o ascendente, ele achava que era libra, não sabia. E eu nesse momento sorri. E ele então deu uma risada baixinha e tímida, ao mesmo tempo viramo-nos um para o outro, ele encostou o nariz dele no meu e falou "não...eu ainda não saltei de pára-quedas, mas posso parar a tua queda". 

Então ele me abraçou. E me vestiu dele, sem hesitar ele quis amanhecer em mim, iluminados pela luz de estrelas cadentes...esperando o início do fim. 
O quarto escuro era o mesmo. As paredes escureceram com o passar do tempo. Sim, aquele mesmo tempo que escorre pelos dedos quando abrimos a palma da nossa mão e por inocência, talvez, tentamos encontrar o futuro. 

Não... não existe nada demais naquelas linhas, aqueles riscos. O que existe é um vazio quando a gente vê os minutos escorrendo pelo chão. E os anos? Ahh, chega  a sufocar, é pior do que afogamento. Lembranças ruins, destruição, tristes lembranças. O que ganhei? O que perdi? Ah tão imensurável gama de vida que deixei escapar. 

Não contenho as lágrimas, meu rosto logo mergulha na minha própria dor e no meu vazio e a única coisa que pode me fazer sentir viva é pensar no perdido. 
(...) Acho que já não dá mais pra esconder, isso aqui é só sobre eu e você... afinal tu entras por essa porta todas as noites, arrancas as minhas roupas, me sequestra para outra dimensão e só depois devolve-me aos meus sentidos. É, tu és o furacão que passa, remexe tudo aqui dentro, mas quando vai embora, deixa tudo em ordem. E disso, eu gosto.

Saturday, 21 February 2009

Madrugadas Insanas #7

...e beber a tua boca já não me soa mais como absurdo ou acaso, é como tinha que ser, era como ter um déjà vu, era como entrar em transe. Nem me custou nada pisar nas nuvens, a textura fina dos teus lábios foram os tickets para essa viagem de ida sem volta.

Então, um pouco absorta encontrei o paraíso e te prendia junto ao meu corpo como quando a gente escuta uma música e praticamente consegue entrar dentro dessa música e fluir junto, unidos e além. 

E não consigo, meus lábios dão voltas nos lábios teus, minhas mãos procuram e captam os braços teus, e eu saio em busca do teu cheiro e nos teus cabelos venho disposta a me perder. Um mundo ou um universo ou quem sabe um sonho de tamanhas coisas insanas, eu sei, todos chamariam-me de louca ou algo parecido mas nada mais importa. 

Demorei uns minutos para (ainda com os olhos fechados, apenas nesse intenso momento) entender ou perceber que aquilo estava sendo realmente necessário. Não queria mais nada que pudesse cair em desuso. Mas aí, te encontrei. E caí na tua boca. 
O que terias a dizer-me se de hora para outra eu simplesmente começasse a te contar todos os conceitos que penso sobre amor? Acharias talvez estranho e com certeza chamarias de delírios, disparates, argumentos infundados. E poderias ter razão de fazê-lo afinal a tua visão anda tão deturpada ultimamente. 

Não podemos lutar contra os fatos. Sentimentos são mortais (matam e morrem por assim dizer) porém os fatos... os fatos existem e chegam a sufocar-nos se assim permitirmos. 

E tu podes nem (querer) entender nada disso mas as peças aqui encaixam nas peças daí, só que tu nem quisestes ver nada. Nem ouvir. Simplesmente não abristes a caixa, rejeitastes a surpresa.

Friday, 20 February 2009

Era verão de 97. Ela cantava qualquer música dos Beatles enquanto ele dirigia. Olhos vidrados na estrada escura, almas perdidas pela rua e um vazio interno capaz de abrigar mais de mil pessoas. Impressionante como os vazios são cheios às vezes... 

Nada poderia tocar aquele momento, aqueles momentos, nada poderia promover sequer uma rachadura na estrutura firme daquele verão de 97, nada poderia colocar por água abaixo o plano de tornar aquela vida quente, sagaz, corajosa e viva no sentido mais pleno da palavra. 

Eles discutiram muito sobre artes e ciências, literatura e música, sociologia e biologia. Aumentaram seus sentidos pelo toque um no outro, pelo falar, respirar, olhar um com o outro para o outro. 

Mesmo sabendo que máquinas do tempo não existiam, ela, já acabada e não conformada, estava mais uma vez  (se eu soubesse até diria exatamente qual vez era essa, mas certamente já passara de mil) estava sentada na sala. As paredes cobertas de mofo. Apenas uma panela em cima do fogão... sinal de que nunca se importara realmente com o que comia depois que ele se foi. Nada mais importava. No banheiro, sua escova de dentes intocada, as toalhas limpas estavam dentro da gaveta, cheirando  a mofo, cheirando a tempo passado, cheirando a morte do que fora um dia tão vívido.

Só abria os olhos à noite, acho que a escuridão sempre foi muito receptiva com ela, talvez fosse isso que a tornasse tão afim da noite. Passava o tempo que lhe restava trocando os canais da televisão, procurando o rosto dele naqueles rostos. Mas não seria capaz de imaginar como ele estaria hoje. Nada mudara de lugar e isso era impressionante.

As roupas que ele deixara para que fossem lavadas continuavam jogadas em um cesto no canto esquerdo do pequeno banheiro. Ela nunca mais deitara na cama depois da partida. O lençol estava poeticamente amassado exatamente como ele o deixou quando dormiu ali pela última vez há 12 anos atrás. 

E tudo era triste, era triste demais. Uma alma definhava, uma alma pedia um grito de socorro mas não com a voz e sim entregando seus dias ao vento... à crueldade do tempo. 
...e eu só posso concordar com cada palavra que dizes, porque sim, eu sou uma bagunça interna, minha alma vive sendo alvejada por mísseis e bombas que causam o caos total. Eu não tenho como te dizer que estás enganado, eu não tenho como chegar perto de ti e te falar todas aquelas coisas que eu sempre pensei em te falar e inclusive eu realmente iria te falar não fosse o barco ter tomado outro rumo. Não posso mentir... sinto uma gota de felicidade todas as manhãs porque estar vivo é legal e tudo. Mas na calada da noite, quando ninguém pode me ver, enquanto todos os corpos e almas repousam, eu ainda te olho imaginariamente e te falo tantas coisas. Acabo sonhando contigo, inevitável. Ainda assim me dá uma dor no lado esquerdo do peito por tudo o que eu queria ter dito e não disse... não por falta de coragem, ou de vontade. Eu apenas não era o perfil... eu era a guerra e tu queres paz. 

Thursday, 19 February 2009

...e hoje, em um sonho quase real, tu me explicastes que não, não podia ser porque eu não tinha o perfil. Eu era uma estrada fora do roteiro, uma foto desfocada, a desafinação do acorde, eu era a guerra no Iraque...

Tuesday, 17 February 2009

Madrugadas Insanas #6 (Para ler ao som de Shine on you crazy diamond)

A noite hoje, não sei por que, resolveu me dizer que não era hora de dormir. Que havia espaço para mais uma xícara de café, havia espaço para mais um seriado na tevê. Restavam cinco minutinhos para apreciar a lua. 

Eu procuro diamantes por debaixo das minhas cobertas e tudo que consigo remexer e levantar até o teto são lembranças mal fixadas na minha memória. Mas foi estranho porque no momento em que eu coloquei a mão debaixo do travesseiro, peguei a tua foto. Um pouco danificada nas pontas... mas o seu recheio... perfeito. Teus olhos azuis reluziam ali ainda. Como sempre reluziram e eu te dizia que estava fazendo careta por causa do reflexo do sol. Que nada! Que sol? Tu eras meu sol, ah isso eras!

E agora procuro diamantes em algodão, pensamentos em caos total. Procuro vida na escuridão.

E quem há de duvidar que depois da tempestade, não passará a chover diamantes lindos  e brilhantes? Eu falo com estrelas. 
Eu não sei se é indelicado ou apressado mas eu acho que deveríamos nos conhecer melhor. Como? Ah, tu sabes. Desse jeito que as pessoas acabam se conhecendo. Tu sobe comigo no meu apê e a gente toma uma cerveja, bem não estou certa se ainda tenho cerveja na geladeira, mas qualquer coisa a gente vai na venda e compra alguma coisa.  A questão é que estou realmente empolgada porque eu quero te conhecer. Tá, eu sei que a gente já se conhece. Sabemos o nome um do outro, a idade talvez, e umas coisinhas só que não é nesse sentido, saca? 

Eu quero te conhecer mesmo. Saber qual teu signo, com ascendente em qual outro signo. Quero saber se tu eras muito peste quando eras criança, se tu repetiu a quinta-série (ou qualquer outra), se tu já ouviu pagode, se tu já saltou de pára-quedas... 

Ei, como assim perguntas malucas? São perguntas totalmente plausíveis uma vez que eu quero te conhecer, te puxar aí de dentro e olhar o avesso, portanto, prepare o seu verbo porque a noite vai ser longa e a cerveja vai ser pouca.

Tá, tu tens o direito de me perguntar algo também. Manda. Hãn? Por que justamente TU? Ah, e tu achas que tenho alguma noção disso? É tu porque eu gostei de ti logo assim de primeiríssima quando pus os olhos em ti e não é de hoje. Mas sabe como é, a gente só observa as pessoas superficialmente e hoje eu tô afim de ir fundo nesse oceano. Mais perguntas? Ah bom. Ok, eu posso ser a garota mais maluca que você já ousou conhecer na vida mas é que agora me deu uma vontade de fazer tudo diferente.

Seria bem legal saber se os nossos lábios são compátiveis, se o nosso beijo encaixa de primeira ou precisa de treinamento a longo prazo. Seria interessante deitar na grama contigo, do teu lado e olhar as estrelas e falar qualquer coisa que fosse muito muito absurda, só pra que tu continuasses me olhando do jeito que estás fazendo agora e me dizendo pra ficar e perguntar mais e mais...

Monday, 16 February 2009

...e sinto a consciência voltar, mesmo querendo dormir existe algo que me impede. Eu abro um olho depois o outro (é estranha essa possibilidade) e então a primeira imagem que eu vejo é a do teu rosto. Também ostentas um olhar perdido, disperso, dissuadido na imensidão, na leveza, na pureza dos nossos lençóis brancos. Não precisas dizer nada, afinal as palavras foram todas depositadas no meu corpo em forma de carinhos. Sinto que não há caminho de volta, e pela primeira vez na vida essa perdição me faz orgulhosamente feliz, e sim, depois de amanhã ou mais um pouco estarei triste, caída em um canto chorando pela solidão mas a realidade é que a solidão é completamente aceitável e podemos sobreviver a isso! Como eu nunca tinha reparado nisso antes? É maravilhoso, é extasiante, é estimulante pensar que de hoje até nunca eu serei só eu comigo e mais ninguém. Porque esse teu rosto aí, perseguindo o meu rosto é apenas cenário, apenas drama, apenas palco dos meus cantos, dos meu contos, dos cantos da minha vida os quais não dobro, versos das poesias que têm que continuar versando... é preciso continuar e se não fosse esse teu rosto fantasma, eu jamais seria tão eu assim...

Madrugadas Insanas #5

Não precisei de muita coisa, na realidade acho que nunca precisei de tantas coisas. Peguei apenas uma caneta com pouca tinta, um bloquinho que sempre ficava jogado nas profundezas da minha gaveta sem fim e pronto... ali eu comecei a escrever-me, a me pontuar. Fiz toda a minha sintaxe, verbalizei-me, classifiquei-me ora em subordinada, ora coordenada. Que falta de coordenação para escrever a si mesma... utilizando-se de metáforas mais do que previsíveis com o que lemos nas gramáticas. 

Mas ao contrário de verbos e sintagmas ninguém me verá escrita em um livro. Ou sim, quem sabe se esse pequeno fragmento de pessoa vos interessar, gostaria de mostrar o que ainda está por detrás da cortina. Não, não é fácil, sentimos vergonha de nos despir. Mais vergonha de despir-nos de nossos sentimentos e pudores do que deixar o vestido encontrar o chão. 

Me protejo porque não vejo outra saída. Tento me encontrar porque perdida não faço sentido e se não faço sentido não me encontro e se não me encontro, logo me perco e eis-me aqui novamente de volta à ideia inicial!

Além de dobrar na próxima esquina sem a perspectiva tola de achar alguém senão eu, percebo a cada bater de teclas o quanto é bom estar aqui, de frente comigo, ouvindo a música que eu gosto de ouvir, me furtando de mim mesma, me roubando da ilusão e me trazendo à uma realidade que pode sim ser boa porque nada passa de realidade quando nos iludimos, são apenas sonhos mal escritos... não são?

A noite cai... junto com ela, caem estrelas, caem as nuvens, caem os vestidos de meus pensamentos. Eles não encontram o chão, encontram algo que alguns chamam de fé, outros chamam de esperança, só chamo de liberdade. E pela primeira vez eu enxergo-a cintilante dentro dos meus belos olhos castanhos.

Quantos anos terão que passar para que o meu ponto interrogativo, cabisbaixo, cansado, erga-se finalmente para formar uma exclamação? 

Sunday, 15 February 2009

Na calada da noite, na noite calada, no silêncio das pessoas, vazio da rua, na amplitude da madrugada, acordo-me como quem sai de um sonho e saio. Saio de mim ou saio à procura de mim? Eis que já não sei mais. 

Levanto lençóis, atravesso cortinas, saio descalça pisando lentamente as pedras frias, na rua fria, com seu céu frio de nuvens igualmente frias.

E chega um ponto em que a divagação e a capacidade de viajar junto com as estrelas e diamantes me é tomada. Então eu volto à minha cama e caio absorta, despejo o corpo no colchão, a cabeça no travesseiro e sigo sonhando. Quem sabe ali, tudo passe a fazer sentido.
E é intenso e denso esse caminho que faço de dentro pra fora mas só pra encontrar o que está lá dentro. Na realidade é virar-se do avesso para encontrar-se no lado certo. E nasço e morro o dia todo, todos os dias pois algo aqui dentro, que me fez ponto de interrogação, quer ver uma mudança, um resultado, um rompante de libertação.

E eu só fico. 

Saturday, 14 February 2009

Clarice definia-se como sendo "uma pergunta". Eu me defino como sendo o ponto de interrogação. Afinal, é esse sinal que indica a questão. Não há pergunta sem o ponto interrogativo. Não há interrogação, apenas constatação. 

Friday, 13 February 2009

Repara naquela estrela ali. É, essa que se pudesse cair, com certeza o faria bem sobre nossas cabeças. Bem... ela está muito, muito longe daqui. Só temos uma imagem pequena, um fragmento, que é apenas parte de suas proporções gigantescas. Eu nunca poderia alcançar uma estrela dessas, querido.  Por mais que tentasse, por mais que me esforçasse. Não era pra mim. Quem sabe o teu grande problema seja esse... ser brilhante demais. Estás ofuscado pelo teu próprio brilho, pensas que tens respostas, mas inventa-as. Pensas que tens sonhos mas são sonhos de outros. Pensas que tens um caminho mas estás em um beco sem saída. Se eu te perguntasse agora para onde estás correndo, saberias me responder?

Provavelmente não. Eu posso ver nesses teus olhos que um dia tanto me encantaram, a fraqueza e a vulnerabilidade de um ser que o tempo todo para mim significava algo enorme e inalcançável. 

Eu corri. Eu corri, eu tinha um caminho. Fugi de ti, quem sabe porque era melhor assim e melhor está sendo. Abri as janelas e vi que ainda não me encontrara totalmente. E também nada mais  importa. Se metades existissem, mas elas não. Acredito que essa será a nossa última conversa que acontece aqui em mim. Depois apague as luzes da minha consciência, que eu quero é viajar.

Thursday, 12 February 2009

O cenário: qualquer barzinho de beira de estrada que venda cachaça barata. Os personagens? Eu e ele sempre. Sei lá o motivo, mas ele disse que precisava conversar. Algo sobre explicar-se de alguma coisa, "colocar os pingos nos is"... é, esse tipo de coisa mas confesso não entender.

Cumprimentou-me com um sorriso sem nenhuma graça, sem nenhum brilho. Logo, sentou-se à minha frente. Ora olhava o copo, ora olhava para as minhas mãos. Eu segurava o meu copo, bebia uns goles e depois tornava a colocar as mãos sobre a mesa. Sempre fazendo alguma canção com o bater dos dedos, sempre. Ou em qualquer lugar.


Ele ia falar qualquer coisa. Sei lá, quem sabe pedir desculpas. Mas antes que ele começasse a falar eu tomei a palavra... não conseguiria deixar com que ele mais uma vez me soterrasse. Já fizera isso uma vez com ações e eu não deixaria que ele fizesse isso uma segunda vez com palavras que dão nós na garganta. 

Não, não precisas pedir desculpas por coisas que nunca fizestes. Fostes inventado, esses sentimentos todos mentiras guardadas e por bem não as revelei. Não entendes que estás sendo deixado para trás ou não acreditas que um dia eu suspirava dizendo o teu nome baixinho, antes de dormir, cantando a canção? Em quais dessas duas coisas tu queres acreditar? 

Não há espaço para linhas de amor. Ou a gente inventa, ou a gente morre só. Ou só morre. Mesmo que seja morrendo de amor. Amor que não existe, amor que persiste. 

Wednesday, 11 February 2009

...e sinto-me tão capaz de me dar, de me doar inteira pra ti em ti em teu corpo todo pra mim que nem penso se haverão consequências trágicas.

Só sei que nesse momento eu preciso tanto inspirar o teu cheiro profundamente até que o mesmo chegue até os limites da minha pele e viajemos assim por um caminho de ida sem volta, de perdição encontrada, de maldição abençoada.

E eu me enrosco no teu corpo todo, me prendo no teu cabelo, e meus braços em volta do teu pescoço eu sou assim, pra ti, toda, inteira, tua e agora vem e me toma como quem pega um punhado de areia na praia ou como quem toma um gole d'água direto da fonte. Me pega, me passa daqui pra lá, de lá pra cá, me entrega, me venera, me delira, me vira do avesso, me faça. Eu só preciso é que alguém me verbalize, pra que eu nunca deixe de ser, de fato...
E ao som de uma música qualquer, vamos girando, girando, a ponta dos meus pés sobre os teus pés, sim, eu quero ser guiada. E se meus olhos se fixam demais na tua boca talvez o único motivo para isso seja que teus lábios clamam por um beijo e nessa altura do campeonato, honey, não importa se me permites ou não. Eu te selo. Me olhas meio atônito, meio surpreso, meio absorto. E tu então sorris. E eu devolvo o sorriso. E então, torno a encostar a tua boca. Não para selar, e sim para mergulhar, profundamente. 

Hoje eu decidi que vou dormir e acordar só fantasiando momentos assim. Porque agora é o momento de maior importância. Não vês que haviam tirado a poesia de mim? Pois tu estás aqui para me devolver a minha razão de viver! É esse o teu propósito menino!

Então gira-me um pouco mais, antes que a música acabe e o relógio desperte.

Tuesday, 10 February 2009

Madrugadas insanas #4

Bem, agora somos duas aqui. Eu e a chuva. Não, não tem música tocando no player não. Sou apenas eu, com a chuva lá fora. Na medida certa. Nem calma nem furiosa demais. Apenas chuva, fazendo aquilo o que sabe fazer de melhor: chover.

Mas não são essas gotas que me inspiram a escrever, embora eu deva admitir que o som delas batendo no telhado e até mesmo caindo no chão, é algo deveras maravilhoso. Porém ainda não é isso que me motiva a escrever. 

Confesso que não é fácil, hoje depois de muito tempo, alguns dias na verdade, eu não peguei o teu corpo para inspiração. Se eu aqui mencionar olhos...não são os teus. Se eu ousar falar em cabelos...também não me refiro aos teus fios finos. Se por acaso surgir menção a uma boca desenhada, não...não é a tua. 

Não é que tenha aparecido uma nova pessoa na minha vida. Tu sabes como as coisas são, as pessoas não aparecem assim do nada com rapidez de luz para que outras sejam substituídas. Eu apenas...peguei ele um pouquinho emprestado sabe? Para que essa metade de mim que anda tão picotada pudesse ainda unir as palavras e formar frases para assim atingir seu estado de magnitude, sucesso pleno. É assim que a minha alma está sentindo-se nesse exato momento. É algo meio metafísico. Metapoético, metasarcástico! Como é bom inventar palavras, assim como é ótimo pegar musos inspiradores para fazer nossa prosa. Ah, não, desculpe, essa prosa não é mais nossa. A prosa é minha. Minha e do menino que contemplei a fim de ser hoje o meu objeto de estudo, a minha fonte de inspiração, o corpo de observação.

É por ele e para ele que eu vou  tecer cada linha, cada comentário e se a minha boca tiver sede de um beijo é na boca dele que eu me fartaria de tanto beijar. Não existe mais nada nosso aqui, e isso serve apenas para tranquilizar-te. 

A chuva aos poucos vai calando aqui dentro de mim. Lá fora, segue o turbilhão ora calmo, ora agitado. Mas aqui dentro, tudo volta ao seu devido lugar. E eu provo que eu quero. Eu busco aquilo que eu quero, nem que seja a poesia nos olhos de um muso inventado. 

Tudo dois.

Não sabia ao certo quanto tempo iria passar. Um mês, dois meses, talvez um ano. Mas sentia que talvez pudesse deixar as coisas como estão, caso ele um dia resolvesse voltar pra lá.

Continuaria lavando os lençóis com amaciante lavanda, pois era desse cheiro que ele gostava. Após o jantar, continuaria servindo duas taças de vinho para beber ao som de Pink Floyd, esparramada no chão da sala. Mesmo que sozinha... caso a solidão fosse insuportável demais era só beber a outra taça de vinho e pronto, a insanidade dava conta de trazer-lhe companhia.

E na hora de dormir, era capaz de revezar-se entre o lado esquerdo e direito, só para acordar e ver que a cama estava toda desarrumada, aparência de que duas pessoas haviam dormido ali, mas na realidade, ela não sentia-se nem uma pessoa completa.

Comprou uma outra escova de dentes para deixar ao lado da sua. Fantasiou cenas, proferiu palavras ríspidas para a geladeira, beijou os quadros e discutiu a relação com a tevê. 

Talvez ele nunca mais volte, isso apenas é um grande desejo de uma caixinha presa dentro dela que clama pela esperança de esperar o inesperável. 

Ele atravessou o oceano, menina, ele atravessou, ele não volta não. Não, não.
Espero não sofrer objeções por ter trocado o objeto da observação. Pensando bem, tal objeto segue o mesmo, o adorno é que modificou-se. Para que mudar de adorno tão facilmente? Para que as linhas poéticas sigam surgindo. 

Monday, 9 February 2009

Tarde fria e emoções intensas. Conseguia ver cada raio de sol definhando por detrás do horizonte, sorrateiramente, silenciosamente. Ela também desejava ficar mais um pouco só pra ver a noite engolir a tardinha com fome voraz. Só que tudo aquilo era tão surreal, era tão ilusório. Depois de um mês trancada no quarto passar mais de meia hora olhando para o mar não era uma atitude muito coerente a ser tomada. Tudo está sendo uma questão de atitude ultimamente, certo?

Não, não, errado, totalmente errado. Sim, ela tentara com força infinita segurar seu próprio impulso quando ele, seco, bruto e indiferente saiu pela porta e a deixou encostada. Simples assim, uma fenda que permitira a passagem de luz. E de treva também. Uma fenda pequena que permitia a passagem da respiração, do perfume, do cheiro dos cabelos. Ela ainda conseguia enxergar o pequenino olho esquerdo através daquele curto espaço. 

Só que, sim... algo realmente estava explodindo dentro dela naquele momento. Não era mais possível ficar tentando colar o passado com as suas lembranças e suas músicas. Era preciso muito mais do que isso. Era preciso ativar a borracha mental, era preciso rasgar as roupas, quebrar paradigmas, assistir filmes, respirar, tocar, sentir, correr, sofrer. Sofrer mais? 

Sim, sofrer mais. Tanto quanto o mais que fosse suficiente pra sair logo dali. Porque não queria juntar-se aos raios de sol morrendo nos bastidores do oceano límpido. Ela não escolhera esse destino pra si. Não era um raio de sol morto, era uma vívida treva, com direito a um feixe de luz no fim de seu próprio túnel.

Madrugadas Insanas #3

Perdoe-me a nova intervenção, ou melhor mais uma intervenção carregada de lirismo nas mesmas 24 horas seguidas. É que considero realmente estar tomando atitudes nem um pouco condizentes com a minha razão. 

Ok, tu poderias ter tornado tudo isso um pouco mais fácil, mas no momento em que tu não destes a mínima pra esse assunto então eu me responsabilizo por isso. A minha parte e a tua. Todas as revoltas e as coisas que penso que pensas estão só aqui. Certamente agora sonhas, não comigo, obviamente que jamais seria comigo. Todavia, no meio dessa historinha de me cortar com as farpas do passado eu me machuquei e tenho tentado me livrar disso. Eu tenho me esforçado. Alright, eu admito, poderia estar fazendo mais. Poderia ter tirado a tua foto do porta-retratos. Poderia? Poderia. Mas olhar pra ela me dá uma certa...raiva. Aí eu começo a sentir isso e chego à conclusão de que um dia tudo será indiferença. Poderia fazer mais que isso. Nesse exato momento a foto "mora" debaixo do meu travesseiro. Aí antes de dormir eu dou um beijo nela e quando acordo dou outro beijo e em seguida me dá uma repulsa à tudo aquilo que faço que logo suspiro e jogo tudo pro alto.

É hora de encarar os fatos, encarar a vida, já faz 5 dias que eu me escondo nesse pijama de algodão vagabundo que enche de bolinhas se for lavado na máquina. Um amontoado de papéis em uma sacola plástica, copos, embalagens de biscoitos vazias, desodorante, perfume, presilhas de cabelo, todas essas quinquilharias espalhadas pelo quarto. 

Tenho sentido dificuldade em interpretar explicações fáceis, em algumas horas do dia penso que as pessoas falam comigo mas o detalhe é que eu estou sozinha nesse quarto escuro então seria impossível alguém estar falando comigo.

Só pode ser meu eu-lírico de novo. Só pode ser a mais nova manifestação de quebra da sanidade. A perda da faculdade mental. A perdição final, a ida sem volta. O corte final.

Sunday, 8 February 2009

Epifanias escabrosas

Parecia que agora, finalmente começava a entender exatamente o que estava passando ali dentro de si mesma, perdida em um mundo paralelo que não era outro mundo senão o seu próprio mundo, chamado também de realidade.

Quanto tempo restaria ainda para que mergulhasse ainda mais na inércia daquele poço fundo e escuro de mágoa, tristeza e sal? Não saberia responder, os dias estavam todos fora de contexto e de compasso. Não existia mais uma regularidade, antes existente, de seus movimentos e suas atitudes. As pessoas nunca pareceram grandes coisas aos seus olhos mas ainda assim  conseguia  tolerá-las por alguns instantes. As conversas desnecessárias na parada de ônibus às oito da manhã, os mal educados e suas conversas sobre a vida alheia em voz alta em estabelecimentos públicos, aquilo sempre a incomodara mas agora? Não mais valeria a pena incomodar-se com tamanhos pormenores. A vida, ah, a vida. 

Carregava um peso assombroso toda vez que respirava, e quando liberava o dióxido de carbono não sentia-se mais leve, de forma alguma, como alguém sentiria-se melhor só por isso? Existem coisas que nem as reações químicas podem explicar nesse mundo.

Quanto tempo mais iria demorar para alguém vir colocá-la em lugar seguro, secar suas feridas, afagar sua cabeça e dizer que tudo iria ficar bem? Quanto tempo mais? A eternidade parece dar espaço para toda essa constatação absurda. 


Concordância não verbal

Sim, eu concordo plenamente contigo quando me dizes que essa não é uma atitude cabível, não é algo esperado de uma pessoa de meu nível mas aconteceram coisas que me fazem ter o direito de tomar atitudes descabidas. E em virtude de muitos fatos eu me sentiria até na vontade (pois direito eu não tenho) de proferir alguns belos palavrões ou algo do gênero. Contra quem? Contra ti? Não, eu jamais faria isso.

Sempre quis deixar claro que foras o culpado de todo o encantamento mas na realidade o maior culpado fora o teu perfume e teu olhar e isso nada tem a ver contigo em síntese não? São apenas frações de ti mesmo que implicavam comigo a todo momento e então dentro da minha cabeça extremamente racional eu fingia algumas coisas porque precisava me sentir igual a todo mundo, não por questão de mudar minha essência pra me igualar a qualquer grupinho mas simplesmente e unicamente para me sentir mais... humana.

Na hora nada senti, acho que estava tão entorpecida pelo efeito das luzes em volta que eu nem percebi nada. Nada senti, eu consegui sorrir até. Fora uma situação deveras boa porque não tencionava nada em relação a ti. Não mesmo, podes ter certeza disso.

Só que o day after é sempre o pior. É o lance do soco no estômago, tiro no braço, lâminas no pulso, tudo bem mortal e sangrento porque o que haveria de ser do amor desfeito se não fossem as suas consequências trágicas? Não existe dor de amor sem um pouco de lirismo fantástico que o mantém envolto.

E se falo tanto assim sem parar, se converso tanto assim via telepatia de mão única contigo não é porque eu queira respostas. É só pra que o teu alterego descubra que eu realmente não ligo pra isso. Meu Deus eu não ligo mesmo! Por que não me acreditas?
Me digas que parte tu perdestes? Nunca tivemos nada para lamentar, o que tivemos foi coisa daqui da minha cabeça, eu confundi sentimentos, enfiei os pés pelas mãos again and again, tá certo? Foi isso. Não exija-me isso como resposta estando perfeitamente posicionada bem na tua reta enquanto me olhas com ai que ódio, esses olhos aí! Caidinhos, como quem tenta entender o por que do céu ser azul. É azul porque sim e eu tô assim porque sim! Coisas que a ciência não pode explicar, pelo menos a ciência não pode ME explicar, procure no Google sobre céus azuis. Procure algo sobre corpos agarrados perfeitamente alinhados em noite de estrelas. Vamos, procure, eu te desafio!

Pois eu estou saindo agora dos limites da tua compreensão, da minha compreensão eu já joguei todos os livros pro alto, rasguei as páginas e escolhi letras aleatoriamente só pra dizer que nesse curto espaço de tempo a única coisa que eu fiz foi te amar. 
Um soco no estômago, um tiro no braço, mais uma da boa e velha ironia do destino. Ele poderia até esconder bem a sua curiosidade, mas ainda assim existia algo dentro dela que sabia sim, que toda vez que ele fechava os seus lindos olhos, toda vez antes de dormir, ahh ele pensara o que aconteceu de fato...

Saturday, 7 February 2009

Um suspiro, um cansaço, um gemido ou quem sabe apenas um sussurro conseguira proferir naqueles primeiros instantes de nova vida, velha rotina de vida sozinha. 

Estivera provavelmente bebendo muito, pois percebeu-se apenas vestida com suas peças íntimas, esparramada sobre o sofá, o corpo dolorido como quem é arremessado do alto de uma construção. Só pra se desconstruir, saca? 

Na mesinha da sala muitos copos, alguns estavam meio vazios, outros estavam completamente vazios. Uma infinidade de cd's espalhados pelo chão. A noite tivera sido grande. 

Pega o telefone, precisa de uma alma amiga para conversar, mas a realidade é que precisava saber como aquela noite acabara.

- Alô? 
- Fala. Tá viva?
- Uhum, é...acho que é o que parece. Vem cá...
- Diz.
- A casa tá uma bagunça. Encontrei uns cartões na mesa, um monte de bebida pela metade... a gente foi longe dessa vez, não?
- É. O pessoal tava doidão, mas bah que festa bem boa, precisamos fazer isso mais vezes e...
- Não, não eu só quero saber se eu fiquei sozinha nesse sofá. Só isso.
- Claro. Claro que sim. Não, não, ninguém fez nada pode ficar tranqu...

Desligou o telefone e agora sim seu suspiro era de alívio, era como se tivessem tirado um peso de uma tonelada de suas costas.  Não suportaria mais iludir-se com corpos e beijos e abraços e sensações delirantes, atos libidinosos, não, não. Era princesa demais pra isso. Ou pensava que era uma princesa.

Decidira que a vida era muito mais do que a bagunça da sala e a bagunça da sua vida. Precisava levantar-se e encarar o mundo, sim ela precisava. E agora, o telefone tocava. 

Friday, 6 February 2009

Madrugadas Insanas #2

Não sabia bem o motivo mas sentia vontade de chorar. Sim, chorar por esses três dias os quais passou sofrendo calada, deitando-se no chão úmido, debatendo-se contra as paredes gélidas e ásperas. Ah, só podia ser aquela música do Radiohead, sim ela se perguntava "what the hell am I doing here"? e aquilo fazia um sentido estrondoso dentro daquilo que ainda chamava de coração.

E apertava os olhos, fazendo força pra esquecer, pensando que assim seria uma boa maneira de apagar tudo aquilo da mente mas não existem borrachas mentais, não existem eliminadores de passados bons que não se transformaram em presentes. É, presentes...sentiram a ambiguidade da coisa toda?

É. Não teve presente. Não merecia o presente, não fora uma boa menina. Recolha seus destroços corporais, chora, eleva-te, ou rebaixa-te à categoria de um nada querendo tudo, admite sim a tua condição e chora, chora mas não penses nele porque tu és a última pessoa na qual ele vai sequer ousar em pensar. 

Baú do passado morto

Foram 30 segundos exatos até eu perceber que nunca mais iria acordar com o teu corpo sobre o meu. Não mais manhãs de domingo coloridas. Não mais brincarias com o meu cabelo, fazendo cócegas no meu nariz, cheirando meu pescoço e me beijando por todo o rosto.

Pois bem, sim eu sei que sou capaz de suportar e superar toda essa falta de profundidade que a vida está me reservando agora. Então é que tipo... aquela coisa né... estar nas nuvens o tempo inteiro é perigoso demais então...here we go, let's feel a little painful today.

Só que mesmo quando penso em todas essas coisas, sentada no sofá olhando para o teto escuro, escutando a voz do Rob Thomas ecoar na minha mente, é nesse momento que penso que na realidade eu sou uma música do Radiohead; qualquer uma. Todas são lindas, vazias e tristes. Pois bem, sinto-me assim!

Ainda resta um pouco de motivação para que meus olhos abram-se (mortos) a toda e cada manhã. 

Na realidade, a única coisa que tu precisarias saber, se quisesses mesmo dar a meia volta nesse caminho e me olhar, tudo o que eu precisava, era olhar dentro dos teus olhos... já que passei tanto tempo fazendo esforço para não lembrar deles! Eu fujo deles, a minha fuga só diz respeito ao teu par de olhos viciantes. Se eu te amasse, se eu pudesse te amar. É que eu não sei mais o que é isso, eu sequer imagino. As lágrimas todas são decorrentes da minha incapacidade de. Nada além disso.

Entendas por favor, que se algum dia tu olhares para o céu, se enxergares qualquer estrela e nesse momento pensares em mim, pode ser que tu consigas me alcançar, se pegares a estrada ao Norte.

Epopéias obsoletas #1

Divago sob a tutela de influente escritor russo na tarde quente de dezembro. Os movimentos tomam uma proporção obsessiva, compulsiva, beirando a loucura. A loucura de fato, não a loucura metafórica e quão petulantes somos ao denominarmo-nos loucos só por pensarmos que somos especiais.

Ah, seres humanos! Será que não enxergam que até nossas diferenças existem para que no final das contas sejamos todos iguais? 

Impressiona-me o fato de ainda deparar-me com pessoas que acreditam em tamanha tolice! Não podem conceber que há a eternidade da alma mas rotulam-se de loucos. Pobres criaturas pobres de espírito que recorrem a adjetivo tão tosco para sentirem-se de fato superiores, diferentes, especiais.

Hoje não permito-me o ódio. Este já consumiu minha alegria de viver, minhas faculdades mentais, meu brilho (ainda que obscuro) no olhar. 

O mundo apresenta-se tão belo quando conseguimos lavar nossos vestígios dele. É preciso cantar para não devanescer. 

E as pessoas perdidas...debatem-se contra seus tecidos epiteliais com a velha finalidade de sempre...

Alabama

Quero sumir do mapa
Quero fugir pro Alabama
Vou pegar um cd do New Order
E ficar deitada na cama

Ahhh a doce ilusão
Daquele que foge
E fica no mesmo lugar
Só pra criar contradição

E eu quero fugir
Só pra dobrar logo ali
Então bate de frente comigo
Eu caio, não posso seguir

A música musicando 
Com o bater dos meus dedos
Acorde a acorde
Em cima do livro
Pa pa ra ra

E hoje aprendi 
Que não importa onde eu dobre
Não importa onde eu more
Se escrevo poesia 
Se me embalo na música
Mesmo odiando o passado
Rasgando o presente
É tudo por ti
Por ti...


ps: poesia escrita momentos depois de começar a ouvir a música "Love Vigilantes" do New Order, não sei o que suscitou o surgimento de tais linhas, mas é assim mesmo, na maioria das vezes a gente não sabe de onde vem o sopro da inspiração!

Thursday, 5 February 2009

Sim, existem inquietações causadas pelo teu olhar que irão me assombrar durante muito, muito tempo. Talvez eu tenha certa dificuldade para dormir nos próximos dias e talvez sim nem as conversas com os amigos consigam me colocar longe de ti definitivamente.

Mas o ponto não é esse. O ponto (final) é que você partiu. Sim, partiu e a minha cabeça já racionalizou tudo isso. O meu coração não é fonte confiável pois há muito não sinto bater dentro do peito. Sim, me causavas suspiros mas ainda esses suspiros eu acho que eram apenas sinapses em voz alta de meus neurônios. É tudo tão medido aqui, tudo é pensado, calculado. É, não valho nada.

Tínhamos chances de 50% de pegar o mesmo caminho, mas como tu nunca fostes muito bom nessas coisas de direção, sentido, resolvestes ir pra lá...nem a tua sombra eu consigo enxergar.

(m) Água Azul

É com tamanha minúcia que dobro essa colcha agora, coloco-a sobre a cama. Não tenho coragem de me atirar nesses lençóis pois eu posso até enxergar os arranhões no meu corpo. Posso ver os pulsos sangrando e lágrimas rolando. Eu vejo tudo isso.

Os dias estão passando e tudo aquilo que faço, do mais simples ao mais complexo é de forma muito evoluída metodologicamente falando. A quantidade de café posta na xícara, os movimentos circulares ao lavar a louça, o número de vezes que escovo os meus dentes. 

As músicas já não preenchem mais, os programas de televisão tornaram-se chatos... até umas 25 horas atrás eram deveras interessantes. Não mais o são. Os livros todos atiram palavras por todos os lados mas essas palavras não me pegam e então como se estivesse saindo de um estado letárgico me pego deitada na cama, agonizando de dor, secando as feridas com a colcha antes dobrada, agora manchada.
Seria bem mais fácil se ela começasse a quebrar tudo o que visse pela frente. Talvez a raiva diminuísse ou desse espaço a um sentimento chamado...frustração? Arrependimento? "Puta que pariu vou ter que gastar mais e mais pra arrumar a bagunça que fiz?"

A questão é que nunca conseguira ficar sentindo-se um lixo por muito tempo. Pelo menos não fora dos limites de seu corpo. Ficaria sim, sentindo-se estranha, meio incapaz um pouco infeliz durante alguns dias, que nem somariam semanas. Certamente irá fazer com que a dor seja suportável se chorar um pouco enquanto toma banho, assim ninguém escuta. 

Por um lado, sabia que era bom que ninguém a escutasse, ninguém a enxergasse, ninguém a quisesse tocar. Estava menos demais para tudo isso. E sentia que precisava...

Faraway, so... far.

O trecho a seguir foi escrito no dia 2 de fevereiro.

Não fora assim tão difícil. Tá certo que na hora aconteceram muitas coisas, todas elas mentais obviamente, até porque não cabem muitas palavras saindo pela boca no momento em que ele parou e olhou atentamente para mim como quem dizia "sim, eu vou topar essa parada"!!!

Então... vem comigo, corre comigo, sonha comigo, dorme comigo, acorda comigo, ahhh eu sou um grande suspiro, um grande carinho e um forte abraço, assim me formei toda em olhos piscantes e brilhantes!

E então surgem tantas coisas na minha imaginação, sim, ela é fértil por demais! Dela brotam situações e sensações que o teu corpo nem pode imaginar ou nem queria, pelo menos não até ontem.

Como quem pode brincar de ser Deus, eu finjo que posso tudo e então estamos sob a luz da lua, que na realidade não tem luz, o que acontece é que a luz do Sol bate na Lua e a Lua nos envia o sinal. E sim, pois bem, continuemos a divagação. Somos só nos dois e dançamos de rostinho colado, os pés descalços na areia do Cassino, o vento leva nossos cabelos e sorrimos quando alguns fios misturam-se aos nossos beijos. Na minha cabeça eu canto Stay, (faraway so close) porque é uma música que pode nos embalar e é uma música que suscita tantos sentidos aqui dentro de mim, sei lá, soa bem assim... sensual, transcende sabe? Dá vontade de te despir com os olhos e te vestir de mim.

E vamos girando, girando, girando e quando percebemos já não estamos mais aqui. Fomos pro espaço limitado onde permitimos apenas a entrada de nossos cinco sentidos.

Wednesday, 4 February 2009

E se por algum acaso a minha poesia realmente te encantasse, eu até acharia bom, muito bom, na verdade posso imaginar-me no paraíso, escrevendo até o fim dos tempos só pra arrancar um sorriso teu e sim, eu apenas faria isso porque a realidade me diz que toda vez que te olho e as lágrimas pensam em lagrimar maçãs do rosto abaixo, o fato é que, é isso que me faz sentir viva.
Sabe quando tu saístes por aquela porta ontem, sem dizer sequer uma palavra, sem sequer olhar pra trás? Pois é. Doeu aqui. E hoje, exatamente 15 horas depois do ocorrido eu me encontro no mesmo canto da sala, encolhida. O corpo todo dói. Além da dor física por ter sonhado largada no chão, tem a dor da alma.

Dor das palavras que tu não precisastes mencionar para que eu entendesse que essa era a hora (certa?) da tua partida. Eu estou partida. 

Levanto-me com um pouco de dificuldade, cuidando para não pisar nos cacos de mim mesma, é quase impossível, me vejo espalhada por todo o chão da sala. Te vejo espalhado no chão da sala. Encontrei nossos beijos naquele chão. E todos eles me doem, todos eles me doem, todos eles me choram, me arranham, me espancam.

Lágrimas não rolam mais por essa face mas ainda assim faço força pois dessa forma iria aliviar um pouco desse tormento que se estabilizou aqui agora. Engraçado... a única coisa estável na minha vida é a instabilidade.

Abro a geladeira e está praticamente vazia. Apenas uma jarra com água e um pote de margarina barata. Até o meu sustento tu levastes. Foi aí que eu percebi que provavelmente estivera dormindo há mais de meses e por isso tudo estava tão vazio assim na minha vida. Foi por causa disso que tu sumistes... foi por causa disso que nem o teu olhar de desprezo, eu mereci.

O mais engraçado é que eu sei que o dia continuará amanhecendo com raios de sol. E mesmo assim me vejo continuando com ele...ele, o dia.

Tuesday, 3 February 2009

Madrugadas Insanas #1

Não te causa estranheza talvez pensar que por detrás de todas as portas e janelas lá estava eu de braços abertos?

Quando piscas os teus olhos diante dessas palavras e sei que isso te causa algum impacto por menor que seja, então. Será que nesses momentos tão rápidos e insignificantes tu não pensas ou não pensastes que isso daqui poderia ser tudo tu? Ou tudo a gente? Ou tudo, todo. O tédio, ahhh o tédio e o topo, é sim, eu estive no alto da montanha. Me segurastes pela mão, para que pudesse descer em segurança?

Não... eu simplesmente atirei-me do alto, porque voar me apetece.
Não posso prever o que está por vir. Talvez a gente mal se olhe enquanto esperamos o elevador. Meio parados assim, buscando no fundo da alma um assunto que realmente valha a pena. Mas nada vale. O elevador chegou e sobes sozinho. Aquele espaço é pequeno demais pra caber os destroços do meu corpo. 


Enfim, o encontro

Eu fiquei sentada no banquinho acho que uns 5 minutos, o clima estava agradável até. O vento levava meus cabelos mas não deixava com que os mesmos ficassem bagunçados. Estava tudo legal, sob controle, me sentia em uma propaganda de xampu, com aquele monte de cabelo voando, voando. 
Então ele me liga e diz que vai demorar só uns minutinhos mas que já está chegando. Aí sim, começa toda uma revolução interna que desperta o nervosismo. É claro que tenho motivos pra estar nervosa. É o dia de colocar os pingos nos is, o acerto de contas, o juízo final da nossa historinha com probleminhas de continuidade. Mas tudo vai ficar bem, já não tenho mais 15 anos, então tudo vai ficar bem.
Olho no relógio, não por ansiedade mas é mais por costume mesmo, saca? É. Saca.
Olhando para o chão, batendo meus dois pés feito criança, me pego distraída. De certa forma já sinto tudo antes da chegada dele. Pois sei que cheiro ele tem. Sei o que vou sentir quando a gente se abraçar. Sei como vou me arrepiar toda só com a voz dele perto do meu ouvido. Eu sei de tudo isso.
Olho para a esquerda e avisto-o ao longe. Desvio o olhar novamente, olho para o chão e sinto os meus lábios sorrindo e penso o quanto ele tem o dom de me fazer incrivelmente viva nem que seja só pra escrever essas linhas. É, ele me faz.
"Oi?". "Oi". "Que saudade, quanto tempo". E ele está ali, parado na minha frente. Sorri (aquele sorriso sem mostrar os dentes) e logo senta ao meu lado. Falamos sobre obviedades, sobre coisas do tipo o-que-tens-feito-da-vida ou hoje-o-clima-está-agradável. Só que é claro que ele sabia que havia algo de errado comigo. Eis que eu tomo coragem. Pego a mão dele e então o encaro.
(Pensamentos que ocorrem) Não há de ser tão difícil. Olha pra esse rosto! Ele seria incapaz de me fazer mal mesmo que tivesse vontade! Seja sim, ou seja não, ele não vai me causar dano.
Bem, ele olha, curioso pra minha mão, aperta-a e em seguida me fita de volta. O impacto chega a tremer minhas pupilas. Whatever, eu preciso continuar.
A questão é que, eu não sei se tu tens reparado mas é que eu não sei né, pode ser que eu esteja totalmente enganada, e quem disse, eu posso estar, não? Mas é que eu não vou conseguir deixar que fiques parado na esquina sem antes te dizer que... Bom, deves estar pensando do que eu tô falando mas a realidade é que quando eu abro os olhos pela manhã eu penso em ti e que seria legal se vez por outra eu abrisse os olhos e tu estivesses do meu lado, assim só pra sorrir pra mim e me dar bom dia. Não sempre, só de tempo em tempo. Talvez um abraço apertado pela manhã caísse bem também, tem gente que acorda de mau-humor mas é, não sei. Ok, estou sendo ridícula e me sinto ansiosa e nervosa. 

Mas a questão é que. A questão é. (Nessa hora me faltam palavras, ele me olha impaciente como quem diz "tá, e aí, vais falar ou não?" e isso me deixa mais apreensiva)

Ele me dá um abraço. Meus olhos quase saem de suas órbitas, meu corpo chacoalha todo, eu demoro a assimilar tudo porque uma coisa é falar com ele e outra coisa bem diferente é entrar nesse contato físico tão inesperado.

Afasto-me rapidamente e retomo a oratória. Pois bem, a questão é que eu não paro de pensar em ti e eu acredito que duas pessoas quando têm tudo a ver elas têm que ficar juntas. Essa é a ordem natural das coisas. É o que eu vejo nos filmes, tá, sei que tudo é ficção ali mas puxa, eu penso que...a gente tem que viver, viver, e quando a gente tá nessas assim, confuso, é legal ter alguém pra dividir os passos aqui do lado. Caber num abraço e sentir que o mundo todo não oferece medo, nada pode deter. Eu tenho certeza que eu não te amo, tá eu gosto de ti, mas não é aquele amor que todo mundo 'morre por' mas eu me atreveria a dizer que nos últimos tempos a coisa mais próxima que tive de sentir isso foi por ti. E é isso que me empurra até esse exato momento. Quando a gente pressente que existe um sentimento bom em relação a alguém a gente não pode simplesmente dizer tchau-eu-não-vou-arriscar. 

Eu não posso te deixar dobrar a esquina. Eu não posso. Tudo bem se tu quiseres ir embora, não posso te obrigar. Mas olha aqui dentro do meu olho. Estás olhando nada mais nada menos do que pra toda essa que tá na tua frente só querendo arriscar um pouco. Eu vou seguir o meu caminho, e tu? Tu não vais dobrar a esquina, irás?


ps: eu tinha esquecido que hoje era dia 3 e era dia de postar a parte final hehehe

Off post antes de terminar a trilogia...

Sim, eu queria terminar a trilogia da historinha emocionante que está todo mundo torcendo pra saber o desfecho mas tem uma criatura se debatendo aqui dentro de mim e querendo falar e já que ela sempre fala e eu sempre obedeço, dei a palavra à ela...


Bem, peço toda a atenção nas linhas que seguem, porque a coisa é séria. Aplicando uma técnica machadiana peço a você, LEITOR, fique atento.

A realidade é que eu vim aqui me defender. Ou defender a moça que escreve nesse blog. Sim. Eu sou o eu-lírico da moça que escreve no blog!!!

Vocês ficam desejando-na toda a sorte quando chegar na esquina pra finalmente falar com o carinha dos sonhos dela, mas não, não! Sou eu (lírico!) que estou à poetar versos e versos, e à pensar durante dias e dias em como fazer isso! Desejem sorte à mim, por favor, pois vou precisar! Até seres imaginários precisam de sorte, sabiam?

Tá, supondo que sim, que sejamos a mesma pessoa. Uma pessoa é composta de várias pessoas "inside", não?  Tá, chamem de vários estados de humor, personalidade, bipolaridade ou os cambal. A realidade é que temos muito mais reentrâncias do que podemos imaginar. Só isso.

E talvez por assim dizer, posso me atrever a suspeitar supondo a hipótese de que sim, eu e a moça do blog somos as mesmas. Só que ela tá ali no mundo real e inventou de gostar um milímetro a mais de um carinha. Eu pego essa fantasia toda, pego os pensamentos dela e todas as coisas que ela passou (e não passou) com ele, e me aproprio. Pois posso fazer isso!

Eu sou a idéia que a desperta quando ela está vendo televisão, o impulso que a faz correr pro computador pra digitar tudo isso aqui. Sou o suspiro que ela dá depois que termina de escrever pois ela, e talvez mais alguma bifurcação de sua alma que desconheço, pensam mesmo em ir pegar aquele cara lá da esquina. Eu particularmente não o acho tão interessante... mas a guria... valoriza tanto essa criatura e eu nem entendo o motivo. 

Só por causa dos"olhos-miúdos-cheirinho-do-pescoço-dele-que-não-consigo-esquecer"... eu hein. Claro que não poderíamos ser a mesma pessoa. Somos diversas faces de uma mesma moeda unilateral. 

Monday, 2 February 2009

O caminho até o encontro

Seria bem mais fácil se eu simplesmente me teletransportasse...afinal ir de ônibus até lá... eu só podia estar louca quando telefonei para ele hoje às nove e meia da manhã dizendo "tem algum problema da gente se ver mais tarde"? Claro que ele ficou perplexo, lógico, quem não ficaria? Nove e meia, cara. Pra marcar encontro. Só eu mesmo.
O ônibus não está cheio, o que é menos mal, assim o ar que aqui se acumula pode ser melhor aproveitado, eu preciso sim de ar, preciso encher meus pulmões de ar e soltar, eu vou precisar de coragem. Ai meu Deus o que é que eu faço? Deus? Mas eu nem acredito em Deus. Tá, talvez até acredite mas não assim desse jeito e não colocando a minha vida na mão do sobrenatural mas é que... aaaiii pára de pensar nessas coisas. A questão é: eu tô indo tirar ele da esquina da minha vida. Eu vou conseguir tirar ele da esquina, claro, pra andar de mãos dadas comigo...

A decisão

Hm, bem, ele continua ali parado na esquina. É, continua. Pois bem. Não há de ser difícil. É só chegar e dizer tudo e pronto e se ele ficar muito impressionado, você trata logo de dizer a ele que não há problema nenhum nisso, que é apenas um desabafo e não uma exigência, aí você dá um beijo na testa dele e por favor, evapore o mais rápido possível. (Isso são meus pensamentos, encorajadores) 

Então tá. Hm, deixa eu ver como estou. Estou bem, essa blusa me emagrece. É isso. Eu vou até lá tirá-lo da esquina agora mesmo!



ps: essa postagem faz parte de uma trilogia resultante de uma descarga emocional poética forte ocorrida na noite passada, portanto, a historinha segue.

Sunday, 1 February 2009

...se eu pego cada palavra e domino, transformo, transfiguro, toco e sinto isso não significa nada além da devoção que tenho a tudo o que me fazes escrever e sentir e existem momentos os quais a confusão do meu pensamento se junta com a confusão do quem sou eu e quando me pergunto sobre isso eu chego à conclusão de que eu sou essas linhas...linhas essas que são tuas. Será que sou de ti? 

E eu te deixei naquela esquina

E quanto tempo faz? Não, eu não tenho idéia. Alguns dias, sei lá, se somar tudo rendem uns meses ou apenas um mês e pouco. É complicado prever porque parece que desde o primeiro dia em que eu te vi tu entrastes aqui por debaixo da minha pele e dominou tudo. Claro, não era uma dominação explícita. Eu não perdia o sono à noite por tua causa mas sim, perdia a respiração só de te ver pelos corredores. E eu pensava que ahhh eras tu! Tu eras a melhor recompensa de um dia cheio de mancadas. Te ver!

E hoje é muito estranho fugir de ti quando estamos no mesmo espaço físico. Te olhar e querer que os teus olhos não me olhem porque a reação que isso vai causar em mim é simplesmente catastrófica. Simplesmente aprendi a agir como se tu não existisses e assim eu fantasio frases e ações na minha mente e finjo que tu és apenas parte do imaginário. Tens mesmo uma cara de sonho.

E sinto que quando as pessoas passam por mim na rua, são apenas corpos materiais, talvez cheios de água e moléculas e vísceras e sangue mas nada, nada dentro dessas pessoas pode despertar a beleza que eu vi dentro desse olhar ou no cheiro do teu pescoço. 

Talvez eu volte a ficar empolgada com um novo carinha, você sabe como são esses esquemas de conhecer as pessoas, se apaixonar ou ficar um pouquinho mais interessado e tal, sempre rola da gente colocar uma certa expectativa, é, gente carente não tem remédio mesmo. 

Porém, é... puxa, como é estranho isso. O fato é que, apesar de já ter tido um monte de encontros bacanas que pareciam ser o próprio céu, nada foi tão céu quanto o que eu tive contigo. E talvez seja por isso que eu fuja tanto da resposta. Será que sim? Será que não? Tenho medo do que possa estar por vir mas o fato, de novo, sim, repito as palavras milhares de vezes, é chato,  mas me embaralhas a mente assim como tu fazes o meu coração disparar e parar o tempo inteiro ao mesmo tempo. A verdade é que nada (tão cedo) poderá ser equiparado ao que senti quando a minha boca encontrou a tua naquela noite banhada à brilhos estelares. Bem, mais uma vez, tentando assim prosseguir sem soluçar, é eu acho que gosto de ti até mais do que deveria. Mas pode ficar tranquilo eu já estou tendo conversas mentais contigo e estou dizendo pra mim mesma que não vai dar certo nutrir esses sentimentos e tu me dizes "não é por mal, és uma guria afudê e tudo mas não rola, sabes?" e eu entendo isso e sigo a minha vida. 

É que foi aquele beijo. O beijo que eu não beijava há tempos. Lembro de ter fechado os olhos e sentido a tua boca chegar perto da minha e quando finalmente se encontraram, eu apertei os olhos com força e pensei que aquilo só podia ser um sonho! E aquele abraço apertado que meio que dizia que era algo bom, que tudo aquilo ali era bom e era seguro sentir-se assim... 

Mas eu te deixei. Eu te deixei naquela esquina. Só não sei se na imaginária, ou real. Eu deixei porque na real, eu também tenho medo do escuro.